Um dos primeiros eventos de abertura do ABTCP-PI 2009 foi a coletiva de imprensa, que teve como meta apresentar os principais destaques do setor no ano, tanto em termos econômicos quanto no desenvolvimento de práticas ambientais que podem colocar os fabricantes de celulose e papel brasileiros em destaque no mundo. Alberto Mori, presidente da ABTCP (Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel), abriu a coletiva e destacou a importância do evento não só regionalmente, mas como um fórum mundial de novas tecnologias que afetam o setor e são responsáveis pelo seu desenvolvimento.
Do lado do mercado, Francisco Saliba, diretor da Bracelpa (Associação Brasileira de Celulose e Papel), trouxe os números mais recentes do balanço do setor e destacou que apesar da recuperação nas vendas em volume, o caixa ainda está afetado, principalmente pela queda do preço da tonelada de celulose e o câmbio desfavorável para os exportadores. “No fechamento do mês de setembro os números apontam que este é o quarto mês de alta consecutiva nas vendas de celulose, que subiu 4,3% em relação ao ano passado”, aponta. Por conta disso, o executivo diz que a entidade projeta um fechamento de 2009 com 8 milhões de toneladas de celulose vendidas. A receita, no entanto, ainda está 18,8% abaixo dos níveis de 2008. Em papel, a recuperação nas vendas ainda é lenta, com uma alta de 2,6% na produção de setembro em relação ao mês anterior, mas ainda muito abaixo do que foi 2008. No acumulado do ano, a queda é de 1,3%.
Afonso Moura, gerente técnico da ABTCP, destacou no encontro com jornalistas o papel do setor nas políticas de estabilização do clima, citando a parceria com diversas entidades para trabalhar na inserção das florestas plantadas como geradoras de créditos de carbono. Ele acredita, porém, que será difícil novas conquistas nesta área, ainda mais diante da dificuldade de mercados tradicionais em serem competitivos. “Eles não desejam que além da competitividade natural que temos, ainda ganhemos vantagens com a geração de créditos”, aponta. Ele ressalta, no entanto, que países desenvolvidos como Estados Unidos e Canadá lançaram mão de subsídios no ano da crise, o que impede uma competição mais transparente dentro do setor.
Na parte da tarde, analistas do setor e executivos fizeram uma análise ainda mais profunda dos desafios da industria no pós-crise, tanto no Brasil como no resto do mundo, durante o Panorama Setorial. A reportagem completa sobre esse tema você poderá conferir na revista O Papel de novembro, especial de cobertura do ABTCP-PI 2009.



