A indústria de base florestal está mais competitiva, significativamente transformada e tem à sua frente importantes oportunidades de novos negócios, após a crise financeira internacional. Essa é a conclusão da 5th Global CEO Roundtable, evento que acaba de reunir líderes da indústria de celulose, papel e demais produtos florestais em Montreal, no Canadá. No encontro, promovido pelo International Council of Forest and Paper Associations (ICFPA), o Brasil foi representado por Antonio Maciel Neto, CEO da Suzano; Carlos Aguiar, presidente da Fibria; e Elizabeth de Carvalhaes, presidente executiva da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa).
Na avaliação dos participantes, os sinais de recuperação dessa indústria são muito positivos. Os fatores que contribuíram para esse fortalecimento foram a melhoria significativa dos níveis de produtividade, o aumento da globalização dos negócios, a busca de novos mercados e o avanço na performance ambiental. Os debates também mostraram a interdependência crescente da cadeia de suprimentos globais do setor e apontaram altos níveis de intervenção governamental na indústria e na economia, em muitos países. “Reforçamos a importância do livre mercado e da redução da intervenção governamental como essencial para a evolução dos negócios”, diz Elizabeth de Carvalhaes.
Os representantes brasileiros na reunião promoveram um debate sobre a importância da biotecnologia e dos avanços científicos para adaptar a indústria de celulose e papel ao atual contexto global, no qual surgem novos modelos de negócios baseados em diretrizes ambientais. “É importante ampliar o conhecimento sobre organismos geneticamente modificados, abordando potenciais benefícios, eventuais riscos e medidas de biossegurança”, afirma Maciel Neto.
Segundo ele, estudos em andamento mostram que a biotecnologia permitirá o plantio de florestas em áreas degradadas, com solo pobre ou de alta salinidade, entre outras condições. A biotecnologia favorecerá também a redução do consumo de energia, água e produtos químicos, no processo industrial, além de aumentar os índices de produtividade de madeira. “Há também a questão da contribuição das florestas plantadas na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. Aprofundar o conhecimento levará ao uso responsável dessas novas tecnologias”, completa Carlos Aguiar.
“Com políticas governamentais definidas e investimentos e parcerias estratégicas, a indústria de produtos florestais será capaz de integrar essas novas oportunidades às operações tradicionais de produção de celulose, papel e produtos da madeira. Assim, avançará para uma economia baseada em bioprodutos e bioenergia”, conclui Elizabeth de Carvalhaes.
A indústria de produtos florestais contribui anualmente com mais de US$ 470 bilhões do Produto Interno Bruto dos países nos quais está presente e gera 14 milhões de emprego ao redor do mundo.
Fonte: Bracelpa



