Tissue: Perspectivas E Novas Oportunidades De Negócios

Um setor cujas vendas crescem acima da média do mercado de papel, a indústria de tissue (papéis para fins sanitários) deverá manter o ritmo de expansão acima do PIB e receber novos investimentos em máquinas, inclusive atraindo o interesse de grupos estrangeiros por aquisição de empresas. Esta foi a principal conclusão da palestra realizada pelo gerente de estudos econômicos da Pöyry – multinacional finlandesa líder em serviços de engenharia e consultoria para o setor de celulose e papel, Manoel Neves, durante o tradicional café da manhã promovido pela empresa no dia 9 de outubro, em São Paulo, por ocasião do ABTCP 2013 – 46º Congresso e Exposição Internacional de Celulose e Papel.

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Contando com cerca de 50 fabricantes, o setor de papel tissue no Brasil é um dos mais ativos na implantação de novas máquinas. Segundo Neves, o ritmo de crescimento anual das vendas de 5,9% indica a necessidade de se instalar uma máquina de grande porte a cada ano. “O maior potencial de crescimento deste mercado encontra-se nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste, onde o consumo per capita de papel tissue ainda é muito baixo”, explicou A estimativa é de que as vendas nessas regiões possam crescer entre 7% e 9% ao ano, sendo que mesmo as regiões Sul e Sudeste – líderes em vendas deste setor – ainda tem grande potencial, visto que o consumo per capita é inferior à média internacional.

“As tendências no segmento de papel tissue apontam a continuidade do incremento da demanda, decorrente do aumento da renda per capita, da escolaridade, da urbanização, dos padrões de higiene e limpeza e do consumo de produtos com maior valor agregado”, afirmou o executivo da Pöyry.
Os eventos da Copa do Mundo e das Olimpíadas vão incrementar a demanda por papéis tissue no segmento away-from-home (institucional), enquanto setores específicos como o de papel-toalha para cozinha e usos hospitalares também tem muito espaço para crescer. 

Para atender ao grande crescimento do consumo entre 2008 e 2012, novos aumentos de capacidade foram realizados. Entre 2000 e 2012, a produção cresceu 4,66%, enquanto o consumo aparente aumentou 4,96%.
O consumo de papel higiênico, que era de 458 mil toneladas no ano 2000, aumentou para 739 mil toneladas em 2012, com crescimento médio anual de 4,9%, e o de guardanapos passou de 20 mil para 35 mil toneladas, com um incremento de 5,5%. “A tendência é o consumo dos papéis tissue crescer pouco acima do PIB, no ritmo de 4,5% ao ano até 2020”, acrescentou Neves.

Esse crescimento deve ser feito de forma sustentável, e também a partir de uma integração maior com as fábricas de celulose, principalmente aquelas com mais idade técnica e bem localizadas geograficamente em relação aos principais mercados. Outra tendência, segundo o executivo da Pöyry, é a de haver maior segmentação, o que vai resultar em produtos de maior valor agregado e novos produtos populares. “Isto se reverterá em diversas oportunidades, seja exportação para outros países, ou para negócios de convertedores regionais e marcas próprias”, ponderou Neves.

Sob o aspecto da produção, o executivo da Pöyry prevê que haverá mais espaço para fibras virgem no futuro, devido ao fato de que o custo das aparas tem encarecido e sua qualidade não tem mantido os mesmos padrões exigidos pelo mercado. A maior utilização de fibra virgem, segundo ele, se reverterá em um produto de maior valor e qualidade, em um cenário no qual o desenvolvimento de produtos de maior valor agregado desponta como outro caminho para incrementar o consumo e a produção de tissue no mercado nacional.

Fonte: GPCOM

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