Celulose: segundo trimestre terá pressão negativa nos preços, aponta Rabobank

Aumento de capacidade e demanda menor devem colocar pressão negativa nos preços da celulose de fibra curta na China no segundo trimestre. O mercado aguarda o início das operações da nova planta da Suzano no Brasil em junho.

O mercado de celulose apresenta um cenário complexo e dinâmico, conforme evidenciado pelos dados do relatório RaboResearch Food and Agribusiness de Março de 2024, publicado pelo Rabobank. Os estoques globais de celulose permaneceram estáveis, com um equilíbrio entre oferta e demanda que tem sido mantido ao longo dos últimos meses. No entanto, um ponto de atenção importante, segundo os analistas da companhia, é a possibilidade de os níveis de estoques de celulose dos compradores na China estarem elevados, o que poderia resultar em compras menores no segundo trimestre de 2024.

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A entrada em operação de novas plantas de celulose na América do Sul, como no Chile e Uruguai, está acelerando a produção no início de 2024, o que pode impactar o mercado global. Essa expansão da capacidade de produção de celulose, aliada ao forte ritmo de exportações do Brasil, sugere um aumento significativo na oferta, o que pode influenciar os preços no mercado internacional.

Por outro lado, os preços da celulose têm apresentado altas moderadas na Europa e nos EUA, enquanto as cotações para a celulose de fibra curta permaneceram estáveis na China nos últimos meses, próximo do nível de USD 650/tonelada na primeira quinzena de março. Essa estabilidade dos preços na China pode indicar uma resistência a novas altas, o que deve ser monitorado de perto pelos agentes do mercado.

Diante desses dados e pontos de atenção, conforme o Rabobank, é crucial que os players do mercado de celulose estejam atentos às tendências de oferta e demanda, aos estoques regionais e globais, bem como aos movimentos de preços, especialmente no mercado chinês. A capacidade de adaptação e a tomada de decisões estratégicas com base nessas informações serão fundamentais para o sucesso no setor de celulose em 2024.

Com informações do Rabobank

Mercado de celulose fibra longa

Já no mercado de fibra longa, conforme análise do professor da ESALQ/USP e colunista da Revista O Papel, apesar de janeiro de 2024 indicar alta expressiva de 8,1% nos estoques de celulose nos portos europeus
(que passaram de 1.183.842 toneladas em dezembro de 2023 para 1.280.301 toneladas em janeiro
do corrente ano), este patamar de estoque ainda é muito pequeno em relação ao histórico recente dessa matéria-prima disponível no velho continente. “Por isso, o preço da tonelada da celulose de fibra longa (NBSKP) na Europa poderá ser de USD 1.388/tonelada em março de 2024 (segundo a Norexeco), implicando aumento de quase 4% frente sua cotação vigente em fevereiro. Este preço de fevereiro, por sua vez, foi 2,7%
superior ao valor do mesmo produto na Europa e em janeiro de 2024 (quando foi de US$ 1.300 por tonelada)”, apontou Bacha.

Com isso, o preço da tonelada de NBSKP na Europa, e vigente em março de 2024, praticamente se iguala ao preço de produto similar vendido nos EUA em janeiro de 2024. Alta relativamente maior ocorrerá em março de 2024 para o preço em dólar norte-americano para a tonelada de celulose de fibra curta (seja a BHKP ou a BEK) vendida na Europa. Em março de 2024, o preço da tonelada deste produto será 6,5% maior do que o valor praticado em fevereiro do corrente ano na Europa para o mesmo produto.

Confira outros indicadores aqui.

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Thais Negri Santi

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