Copa do Mundo: base das figurinhas vira embalagens e doações

Reciclagem da base em papel dos adesivos do álbum de figurinhas da Copa voltarão à cadeia produtiva por meio da parceria entre Natura, MD Papéis e Polpel

Por Bianca Machado

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A Copa do Mundo da FIFA 2026™ tem movimentado não apenas os mercados dos países-sede  (Canadá, México e Estados Unidos), como também a economia do Brasil. No setor de papel e celulose, um dos principais impactos da competição é o consumo do álbum de figurinhas oficial e, consequentemente, o descarte do liner – papel siliconado que serve de base para o adesivo. 

O liner é um material que demanda um tratamento especial na economia circular, já que o silicone presente nele impossibilita o processo tradicional de reciclagem. Com uma tecnologia química exclusiva sob segredo industrial, a Polpel oferece ao mercado a solução para este desafio, transformando o material descartado das figurinhas em celulose novamente.

Sob uma liderança com expertise de mais de 30 anos na área de aparas, a empresa foi fundada há 13 anos, mudando o tratamento que este produto recebe na cadeia. Atualmente, a Polpel recicla cerca de 300 toneladas de liners ao mês, mas ainda possui grande potencial de crescimento – esse volume representa apenas 10% do total produzido mensalmente no país.

Linha de produção da Panini Foto André Rigue

Segundo Ailton Alves, diretor-executivo da Polpel, o projeto de reciclar os liners do álbum de figurinhas da Copa do Mundo surgiu por uma provocação de um parceiro da empresa, Sérgio Talocchi, gerente de sustentabilidade da Natura. “Ele começou vendo os filhos fazendo a colagem no álbum e, como parceiro da Polpel, conhecia esse material. Assim, uma campanha abrangendo seus vizinhos, conhecidos e amigos gerou 230 kg de liners, o equivalente a mais de 1 milhão de figurinhas”, relata Ailton.

A partir disso, a iniciativa vem ganhando maiores proporções. Conforme o diretor, já estão catalogadas mais de 100 escolas, além de shoppings, empresas, faculdades, prefeituras e outras instituições que coletam o material para direcionar à Polpel. “De modo conservador, estimamos alcançar 2 toneladas de liners coletados com esse projeto”, comenta o diretor-executivo. Proporcionalmente, seriam mais de 8 milhões de figurinhas recicladas. 

DA FIGURINHA AO GRAACC

“Além de sustentável, esta é uma campanha solidária”, afirma Ailton. O projeto abrange a doação de toda a renda ao Hospital GRAAC, especialista no cuidado de crianças e adolescentes com câncer. “A Polpel vai transformar esse liner em celulose e o valor de face da nota será revertido na doação ao GRAAC”, explica.

Para completar esse ciclo, o maior desafio da empresa é o processo logístico para receber a matéria-prima. “A Polpel coleta o liner nas empresas, mas neste projeto o material chegou ao consumidor final, por isso é preciso se mobilizar para a coleta”, observa o diretor. Nesse sentido, a parceria com a Natura tem colaborado ao oferecer que todas as lojas do país recebam o material, ajudando no processo de logística reversa.

Ao chegar na empresa, o liner descartado passa por uma separação para garantir que não tenha outros materiais agregados que não podem ser reciclados. Na sequência, seguem para o processo produtivo, passando pela tecnologia química exclusiva que separa o papel e o silicone, sendo transformados na manta de celulose que vai ser utilizada para produzir papel. Nesse cenário, a empresa parceira que vai fechar o ciclo é a MD Papéis, fabricante de papel cartão.

A indústria de embalagens de papel é o melhor destino para esse material, considerando que o liner comum é 100% branco, facilitando sua reciclagem para papéis totalmente branqueados, enquanto o liner das figurinhas possui impressão, gerando uma coloração que restringe o uso em outros segmentos. 

O FECHAMENTO DO CICLO

A ideia inicial e o produto final deste projeto se encontram em um ponto em comum – a indústria de cosméticos Natura. A celulose produzida pela Polpel e direcionada à MD Papéis será usada na produção do Natura Card, papel cartão que embala os produtos da companhia.

Processo de reciclagem e produção de celulose na Polpel Foto O Globo

“A fibra da Polpel pode ser utilizada em qualquer linha de produto da MD Papéis, no entanto, como já utilizamos a mesma fibra oriunda do liner utilizado por uma grande indústria de cosméticos, direcionamos para produção de um papel cartão que embala produtos desta indústria”, explica Aldinir Nascimento, diretor de Operações da MD Papéis. Segundo ele, a fibra obtida através do processo de reciclagem é muito nobre e apresenta características semelhantes à de uma fibra de celulose virgem, proporcionando excelente desempenho produtivo. 

Além disso, a fabricante de papel cartão possui um controle das fibras, por meio de código de barras, que permite identificar qual bobina foi produzida a partir delas e, desta forma, faz o rastreio de qual produto chega ao mercado a partir daquela fibra reciclada. Essa catalogação também é feita dentro da Polpel, possibilitando que seus clientes possuam o rastreamento da cadeia sustentável.

Dessa forma, o projeto permite que o descarte dos materiais sazonais desta Copa do Mundo sejam tratados de modo sustentável, retornando à cadeia produtiva de papel e celulose e reforçando as vantagens de uma economia circular.

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