COP 30: Florestas e uso de madeira sustentável na construção são destaque no terceiro dia do evento

Evento global lança princípios para construção responsável em madeira, destaca liderança brasileira em silvicultura e anuncia R$ 912 milhões em investimentos para restauração florestal.

O terceiro dia da COP30 (12) foi marcado pelo side event oficial da UNFCCC “Forests, Timber and Construction: Nature-Based Solutions for a Changing Climate” que apresentou discussões sobre o papel da Silvicultura sustentável e o uso de madeira na construção na transição para uma economia regenerativa de baixo carbono.

Moderado por Thorsten Arndt, do PEFC International, o painel contou com o lançamento mundial do documentário “Our Future: Built by Nature” e Principles for Responsible Timber Construction, um novo marco global que conecta o uso da madeira às metas de descarbonização do setor da construção civil.

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Com o setor da construção sendo responsável por quase 40% das emissões globais de carbono, o lançamento dos Princípios para a Construção Responsável em Madeira representa um ponto de virada na luta contra as mudanças climáticas e o desmatamento. 

“Esses Princípios têm respaldo científico, reconhecimento global e agora estão acompanhados de ferramentas que os tornam aplicáveis. A madeira deixou de ser um nicho para se tronar uma escolha responsável para a construção em todo o mundo.” disse Paul King, CEO da Built by Nature.

Os Princípios foram desenvolvidos com a colaboração de especialistas de toda a cadeia de valor, além de representantes de governos integrantes da iniciativa Forest & Climate Leaders’ Partnership (FCLP). Eles agora farão parte do Building for Forests Acceleration Plan, uma chamada global para integrar o uso sustentável da madeira às políticas de clima e habitação de ao menos 30 países até 2028, incluindo seis na região tropical.

Para Carlos Altimiras, Presidente da Arauco Brasil, a contribuição do setor florestal para a mitigação da crise climática começa justamente com as plantações. Elas exercem um papel fundamental ao capturar grandes volumes de carbono da atmosfera, sendo essa a primeira e mais significativa contribuição do nosso setor.

Além disso, continua Altimiras, produzimos produtos de madeira que são biodegradáveis e capazes de substituir materiais inorgânicos como o plástico e o concreto, que são muito mais poluentes e têm pegadas de carbono muito maiores.

“Nossas fábricas de celulose e painéis contam com tecnologias de ponta, que permitem reduzir emissões, otimizar o consumo de água e reutilizar praticamente 100% dos resíduos gerados no processo produtivo.
Essa junção demonstra o equilíbrio sólido entre a produção de bens biodegradáveis e o compromisso com a mitigação climática, demonstrando que é possível gerar desenvolvimento econômico com impacto ambiental positivo”, completa o CEO da Arauco.

Durante o painel, o embaixador José Carlos da Fonseca Jr., diretor executivo da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) apresentou o relatório “Setor Florestal Brasileiro pelo Clima”. O documento reúne dados e estudos sobre as contribuições das florestas plantadas e da restauração de nativas para a mitigação das mudanças climáticas e para a transição rumo a uma economia regenerativa e de baixo carbono.

A Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) foi criada há 11 anos para representar toda a cadeia produtiva das árvores plantadas, desde o cultivo até os bioprodutos que oferecemos aos consumidores no Brasil e no mundo, explica José Carlos. “O setor construiu um modelo produtivo de grande sucesso, resultado de décadas de investimentos contínuos em ciência, inovação e tecnologia”. 

“Esse êxito decorre da capacidade do setor de unir produtividade florestal e industrial, sempre com base em práticas sustentáveis No relatório ‘Setor Florestal Brasileiro pelo Clima’, que lançamos aqui na COP30, reunimos casos concretos de descarbonização e ganhos de eficiência, tanto na base florestal quanto nas operações industriais e logísticas. É um retrato da contribuição efetiva do setor de árvores plantadas para a transição climática global”, concluiu o diretor executivo da Ibá. 

BNDES anuncia R$ 912 milhões para restauração florestal

Em outra frente de destaque, o BNDES anunciou, também na COP30, a aprovação de R$ 912 milhões em operações de crédito do Fundo Clima, voltadas para empresas privadas que atuam com restauração de áreas degradadas e implantação de sistemas agroflorestais. Entre as companhias contempladas estão Re.green, BTG Pactual TIG, Tree+, Grupo Ibema e Pátria Investimentos que juntas, devem gerar R$ 3,1 bilhões em investimentos totais, considerando as contrapartidas da iniciativa privada.

Segundo Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, a restauração florestal virou uma agenda econômica concreta no Brasil. “Estamos combinando crédito competitivo, ciência, inovação e parcerias com o setor privado para gerar emprego, renda e recompor a biodiversidade.”

A ministra Marina Silva destacou que “o grande debate desta COP30 ocorre entre clima, ecologia e economia”, ressaltando o papel das parcerias empresariais.

Os recursos permitirão o plantio de 283 milhões de árvores e a captura de 54 milhões de toneladas de CO₂, beneficiando biomas como Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica. Entre os contratos anunciados estão R$ 250 milhões para a Re.green, R$ 200 milhões para o BTG Pactual TIG, R$ 200 milhões para o Pátria Investimentos, R$ 152 milhões para a Tree+ e R$ 110 milhões para o Grupo Ibema, responsável pela primeira concessão florestal do bioma Mata Atlântica.


O terceiro dia da COP30 reforçou que o Brasil tem papel decisivo na integração entre florestas, clima e desenvolvimento econômico. Ao unir ciência, investimento e inovação, o país reafirma sua liderança global na agenda de soluções baseadas na natureza, mostrando que o futuro sustentável pode, literalmente, ser construído em madeira.

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Fernanda Capo
Advogada formada na Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Jornalismo Digital pela Fundação Casper Líbero.

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