Klabin projeta ciclo de estabilidade, caixa forte e expansão seletiva após ciclo de grandes obras

No Klabin Day, companhia detalha queda estrutural do capex, disciplina de custos, avanço da desalavancagem e novas oportunidades como Fluff e possível máquina reciclada em Piracicaba.

A Klabin realizou nesta terça-feira (9) seu tradicional Klabin Day, encontro anual com investidores, reforçando que a companhia entra agora em uma nova etapa marcada por estabilidade operacional, disciplina financeira e fortalecimento do fluxo de caixa após a conclusão de um dos maiores ciclos de investimentos de sua história. Com mais de R$ 25 bilhões aplicados nos últimos anos, o grupo afirma ter encerrado o período de maior risco de execução e inicia uma fase de colheita, desalavancagem e consolidação do portfólio, sem perder de vista futuros vetores de crescimento.

Cristiano Teixeira, CEO da companhia, destacou já na abertura que grande parte do valor estratégico da empresa ainda não é plenamente reconhecido pelo mercado, especialmente no que diz respeito aos ativos florestais e a competitividade da fibra longa produzida pela companhia. Segundo ele, o potencial de geração de valor decorrente da proximidade das florestas, da elevada produtividade e da capacidade de monetização de terras permanece subavaliado, mesmo após movimentos recentes que reduziram riscos operacionais e logísticos. A aquisição de ativos florestais da Arauco em 2022, por exemplo, foi citada como o segundo maior momento estratégico da Klabin desde a compra da Fazenda Monte Alegre.

Notícia continua após o anúncio

Apesar disso, o foco da apresentação esteve menos na discussão qualitativa dos atributos do portfólio e mais nos números que sustentam a tese de um ciclo financeiro mais robusto. A Klabin anunciou que deve encerrar 2025 com investimentos totais ao redor de R$ 2,9 bilhões, abaixo do guidance inicial de R$ 3,3 bilhões, e reafirmou o mesmo patamar para 2026, valor que se mantém estável graças ao fim dos projetos de expansão de grande porte. Com a ausência de novos empreendimentos estruturais no pipeline, a companhia projeta uma trajetória de capex decrescente a partir de 2027, sustentada principalmente por continuidade operacional e silvicultura.

Ao mesmo tempo, a empresa reforçou que conseguiu segurar sua base de custos mesmo em um ambiente inflacionário. O custo caixa total, que deveria estar próximo de R$ 3.600 por tonelada se acompanhasse o IPCA acumulado desde 2023, permaneceu em torno de R$ 3.200–3.300 por tonelada. Parte desse desempenho deriva de ganhos operacionais, normalização de produção ao longo do ano e maior eficiência industrial, outra parte vem de iniciativas extraordinárias, como vendas de terras.

O impacto dessas vendas no custo caixa foi de cerca de R$ 70 por tonelada em 2025, número que deve se repetir, de maneira semelhante, em 2026. Teixeira enfatizou que esse efeito é marginal e não altera a estrutura de competitividade da Klabin, embora gere retorno expressivo sobre investimentos florestais anteriores, já que a empresa historicamente compra terra em patamares competitivos e revende a preços 20% a 30% superiores.

Na visão de Gabriela Woge, CFO da Klabin, a combinação entre estabilidade de custos, normalização industrial e aumento de volumes será determinante para a melhora de resultados operacionais no próximo ano. “Com a parada de manutenção da unidade de Monte Alegre prevista para o primeiro trimestre de 2026 e o ramp-up contínuo das máquinas 27 e 28, a Klabin estima um aumento de cerca de 80 mil toneladas na produção ao longo do ano, contribuindo para maior diluição de custos fixos”, indicou.

Esse ajuste operacional ocorre ao mesmo tempo em que a empresa reforça seu compromisso com a desalavancagem. A Klabin enfatizou que sua projeção de queda da alavancagem para o período 2025–2027 não considera nenhuma recuperação dos preços da celulose ou do kraftliner, atualmente próximos dos níveis mais baixos da série histórica se ajustados pela inflação americana. Qualquer aumento de US$ 100 a US$ 200 por tonelada nesses mercados, portanto, aceleraria substancialmente a geração de caixa e a redução da dívida.

DIVIDENDOS BILIONÁRIOS

No campo da política de remuneração ao acionista, a empresa anunciou dividendos intercalares de R$ 1,1 bilhão, a serem pagos trimestralmente ao longo de 2026, além de uma bonificação de 1% em ações. O pagamento, segundo a companhia, está plenamente alinhado com a política financeira vigente e não afeta a estratégia de desalavancagem, tampouco os planos futuros de investimento. Teixeira foi direto ao afirmar que, embora a empresa possa eventualmente optar por operar no limite inferior da banda de política de dividendos em determinados momentos, o objetivo central segue sendo manter a previsibilidade e o pagamento estável ao acionista.

Uma das sessões mais aguardadas do encontro foi a discussão sobre a máquina 28. Desde sua entrada em operação, o ativo passou por ramp-up eficiente, mas enfrenta um contexto global desafiador no mercado de cartões, pressionado pela forte onda de sobrecapacidade instalada na China. A importação brasileira de cartão saltou de cerca de 30 mil toneladas anuais para aproximadamente 140 mil toneladas, metade delas oriunda do país asiático. Para preservar margens, a Klabin tem direcionado maior parte da produção da máquina 28 para kraftliner, beneficiada pela abertura de mercado decorrente de fechamentos de capacidade nos Estados Unidos. Nos últimos cinco meses, as exportações da companhia para a China multiplicaram-se por dez, segundo o diretor Comercial, José Soares.

Ainda assim, a empresa aposta que a máquina 28 alcançará maior equilíbrio entre cartões e containerboard ao longo de 2026. A meta é que 50% de sua produção seja composta por cartões, agora reforçados pela qualificação para embalagens líquidas e pela adaptação para cartões brancos, incluindo cosméticos, farmacêuticos e editorial. Os demais 50% devem continuar atendendo à crescente demanda internacional por kraft, especialmente em mercados emergentes. Em paralelo, novos produtos como o iTopLiner ampliam o posicionamento da Klabin em papéis com maior valor agregado.

Outro ponto que ganhou destaque no Klabin Day e no Q&A foi a perspectiva para novos investimentos, incluindo a possibilidade de uma nova fábrica de papel reciclado em Piracicaba, com capacidade de cerca de 450 mil toneladas anuais. A empresa confirmou que estuda o projeto, cuja implementação depende da evolução dos preços internacionais e da necessidade de manter os atuais níveis de exportação de kraftliner. A terraplenagem do site do Figueira, onde a máquina poderia ser instalada, já está pronta, o que reduz os prazos de execução caso a decisão de investimento seja tomada.

Cristiano também comentou sobre o projeto de Fluff, que continua no radar estratégico da Klabin. Na visão do executivo, o Fluff de fibra longa é um dos nichos de celulose com maior potencial de retorno no longo prazo, devido à dificuldade de aprovação e à baixa disponibilidade global desse tipo de fibra. Ele reforçou que o produto representa um mercado de aproximadamente 6 milhões de toneladas por ano, quase 10% do mercado global de celulose, e que a companhia enxerga oportunidade de capturar margens significativamente superiores às tradicionais nesse segmento.

A discussão sobre o futuro da empresa se estendeu ao tema de fusões e aquisições. Embora a Klabin não tenha qualquer operação em andamento, Teixeira defendeu que movimentos mais robustos de consolidação podem ocorrer globalmente, especialmente se combinarem empresas do Hemisfério Norte, com forte presença em mercados consumidores, a fabricantes altamente competitivos em custo no Hemisfério Sul. A Klabin, afirmou, está em posição privilegiada para capturar valor em um cenário desse tipo, dado seu histórico de integração, disciplina de capital e capacidade de execução de grandes projetos.

Já o negócio de papelão ondulado, que teve performance destacada ao longo de 2024 e 2025, foi novamente reforçado como exemplo de resiliência e competitividade. Com presença em todas as regiões do país, forte base de fibra virgem e nível de serviço superior, a empresa conseguiu crescer acima do mercado, conquistar novos contratos relevantes e capturar ganhos de preço e volume. A expectativa para 2026 segue positiva, acompanhando a projeção de crescimento do PIB e a expansão dos setores de frutas, proteínas e bens essenciais.

Ao encerrar o evento, Teixeira resumiu a tese da Klabin para os próximos anos: uma companhia com ativos florestais únicos, portfólio flexível, capacidade de inovação, governança financeira madura e visão clara de longo prazo. Com o ciclo de investimentos encerrado, a prioridade é colher resultados, reduzir alavancagem, manter disciplina no capital e preparar a empresa para um novo momento de crescimento quando as condições se alinharem. “A Klabin não deixou de ser uma empresa de expansão”, afirmou. “Mas estamos em um período de colheita e esse período será muito forte.”

avatar do autor
Fernanda Capo
Advogada formada na Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Jornalismo Digital pela Fundação Casper Líbero.

Últimas Notícias

Irani anuncia duas novas plantas de embalagens

Com Plataforma Neos, companhia mira dobrar market share em papelão ondulado, de 4% para 8%, apoiada em proteínas, e-commerce e embalagens sustentáveis

Suprema Corte dos EUA derruba tarifas recíprocas de Trump e impõe limites ao uso de poderes emergenciais na política comercial

Decisão retira sobretaxas aplicadas ao Brasil sob a IEEPA, mas mantém tarifas baseadas em outros instrumentos legais.

Acordo UE–Mercosul abre nova janela comercial para celulose, papel e madeira

Com o acordo, o setor ganha previsibilidade tarifária e ambiente institucional mais estruturado para acessar o mercado europeu, em meio à reconfiguração do comércio internacional.

Branded Contents

Swan do Brasil destaca inovação e confiabilidade em instrumentação analítica para o setor de celulose e papel

A instrumentação analítica Swan contribui diretamente para a otimização de processos

Fiedler Automação Industrial apoia projeto na Klabin e contribui para redução de 52% na perda de vapor em Telêmaco Borba (PR) 

Iniciativa na Unidade Monte Alegre da Klabin envolveu inspeções na rede de vapor e aplicação de soluções integradas para ganho de eficiência

Compartilhar

Newsletter

Mantenha-se Atualizado!

Assine nossa newsletter gratuita e receba com exclusividade notícias e novidades