A Associação Nacional dos Distribuidores de Papel (ANDIPA) comemorou, na segunda-feira, 13, os 25 anos de sua fundação em um evento realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), na capital paulista. A programação contou com a palestra “Cenário Macroeconômico 2026-2027”, ministrada por Caio Megale, economista-chefe da XP Investimentos, que apresentou uma análise das perspectivas econômicas para o Brasil e o cenário internacional ao longo do biênio.
Segundo o executivo, as tensões geopolíticas globais somadas ao ano eleitoral brasileiro compõem um panorama incerto, que deve exigir cautela redobrada.
CENÁRIO GLOBAL
No radar internacional, eventos como as guerras da Rússia e Ucrânia e a ofensiva dos Estados Unidos e Israel contra o Irã – além do novo tarifaço de Donald Trump, que eleva as sobretaxas ao Brasil em 25% – devem impactar o setor de forma indireta, sobretudo pelo encarecimento do petróleo e, por consequência, dos custos logísticos.
A esse quadro soma-se a variação cambial, que tende a ganhar volatilidade em ano eleitoral; ainda assim, Megale destacou que o real vem se mantendo relativamente estável frente ao dólar, em contraste com outras moedas emergentes.


Nesse contexto, o Brasil reúne algumas vantagens competitivas frente a outros países emergentes. De acordo com o economista, a forte demanda global por commodities – o país é um grande exportador de alimentos, carne, metais e celulose – pode sustentar a posição favorável do país no comércio internacional, movimento reforçado pela produção de energia, tanto fóssil quanto renovável.
Megale também chamou atenção para o crescimento dos investimentos em Inteligência Artificial (IA), que, pelos custos de produção associados à tecnologia, representa um risco inflacionário em escala global.

MERCADO INTERNO
No território doméstico, o economista projeta que o consumo deve seguir em trajetória de crescimento nos próximos trimestres – ainda que em ritmo moderado –, sustentado pela queda da taxa de desemprego e pela expansão dos programas sociais voltados às famílias.


O avanço da reforma tributária e o debate em torno da reformulação da escala de trabalho 6×1, no entanto, ainda geram incerteza e reforçam a cautela do mercado quanto ao risco inflacionário. A isso soma-se o contraste entre a dívida pública em expansão e a arrecadação em nível recorde, o que tende a manter os juros como ferramenta de contenção mais prudente. No panorama externo, o fenômeno climático El Niño, com intensificação prevista para o último trimestre, desponta como fator de risco adicional para a economia brasileira.
PROJEÇÕES 2026-2027
Diante desse panorama, as projeções da XP para a economia brasileira apontam um cenário de desaceleração controlada em 2026 e 2027. O PIB deve crescer 2% em termos reais neste ano, perdendo fôlego para 1% no ano seguinte. O desemprego, por sua vez, deve subir de 5,6% para 6,3% no período, refletindo justamente esse arrefecimento da atividade econômica.




