O destaque do quarto dia (13) da COP30 foi o painel “Sustainable Forest Management and Biodiversity for Climate Action”, que reuniu representantes da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) e Suzano para debater como o manejo florestal sustentável e a conservação da biodiversidade são essenciais para a ação climática e para o uso responsável dos recursos de origem florestal.
A discussão evidenciou um marco recente para o país: a ABNT tornou-se a primeira entidade brasileira, acreditada pelo Inmetro, para validar projetos de gases de efeito estufa em reflorestamento e florestamento, um passo concreto rumo à transparência climática e à consolidação do Brasil como referência em soluções de baixo carbono.
A conquista se eve ao trabalho do Comitê Técnico ISO/TC 287 – Sustainable Processes for Wood and Wood-Based Products, que liderado internacionalmente pela ABNT, reúne especialistas de diversos países para desenvolver normas sobre manejo responsável da madeira, rastreabilidade de origem e medição de emissões e remoções de carbono em florestas plantadas, criando uma base técnica global para políticas públicas, certificações ambientais e práticas empresariais sustentáveis.
“A liderança da ABNT no comitê internacional demonstra a capacidade do Brasil de transformar compromissos ambientais em parâmetros técnicos globais”, afirmou Karina Nazello, gerente de normalização internacional da ABNT e coordenadora do ISO/TC 287. Segundo ela, as normas fortalecem a transparência e a valorização das florestas manejadas, contribuindo para o combate ao desmatamento ilegal e para a transição rumo a uma economia de baixo carbono.
“A padronização internacional tem um papel crítico, pois ajuda a construir confiança dentro do sistema”, disse Clara Cruz, gerente de Sustentabilidade da Suzano. Para Clara, os padrões ISO permitem comparar práticas, garantir a adoção das melhores referências e demonstrar que o manejo florestal segue critérios rigorosos de responsabilidade ambiental e social.
“Com esses parâmetros, conseguimos comprovar que nossos produtos têm origem rastreável e que nossas florestas são manejadas de forma sustentável. Isso é essencial para gerar confiança, acesso a mercados e segurança para stakeholders”, afirmou.
Outras normas que tiveram destaque no painel foram a ISO 14068, voltada à transição para o net zero, e a ISO 13391, que trata do balanço de carbono e emissões na cadeia de valor, com o objetivo de medir e certificar a contribuição climática das florestas e dos produtos de base florestal.
Para Adriano Scarpa, Gerente de Mudança do Clima da Ibá, o setor de base florestal, que hoje mantém cerca de 10,5 milhões de hectares de florestas plantadas e 7 milhões de hectares de áreas nativas conservadas, com o plantio de aproximadamente 1,8 milhão de árvores por dia, é parte da solução climática, pois remove mais carbono do que emite.
“As novas normas oferecem instrumentos para calcular o balanço de carbono, quantificar o efeito de substituição, como o uso da madeira em vez do aço e do cimento, e integrar esses benefícios às metas climáticas globais”, explicou Scarpa.
“Precisamos considerar todos os ganhos do setor, não apenas as emissões industriais, mas também as remoções nas florestas e o carbono estocado nos produtos florestais”, reforçou.
Na mesma linha, Clara Cruz, ressaltou que o ato de cuidar das florestas também significa cuidar do solo, da água, do clima e das pessoas.
“Sem comunidades saudáveis e engajadas, não há sustentabilidade”, disse, lembrando que a Suzano já retirou mais de 10 mil pessoas da pobreza desde 2019, por meio de programas de geração de renda com produtores de mel, extrativistas de açaí e artesãos de coco babaçu.
Além disso, a empresa mantém a meta de alcançar 20 mil pessoas até 2030. “Florestas saudáveis e comunidades saudáveis caminham juntas. As normas nos ajudam a evoluir continuamente e a seguir sempre em busca das melhores práticas”, concluiu.
O debate mostrou que a governança técnica e a cooperação são fundamentais para ampliar a adoção de práticas sustentáveis em escala global. “O que se discute na COP30 tem base em ciência, tecnologia e padronização, e é aí que entra a contribuição do Brasil”, afirmou o presidente da ABNT, Mário William Esper, em matéria da ABNT sobre o evento.
A discussão evidenciou que a combinação de padronização científica, engajamento empresarial e integração entre emissões e biodiversidade é o caminho para consolidar o papel das florestas como solução climática e fortalecer a liderança do Brasil na transição para uma economia de baixo carbono.



