Uma nova era para o hortifruti: papel combina sustentabilidade, inovação e eficiência

Além de proteger, soluções elevam exposição, reforçam marcas e reduzem impactos ambientais

Dados da Empapel mostram que mais de 60% da expedição de papelão ondulado no Brasil é destinada a embalagens para alimentos, evidenciando a relevância do segmento para a indústria. Dentro desse contexto, o mercado de FLV (Frutas, Legumes e Verduras) representa 9,2% da demanda por embalagens de papel, superando setores como farmacêutico e avicultura.

O avanço das embalagens de papel no setor de hortifruti tem se consolidado como uma das principais tendências da cadeia de frutas, legumes e verduras (FLV), impulsionado por demandas crescentes por sustentabilidade, segurança alimentar e eficiência logística. Com soluções cada vez mais customizadas e tecnológicas, o papelão ondulado vem ampliando espaço em substituição a materiais tradicionais, como a madeira, e ganhando protagonismo também como ferramenta de marketing no ponto de venda.

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“O mercado de FLV representa um segmento de muita relevância para a indústria de embalagens de papel e papelão ondulado”, destaca Gabriella Michelucci, ao reforçar o papel das soluções customizadas e do diferencial ambiental como fatores de crescimento.

Papelão ganha força com apelo sanitário e ambiental

Um dos movimentos mais evidentes é a substituição das tradicionais caixas de madeira por embalagens de papelão, tendência já consolidada na Europa e em expansão no Brasil.

Segundo Plínio Bassi, gerente de vendas da Trombini, a mudança é impulsionada principalmente por questões sanitárias e operacionais.

“A embalagem de papelão é muito mais amigável no transporte, na reciclagem e no descarte. A madeira acumula sujeira, contaminantes e mofo, além de ter uma destinação mais complexa”, afirma.

Além da segurança alimentar, o papelão oferece vantagens logísticas relevantes. A possibilidade de desmontagem e enfardamento facilita o armazenamento e acelera o retorno do material à cadeia de reciclagem, reduzindo custos operacionais e impactos ambientais.

Embalagem deixa de ser apenas transporte e vira ferramenta de valor

Outro avanço importante é o papel das embalagens no ponto de venda. Diferentemente da madeira, o papelão ondulado permite impressão de alta qualidade, reforço de marca e melhor exposição do produto.

“Hoje, as embalagens estão no ponto de venda como display. Você consegue dar identidade para a fruta e melhorar a apresentação, algo que a madeira não permite”, destaca Bassi.

Esse movimento acompanha a transformação do varejo alimentar, que busca cada vez mais diferenciação visual e melhor experiência para o consumidor.

Customização e tecnologia aumentam eficiência logística

A inovação também passa pelo desenvolvimento de soluções cada vez mais específicas para cada tipo de produto e cadeia logística.

Na Smurfit Westrock, o foco está na customização completa das embalagens, considerando as características de cada cliente e produto.

“Desenvolvemos a embalagem de acordo com a necessidade do cliente, garantindo que o produto chegue ao destino final com qualidade e sem danos”, explica Carlos Sobrinho, diretor comercial da companhia.

Entre as inovações apresentadas, estão soluções de alta capacidade, como bins de até 600 quilos para transporte de frutas em longas distâncias, projetados para suportar pressão e manter a integridade do produto durante exportações.

A empresa também investe em tecnologias de impressão de alta definição, ampliando o apelo visual das embalagens e agregando valor ao produto final.

Shelf life e segurança alimentar ganham protagonismo

Na Klabin, a estratégia está centrada na integração entre matéria-prima, desenvolvimento técnico e aplicação final.

“O papelão ondulado tem características que permitem melhorar a ventilação, a troca de ar e lidar com variações de umidade e temperatura, aumentando o shelf life das frutas”, afirma Gustavo Jaoude.

Segundo o executivo, o desenvolvimento de embalagens específicas para cada cultura, como banana, manga, uva ou cenoura é essencial para garantir qualidade ao longo de toda a cadeia, da colheita ao consumidor final.

Além disso, o uso de fibra virgem e a origem renovável do material reforçam o atendimento às exigências de segurança alimentar e sustentabilidade, cada vez mais presentes nos mercados internacionais.

Crescimento do consumo e oportunidades para o setor

O avanço das embalagens de papel no hortifruti também está diretamente ligado ao potencial de crescimento do consumo de FLV no Brasil. Atualmente, a ingestão média da população ainda está muito abaixo das recomendações da Organização Mundial da Saúde, o que indica espaço relevante para expansão do mercado.

Esse cenário, aliado a iniciativas de incentivo ao consumo por parte de entidades como a Embrapa, reforça a expectativa de aumento da demanda por soluções logísticas mais eficientes e sustentáveis.

Combinando sustentabilidade, inovação e eficiência operacional, as embalagens de papel se consolidam como uma solução cada vez mais alinhada às exigências da cadeia moderna de alimentos.

A substituição de materiais menos eficientes, o avanço da customização e o papel crescente da embalagem como elemento de valor indicam que o segmento de hortifruti deve continuar sendo um dos principais vetores de crescimento para o setor de papel e papelão ondulado nos próximos anos.

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Fernanda Capo
Advogada formada na Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Jornalismo Digital pela Fundação Casper Líbero.

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