No segundo dia da 14ª Semana de Celulose e Papel de Três Lagoas, nessa quarta-feira (26), a programação contou com painéis técnicos pela manhã, uma visita à fábrica da Suzano – que sedia o evento – e outro painel à tarde. O tema “Da floresta ao papel: desafios e caminhos para a competitividade na produção sustentável de celulose e papel” seguiu conduzindo os debates entre profissionais, especialistas e empresas do setor.
Após abordar tecnologias e pessoas em relação à competitividade na cadeia, a programação se aprofundou com o Painel de Celulose II, abrangendo também o Painel Meio Ambiente e fechando o dia com o Painel Recuperação e Utilidades.
Painel Celulose II
Moderado por Luiz Gustavo Rattmann de Trindade, Gerente de Produção na Suzano, o Painel Celulose II trouxe tecnologias e soluções voltadas à eficiência no processo produtivo, mas destacando também uma operação mais sustentável.
“Quando vemos a fabricação de feltros e vestimentas utilizando fontes renováveis, sabemos que são fontes que já foram usadas no processo”, explica Rattmann de Trindade, destacando que essa lógica circular reduz o uso de poliamida e poliéster virgens e cria uma alternativa mais verde para um material historicamente difícil de descartar.
Segundo o moderador, a principal dor operacional discutida no painel foi o desaguamento na região das prensas – da escolha do feltro ideal para cada posição da máquina até a capacidade hidráulica do sistema. “É um ponto de atenção muito grande e que pode reduzir todo o ritmo de uma fábrica”, afirma.
Nesse sentido, o executivo destacou que uma forte tendência entre as soluções apresentadas no painel é a ferramenta de dados Rezolve™, da Andritz, com potencial de colaborar para evitar as quebras de folha, uma das maiores dores do setor de máquinas de secagem.
Painel Meio Ambiente
O painel seguinte foi moderado por Anderson Luiz Inácio da Silva, Especialista de Sustentabilidade da Eldorado, e discutiu como transformar desafios socioambientais em soluções concretas para grandes projetos de celulose.
Para o moderador, o tema do evento – caminhos para a produção sustentável – apareceu na prática nas apresentações do painel, que trataram desde o reaproveitamento de biomassa, antes tratada como resíduo de processo, até a geração de energia e fertilizantes a partir dela. “A parte social também trouxe os desafios de manter todo o processo de migração, sempre evitando o vazio econômico, evitando o impacto negativo na sociedade”, explica Inácio da Silva.
Na visão do especialista, entre os principais desafios socioambientais do setor está a dificuldade de equilibrar grandes transformações no ecossistema com a rotina das comunidades locais. “Você mexe com o cotidiano, com a vida, com a rotina de locais que, algumas vezes, nunca tiveram ali o pensamento de passar por uma mudança tão grande”, diz. Para ele, o desafio está em minimizar e mitigar esses impactos, ao mesmo tempo em que se gera valor a partir desses projetos.
Sobre as oportunidades de transformar a pauta ambiental em vantagem competitiva, Inácio da Silva foi direto: “A área de celulose respira melhoria contínua. As oportunidades são enormes.” Segundo ele, as discussões do painel reforçaram a importância da integração entre pesquisas de diferentes fábricas do setor, para que a competitividade seja construída de forma coletiva. “Que um puder ajudar o outro e conseguir manter essa competitividade melhor”, resume.
Painel de Recuperação e Utilidades
Encerrando a tarde do segundo dia, o Painel Recuperação e Utilidades foi moderado por Diego Carlos Monteiro, Gerente Funcional de Fábrica na Arauco, reunindo discussões técnicas sobre a etapa de recuperação química e geração de utilidades nas fábricas. Entre os temas apresentados estiveram melhorias em caldeiras de recuperação com uso de CFD (dinâmica dos fluidos computacional), detecção de vazamentos em caldeiras a partir de uma dupla abordagem de balanço de massa, confiabilidade em trocadores de calor e um panorama do projeto de evaporação e cristalização da planta Sucuriú, incluindo o conceito de engarrafamento dos gases concentrados.
Para o moderador, o debate deixou claro que o avanço dessas áreas depende da combinação de três fatores: “Pessoas capacitadas, processos bem definidos e tecnologias adequadas.” Segundo ele, houve consenso entre os participantes de que a busca por eficiência operacional precisa caminhar junto com segurança, sustentabilidade e competitividade.
Monteiro destacou ainda a antecipação de problemas a partir de dados como fio condutor comum a todas as palestras, fossem elas sobre integridade de equipamentos, simulação computacional ou monitoramento de vazamentos. “Todas reforçam a importância de atuar de forma preventiva, reduzindo riscos, aumentando a disponibilidade dos ativos e melhorando o desempenho operacional”, afirma. Para ele, essas ferramentas só entregam resultado quando combinadas à experiência operacional e à disciplina na execução dos processos.
“Competitividade e sustentabilidade não são objetivos conflitantes, mas complementares”, adicionou o gerente. Para o executivo, a competitividade se fortalece quando a fábrica reduz paradas não programadas e custos de manutenção, enquanto a sustentabilidade ganha com a redução de desperdício de matérias-primas, água, produtos químicos e combustíveis – resultando, segundo ele, em “menor consumo de recursos e maior geração de valor para o negócio”.
A programação segue nesta quinta-feira (27), encerrando a 14ª Semana de Celulose e Papel de Três Lagoas. Mais atualizações em breve no newspulpaper.com.



