Ibema E Os Desafios Do Mercado De Embalagens

Ibema e os desafios do mercado de embalagens

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Executivos da empresa falam sobre os seus resultados e perspectivas para o segmento em um cenário de curto, médio e longo prazos

Porta-vozes:
Clecio Chiamulera – Diretor de Operações
Jorge Grandi – Diretor Comercial
Regis Carvalho Esteve – Diretor Industrial
Fernando Sandri – Assessor da Presidência
 
O Papel –  Qual é a atual capacidade produtiva da Ibema? Deste total, como está dividido o portfólio da empresa?
Jorge Grandi – Com fábrica instalada no município de Turvo, no Paraná, a Ibema conta com uma sede administrativa localizada em Curitiba e um centro de distribuição direta, em Araucária com área útil de 12 mil m2. A produção anual chega a 90 mil toneladas, sendo que 24 mil são exportadas para países da América Latina e Europa.
O portfólio da Ibema foi expandido no início de 2013. A fim de aumentar a oferta de produtos ao mercado e atender às suas necessidades de aplicação, foram lançados cinco novos produtos. Solida, Blanka, Impona, Pako e Batali vêm reforçar o já consolidado portfólio composto pelo Speciala, Supera e PackPlus, já consolidados nos segmentos cosmético e farmacêutico, de produtos de higiene pessoal, alimentos pré-embalados e blisters. Além de suprir a demanda de seus clientes, a Ibema visa aumentar a competitividade com a entrada em novos segmentos de mercado, como o de produtos de alto valor agregado, com o Solida, e de acoplamentos, com o Batali. O nosso carro-chefe é o papelcartão Supera.
 
O Papel – Ainda considerando o portfólio da empresa, quais são os atuais mercados compradores destes produtos?
Jorge Grandi – Com a diversidade de seu portfólio, a marca Ibema está presente em todos os segmentos de embalagens e gráficos. As maiores participações são nos mercados de alimentos e bebidas (30%), higiene lar (12%), calçados, brinquedos e acoplados (12%), higiene pessoal (11%) e editorial promocional (11%). Em seu portfólio estão os melhores produtos, reconhecidos pela qualidade e por serem os mais brancos do mercado.
 
O Papel – Quais são as atuais características dos segmentos de papel para embalagem no Brasil? Aqui, podemos justificar tais aspectos com base no desempenho da empresa em 2012 (incluindo resultados). A ideia é obter uma análise detalhada do segmento a partir da visão e experiência da empresa.
Clecio Chiamulera – 2012 foi um ano muito difícil para a indústria de papelcartão, já que ela não conseguiu repassar a alta dos custos e os volumes vendidos também não cresceram. O mercado de papéis em geral teve um 2012 aquém do esperado, porém, mesmo assim, a Ibema não alcançou suas metas e produziu 85 mil toneladas de papelcartão durante o ano passado, sendo que sua capacidade é de 90 mil toneladas. O faturamento da Ibema em 2012 chegou a R$ 240 milhões. O ano passado foi de retração, no qual as indústrias tiveram que se reinventar para alcançar metas, atingir objetivos e buscar mais incentivo do governo federal. A Ibema teve um 2012 estratégico. Muitas decisões aconteceram no ano passado que já têm refletido positivamente em um 2013 mais aquecido.
 
O Papel –  Falando especificamente do processo produtivo que resulta no portfólio da Ibema, quais são as exigências necessárias da matéria-prima usada?
Regis Esteves – A Ibema é exemplo de como uma empresa pode ser competitiva sem agredir o meio-ambiente. A indústria conta com uma área de florestas plantadas de mais de 3.900 mil hectares de Pinus localizados entre os municípios de Guarapuava e Pitanga, no Paraná. A floresta abastece uma parte da produção própria de pasta mecânica que é complementada por outra parte da matéria-prima adquirida no mercado. Além disso, a Ibema é certificada pela ISO 9000 e pela FSC (Forest Stewardship Council) e seus produtos utilizam 100% de fibras virgens oriundas de florestas renováveis.
 
O Papel –  A qualidade dessas matérias-primas evoluiu ao longo dos últimos anos? Isso permite a fabricação de produtos com maior valor agregado?
Regis Esteves – A empresa investe continuamente no desenvolvimento de melhorias de mudas, técnicas de plantio e manejo florestal, o que reflete diretamente na alta qualidade de nossos produtos. As florestas estão sob constante monitoramento realizado por uma equipe altamente especializada, a fim de desenvolvê-las de forma homogênea e mantê-las longe do ataque de pragas. Para isso, a Ibema desenvolveu em parceria com a Embrapa, um produto biológico de combate à pragas, denominado Nematoide, esterilizando-a o que evita a sua proliferação. Além disso, a organização respeita o ciclo sustentável que inicia no manejo consciente da floresta, passa pela produção certificada, pelas gráficas, pelo consumidor que recicla e retorna à floresta.
 
O Papel –  Quais são as expectativas para o ano de 2013 sobre o segmento de atuação da Ibema?
Clecio Chiamulera – A Ibema continua com o foco na sua produção máxima, de 90 mil toneladas, e prevê faturar próximo de R$ 300 milhões em 2013. A empresa trabalha, ainda, para alcançar a meta de chegar ao 2º lugar na comercialização de papelcartão no país em 2014.
 
 
O Papel – Quais são os desafios envolvidos neste cenário de curto, médio e longo prazos?
Clecio Chiamulera – Em janeiro de 2013, protocolamos nosso pedido de listagem dos no Bovespa Mais – segmento de listagem do mercado de balcão administrado pela Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&FBOVESPA). A intenção é atrair investidores e captar recursos, além de adotar padrões de governança corporativa e buscar liquidez nas ações. O Bovespa Mais atrai, em geral, empresas de pequeno e médio porte com expectativa de crescimento e que buscam investimentos a médio e longo prazo, como é o caso da fabricante de papelcartão.    
Agora é o momento de atrair os olhares de fora e mostrar o valor da empresa. A Ibema assume compromissos de governança corporativa e transparência com o mercado. A listagem no Bovespa Mais faz parte da estratégia de crescimento da Ibema, que tem como meta ser a 2ª maior comercializadora de papelcartão do Brasil até 2014. Ferramentas oferecidas pela própria BM&FBOVESPA permitem que a Ibema se relacione com os possíveis investidores por meio de relatórios, publicações e apresentações.
 
O Papel –  A Política Nacional de Resíduos Sólidos pode ser incluída nestes próximos desafios? Como a Ibema vem se mobilizando para atendê-la (citar exemplos de ações que já foram tomadas ou vem sendo planejadas)?
Fernando Sandri – A Política Nacional de Resíduos Sólidos já é uma realidade em que a Ibema tem se posicionado para dar as soluções adequadas. Estamos trabalhando em conjunto com a BRACELPA em um grupo de trabalho que desenvolve as ações necessárias que contemplam o atendimento do compromisso proposto junto ao Ministério do Meio Ambiente através da apresentação do Acordo Setorial, fruto da coalizão de 23 associações de fabricantes de embalagens, Usuários e Varejistas. A proposta prevê definições para fechar o ciclo produtivo das embalagens e das embalagens não perigosas. Coordenada pelo CEMPRE – Compromisso Empresarial para Reciclagem, a proposta foi enviada no final do ano passado e está em análise pelo MMA.
Especificamente no estado do Paraná, a Ibema assumiu o compromisso conjunto com o SINPACEL para a participação no projeto de expansão de novas Centrais de Valorização de Material Reciclado – CVMR, como a instalada no município de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Esta é uma iniciativa do Instituto do Lixo e Cidadania, Ministério Público do Paraná e da Secretaria do Meio Ambiente e que conta com o apoio do SINDIBEBIDAS. A previsão é de instalar novas centrais também nas cidades de Londrina, Maringá, Ponta Grossa, Cascavel e Foz do Iguaçú. Além disso, a empresa criou, em conjunto com o Instituto de Embalagens, uma cartilha distribuída aos estudantes do ensino fundamental do município de Turvo, onde está instalada a sua fábrica. Em complemento a essas ações, a Ibema reforçou no, desenvolvimento dos novos produtos, a utilização de materiais reciclados, para estimular novas aplicações.
Como o acordo prevê a redução de 22% o volume de embalagens que vai para o aterro sanitário, existem também ações de nível nacional. Uma delas é a instalação dos Pontos de Entrega Voluntária – PEV em supermercados e hipermercados, a fim de incentivar e facilitar a reciclagem das embalagens.
 
O Papel –  Quais estratégias a empresa adota e pretende continuar investindo para se posicionar de forma competitiva neste mercado?
Clecio Chiamulera – Além do lançamento de novos produtos, da entrada no Bovespa Mais e na ativa participação no desenvolvimento das Políticas de Resíduos Sólidos, a Ibema realiza fortes investimentos em logística e na instalação de um software inglês (Greycon) que permite otimizar o processo de planejamento de controle do corte do papel. Tudo isso tem o objetivo de identificar uma das principais indústrias de papelcartão do Brasil como uma empresa competitiva e com uma postura agressiva de conquista de novos mercados, tanto no Brasil como no exterior. Para isso, em meados de outubro de 2012 foi inaugurado o Centro de Distribuição Direta (CDD) de Araucária, na região Metropolitana de Curitiba próximo à saída da BR 116. O espaço de mais de 12 mil m2 de área total tem capacidade de armazenamento de seis mil toneladas entre bobinas e pallets e garante uma maior aproximação com os clientes, além de possuir um modelo logístico que proporciona melhor atendimento, mais qualidade e eficiência. Anteriormente, a distribuição da Ibema era pulverizada entre dois depósitos em Curitiba e outros galpões localizados em Londrina e Maringá. Com o CDD de Araucária, toda a capacidade de distribuição passou a estar concentrada em apenas um lugar estratégico, o que garante maior agilidade na distribuição para todo o Brasil.
O CDD da Europa, locado em Portugal, tem a finalidade de diminuir o tempo de entrega dos produtos exportados aos países da Europa. A expectativa é que o novo centro abrigue cerca de 4.000 toneladas/ano. Hoje, uma carga demora 90 dias para chegar ao cliente europeu, com o novo CDD o prazo diminui para 20 dias.
Já o software Greycon permite visualizar graficamente todo o processo produtivo da fábrica, desde a entrada do pedido até o planejamento controlado das perdas de matéria-prima. Essa é a maneira de maximizar o trabalho feito pela equipe comercial e pela gerência de produção da fábrica de Turvo.  Todos esses investimentos foram coroados com a nova logomarca da Ibema, resultado do processo evolutivo da empresa. Este novo posicionamento permitirá que a Ibema conquiste novos mercado e seja mais competitiva.

Confira mais sobre o mercado de embalagens na reportagem especial publicada na edição de maio/2013 da Revista O Papel. Clique aqui.

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Caroline Martin
Jornalista com 17 anos de experiência, sendo 6 deles em redação e 11 como freelancer. Formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo, teve o seu desenvolvimento profissional focado em redação e edição de conteúdos para editorias variadas de veículos impressos e online. O contato com a indústria de celulose e papel teve início em 2010, quando começou a atuar como repórter da revista O Papel, publicação mensal da Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel (ABTCP), que hoje circula nas versões impressa e digital. Desde então, produz reportagens técnicas relacionadas à cadeia produtiva do setor, incluindo análises de mercado, inovações tecnológicas e perfis profissionais. Em 2015, foi vencedora do Prêmio Especialistas — Categoria Papel e Celulose, promovido pela revista Negócios da Comunicação.

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