Há dez anos, quando a Klabin colocou em operação o Projeto Puma, em Ortigueira, no Paraná, a companhia iniciava um dos movimentos mais transformadores de sua história. A nova fábrica representava um salto de escala, ampliava a atuação da empresa no mercado internacional de celulose e introduzia uma configuração industrial singular: a capacidade de produzir, em uma mesma unidade, celuloses de fibra curta, fibra longa e fluff.
Com capacidade anual de 1,6 milhão de toneladas de celulose, o empreendimento, posteriormente reconhecido como Unidade Ortigueira, criou uma plataforma produtiva que hoje atende a mercados, aplicações e ciclos de demanda distintos.
A decisão não se limitava à instalação de uma grande fábrica de celulose. A combinação entre eucalipto e pínus já refletia uma característica histórica da Klabin: o domínio de diferentes matérias-primas florestais e a possibilidade de utilizá-las de maneira complementar. Enquanto a celulose de fibra curta atende a aplicações que valorizam formação, maciez e qualidade superficial, a fibra longa contribui para resistência, porosidade e absorção. A celulose fluff, por sua vez, abriu à companhia as portas de um segmento especializado, até então fortemente dependente de material importado no Brasil.
A entrada em operação ocorreu em um momento no qual o mercado global passava por mudanças importantes. Novos projetos de celulose ampliavam a capacidade produtiva mundial, a volatilidade de preços permanecia como elemento estrutural do setor e as cadeias internacionais começavam a ser progressivamente pressionadas por transformações geopolíticas, logísticas e comerciais. Paralelamente, segmentos como embalagens e produtos de higiene ganhavam relevância, enquanto marcas e consumidores atribuíam maior peso à origem das matérias-primas, às emissões de carbono, à rastreabilidade e à circularidade.
Ao longo da década de operação da Unidade Ortigueira da Klabin, essas tendências foram intensificadas. Sustentabilidade e inovação deixaram de ocupar uma posição complementar nas decisões de consumo, nas estratégias das empresas e na regulação, passando a se tornarem fatores centrais de competitividade. A demanda por materiais renováveis, recicláveis e biodegradáveis ganhou força, assim como a busca por alternativas capazes de reduzir a dependência de recursos fósseis sem comprometer desempenho, segurança e viabilidade econômica. Nesse cenário, a configuração de Ortigueira adquiriu um significado mais amplo do que aquele projetado na inauguração e se consolidou como uma plataforma capaz de responder, já no presente, à demanda por escala, flexibilidade, renovabilidade e diversificação.
A evolução mais profunda viria com o Projeto Puma II. Com a implantação da MP27 e da MP28, a Unidade deixou de ser essencialmente uma plataforma de celulose de mercado e passou a integrar também a produção de papéis para embalagens. As duas máquinas acrescentaram 900 mil toneladas anuais à capacidade de papéis da Klabin, ao mesmo tempo que o complexo incorporou novas linhas de fibras, produção de Bleached Chemi-ThermoMechanical Pulp (BCTMP), sistemas de utilidades e estruturas voltadas à energia, ao tratamento de efluentes e ao aproveitamento de resíduos.
A MP27 iniciou sua operação em 2021 com a produção do Eukaliner®, kraftliner desenvolvido 100% com base em fibra de eucalipto. Dois anos depois, o startup da MP28 levou Ortigueira ao mercado global de papel-cartão, acrescentando uma máquina flexível, capaz de produzir kraftliner e diferentes categorias de cartões para alimentos, bebidas, food service, multipacks, embalagens longa vida e outras aplicações de maior valor agregado.
Considerados conjuntamente, os projetos Puma I e Puma II integraram o maior ciclo de expansão da história da Klabin. De acordo com a companhia, os dois empreendimentos representam tanto o maior investimento de sua trajetória quanto o maior investimento privado já realizado no Paraná. Mais do que somar capacidades, eles modificaram a própria natureza da Unidade Ortigueira, que passou a reunir em um mesmo local produção de fibras, fabricação de papéis, energia, circularidade, desenvolvimento tecnológico e conexões logísticas com os mercados doméstico e internacional.
Assim, a primeira década pode ser compreendida por três grandes movimentos. O primeiro foi o da implantação, marcado pelo aprendizado operacional e comercial no mercado de celulose. O segundo, o da expansão e da integração, agregando a produção de papéis na Unidade a partir do Projeto Puma II. O terceiro é o ciclo atual, com os investimentos consolidados e os ativos integrados, a Unidade concentra-se em ampliar continuamente uma geração de valor que já se traduz em ganhos industriais, comerciais, ambientais e logísticos.
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