Eldorado registra lucro líquido de R$ 751 milhões no 2T25, mas dívida líquida dispara após aquisição da parte da Paper Excellence pela JBS

O lucro líquido atingiu R$ 751 milhões, alta de 64% em relação ao 1T25,

A Eldorado Brasil divulgou na última quinta-feira (14) os resultados do 2T25, marcados por um forte avanço no lucro líquido e na geração financeira, apesar de um salto expressivo no endividamento após a JBS assumir o controle total da companhia, com a compra da participação da Paper Excellence.

O lucro líquido atingiu R$ 751 milhões, alta de 64% em relação ao 1T25, com margem líquida de 52%, o que foi impulsionado pelo ganho cambial e pelo resultado financeiro positivo de R$ 450 milhões, associado a operações de hedge e variação cambial favorável, compensando a retração operacional.

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A receita líquida somou R$ 1,455 bilhão, recuo de 10% ante o 1T25 e de 12% frente ao 2T24, refletindo menor volume vendido (430 mil toneladas, -5% trimestral) e efeito cambial. Já a produção totalizou 464 mil toneladas, em linha com a capacidade nominal da fábrica e estável em relação ao ano anterior.

O EBITDA ajustado encerrou o período em R$ 811 milhões, queda de 11% no comparativo trimestral e 12% anual, mas com margem preservada em 56%. O resultado considerou o ajuste não recorrente de R$ 264 milhões referentes a despesas jurídicas de litígios societários.

No campo operacional, o custo caixa por tonelada foi de R$ 796 (US$ 140), avanço de 4% frente ao 1T25, mas ainda 14% abaixo do registrado no 2T24, beneficiado pelo maior uso de madeira própria e pela maior contribuição da energia excedente da fábrica.

O maior ponto de atenção ficou para o endividamento. A dívida líquida saltou de R$ 534 milhões no 1T25 para R$ 14,9 bilhões em junho. Com isso, a alavancagem financeira disparou para 4,68 vezes o EBITDA ajustado, após captações destinadas à aquisição da fatia da Paper Excellence pela JBS.

O prazo médio da dívida, por outro lado, foi ampliado de 16 para 23 meses. A companhia reiterou o compromisso de readequar a alavancagem para a faixa de 2,5x a 3,5x EBITDA.

Apesar disso, a Eldorado aplicou R$ 265 milhões, 17% acima do 1T25, voltados à expansão florestal, manutenção da fábrica e inovação industrial e a geração de caixa operacional foi de R$ 648 milhões, apoiada pelo menor capex e ganhos em capital de giro.

Medidas da Eldorado para conter a dívida

Após o trimestre, a Eldorado adotou algumas medidas estratégicas para reduzir e alongar sua dívida. Em julho de 2025, liquidou integralmente a 1ª emissão de Notas Comerciais Públicas, no montante de R$ 13 bilhões, reduzindo o saldo de empréstimos e financiamentos de curto prazo e diminuindo o custo médio da dívida em dólar de 6,7% para 6,2% ao ano.

A companhia também celebrou operações de venda e permuta de madeira: em julho/agosto, vendeu 12 milhões de metros cúbicos de madeira em pé à Arauco, com colheita prevista entre 2027 e 2029, e realizou uma permuta com a Suzano envolvendo 18 milhões de metros cúbicos de madeira, recebendo madeira imatura e pagamento de R$ 1,317 bilhão, com reforço imediato de caixa.

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Fernanda Capo
Advogada formada na Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Jornalismo Digital pela Fundação Casper Líbero.

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