O mercado de tissue professional no Brasil tem demonstrado avanços importantes nos últimos anos e um grande potencial de crescimento para os próximos. Impulsionado por um cenário macroeconômico favorável e pela recuperação do país, o Brasil tem se destacado em diversos indicadores como a taxa de desemprego em níveis historicamente baixos, inflação controlada e investimentos estrangeiros em expansão.
Estas informações e outros dados foram apresentados em estudo da empresa Euromonitor a pedido da Bracell, durante o 1º encontro com o tema Papéis Professional, o Conexão Tissue 2025, promovido pela companhia na última quinta-feira (21).
Detentor do 5º maior mercado mundial de tissue, com 229 mil toneladas produzidas em 2024, fatores como o envelhecimento populacional, que prevê um aumento de 3 milhões de pessoas acima dos 65 anos até 2027 e o baixo consumo desse tipo de papel per capita (1,7 kg), ainda distante dos 10 kg per capita dos Estados Unidos, demonstram oportunidades de expansão para os próximos anos.
Papel Toalha
O papel toalha se consolidou como a principal categoria do mercado de tissue professional no Brasil, superando 145 mil toneladas em 2024.
De acordo com Victor Cardoso, consultor da Euromonitor, as projeções indicam crescimento médio anual (CAGR) de 4,1% em valor e 2,7% em volume, com expectativa de bater 157 mil toneladas em 2027.
“Esse é um reflexo direto de mudanças no perfil de consumo. Entre as tendências que impulsionam o segmento, destacam-se a crescente busca por produtos de maior qualidade, com gramatura elevada e a expansão do sistema interfolhado em substituição ao sistema em rolo, que apresenta preço médio mais alto e maior eficiência no uso”, explica Cardoso.
“Um dos destaques é o papel toalha interfolhado de três dobras, tendência que poderá ganhar relevância nos próximos anos”, complementa.
Na segmentação de produtos, observa-se que os produtos low cost, que utilizam reciclados e têm qualidade inferior, representam 22% do total do mercado (32 mil toneladas).
Os produtos econômicos, feitos 100% com fibra de celulose, utilizando folhas simples de até 23 g/m², correspondem a 33% do mercado. Já os produtos standard, com folha dupla e gramatura entre 24 e 50 g/m², representam 40%, enquanto os papéis premium, com folha dupla ou tripla folha, acima de 31 g/m², somam apenas 5%.
“Apesar da expansão das categorias de maior valor agregado, os produtos low cost e econômicos ainda respondem por mais da metade do mercado, evidenciando a relevância do custo-benefício”, diz o consultor da Euromonitor.
Papel Higiênico
O papel higiênico institucional alcançou 66 mil toneladas em 2024, com previsão de crescimento médio de 3,9% ao ano em valor e 2,2% em volume. A produção deve ultrapassar 71 mil toneladas em 2024.
O segmento é fortemente sustentado pelo sistema em rolo, que concentra a maior parte das dispensas instaladas. Segundo Cardoso, uma tendência em desenvolvimento é a adoção de dispensers de fluxo central, que promovem consumo mais eficiente, embora ainda restrita a nichos específicos.
“Quanto ao posicionamento, o mercado econômico, composto por produtos de folha simples, domina a categoria. Isso reflete a visão das empresas consumidoras que ainda consideram o papel higiênico como custo”, explica o consultor.
Já o segmento premium, com folha dupla, representa 23% do mercado, mostrando adesão entre clientes das classes A e B que buscam desempenho e maciez. “O crescimento pós pandemia do setor hoteleiro, por exemplo, demonstram oportunidade de crescimento nesse segmento”, complementa.
Wipers
Os wipers, panos multiuso e industriais, atingiram 12 mil toneladas em 2024, registrando crescimento consistente de 5,1% em valor e 5,4% em volume, número superior à média das outras categorias.
Segundo Cardoso, o aumento em volume supera o de valor, devido à expansão de produtos intermediários e econômicos como os panos coloridos importados da China que atualmente representam 35% do mercado.
Os produtos standard, de alta gramatura (a partir de 50g/m²), que não possuem celulose em sua composição, correspondem a 28% do mercado e são fabricados tanto localmente quanto importados de outros países.
Já os produtos premium, compostos de celulose e polipropileno, com alta gramatura, utilizados para limpezas especializadas ou pesadas, representam 37% do volume de produção.
Para o consultor, a principal oportunidade do segmento é a expansão do consumo além dos setores de saúde e indústria, que atualmente concentram quase 60% da demanda.
Guardanapos Interfolhados
Com uma produção total de apenas 4,6 mil toneladas, os guardanapos interfolhados ainda são um nicho pequeno, mas em expansão acima da média do mercado com crescimento médio anual de 2,6% em valor e 4,3% em volume.
“Esse mercado tem sido impulsionado pela entrada de novos fabricantes e distribuidores, especialmente os regionais. No entanto, a popularização, tem provocado queda no preço médio, fazendo com que o crescimento ocorra mais em volume do que em valor”, aponta o consultor.
Entre as oportunidades, Cardoso vê a venda combinada de produto e dispenser, que agrega valor e aumenta o ticket médio e a demonstração técnica da eficiência do produto em relação ao guardanapo tipo seda.
Oportunidades para o mercado de Tissue
O setor de tissue professional no Brasil, que somou 229 mil toneladas em 2024, encontra nas mudanças de hábitos de higiene, na urbanização e na valorização da experiência do consumidor, os motores de crescimento.
Entre os segmentos consumidores, a saúde lidera com 26% do consumo e deve crescer 3,8% ao ano, puxada tanto por investimentos públicos (PAC Saúde) quanto privados (redes hospitalares). A indústria aparece em segundo lugar (19%), com destaque para a alimentícia, que mantém padrões mais elevados de higiene. Já os escritórios respondem por 14% e devem continuar crescendo com a retomada do trabalho presencial.
Além desses, setores como turismo, hotelaria e food service oferecem oportunidades de diferenciação. No caso de hotéis, a percepção de valor agregado ao conforto do hóspede é fator decisivo, enquanto no food service, o desafio é atuar junto a pequenos negócios, que representam 90% do setor no Brasil.



