Gente que move a gente

Por Paulo Hartung, Presidente da IBÁ

Em um mundo transformado e de futuro incerto, buscamos terra firme para nos ancorar. Para o setor de árvores cultivadas para fins industriais e de restauração de nativas, essa ancoragem está nas pessoas. São profissionais que, com experiência, entusiasmo e capacidade de adaptação, permitem que nossa indústria siga navegando em mares tão revoltos.

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A valorização das pessoas sempre fez parte da história dessa indústria, que desde décadas atrás entendeu a importância dos investimentos em capital humano. Foram gestores, técnicos e colaboradores capacitados, com formação no exterior e treinados por nossas empresas, que levaram o setor a dar grandes saltos de produtividade no passado, tornando-se hoje uma liderança global.

Em um momento de baixa disponibilidade de mão de obra e de expansão dos investimentos, esse compromisso se torna ainda mais estratégico: formar profissionais, abrir portas e criar oportunidades para que mais pessoas possam participar desse ciclo de crescimento está no centro das decisões. É assim que o setor vem mudando trajetórias, do campo à indústria.

Temos hoje uma notável carteira de investimentos de R$ 75 bilhões prevista até 2029 – aportes que devem gerar novos postos de trabalho em diferentes regiões do País. No Mato Grosso do Sul, por exemplo – onde foi erguida a maior fábrica de celulose em linha única do mundo, da Suzano, em Ribas do Rio Pardo-MS, e um empreendimento da Arauco de ainda maior dimensão que está em construção em Inocência –, um levantamento realizado pela ESG Tech, a pedido da IBÁ, estima que aproximadamente 24 mil empregos diretos e 69 mil indiretos sejam criados até 2032.

É uma equação que exige respostas urgentes.

Formar essa mão de obra não significa apenas preencher vagas. Significa criar oportunidades para que pessoas possam construir novas trajetórias profissionais ao mesmo tempo em que garantem boa educação, saúde e bem-estar para suas famílias. É por isso que empresas do setor têm investido em programas de formação técnica, capacitação, desenvolvimento de lideranças, inclusão e melhoria das condições de trabalho. Em muitos casos, a formação começa antes mesmo de a operação existir.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, a CMPC, em parceria com o Senai-RS, oferece gratuitamente o curso Técnico em Celulose e Papel. Mais de 800 pessoas já foram formadas e mais da metade delas atuou ou atua na companhia. Na edição mais recente, pela primeira vez, o curso foi realizado em Barra do Ribeiro, município que receberá uma nova fábrica da companhia, com uma turma formada integralmente por moradores das comunidades locais.

A Eldorado Brasil criou um Centro de Treinamento Itinerante Florestal, instalado em contêineres climatizados que podem ser deslocados para diferentes áreas de operação. Com simuladores, laboratórios e bancadas de testes, o espaço oferece mais de 50 cursos e, em seu primeiro ano, acumulou mais de 70 mil horas de treinamento para mais de 3 mil colaboradores.

Na Melhoramentos, um programa de mentoria conecta profissionais de diferentes áreas e níveis hierárquicos a lideranças da empresa. Já são quatro turmas e 78 mentorados, com participação feminina superior à metade. Cerca de um terço dos participantes evoluiu em suas carreiras, com promoções associadas aos planos de desenvolvimento construídos durante o programa.

O programa de capacitação de operadores de máquinas florestais da Suzano já formou 433 profissionais em nove turmas. Desde 2024, 202 homens e 69 mulheres foram contratados como operadores ou mecânicos de equipamentos como harvesters e forwarders.

Na Papirus, um grupo de corrida reúne profissionais da fábrica de Limeira-SP e transforma a prática esportiva em espaço de convivência, saúde e integração. Na Sylvamo, o projeto Semeando Saberes oferece reforço escolar e preparação para o ENCCEJA a profissionais e terceiros, combinando disciplinas tradicionais com letramento digital, inglês e habilidades socioemocionais.

A Bracell estruturou um programa com ações contínuas para construir um ambiente corporativo plural, acolhedor e equitativo. A iniciativa inclui trilhas de desenvolvimento, Semana da Diversidade, mentoria para jovens negros, vagas afirmativas, censo de diversidade e grupos de afinidade.

O Centro de Qualificação Profissional da Klabin promove a capacitação técnica de profissionais operacionais e amplia a oferta de formação profissional em Telêmaco Borba-PR. Inaugurado em 2024, o espaço tem capacidade para 250 pessoas, infraestrutura moderna, trilhas práticas e teóricas e instrutores internos, além de atuar como porta de entrada para jovens aprendizes, trainees técnicos e colaboradores da operação.

São experiências diferentes, mas que apontam para a mesma direção: não existe desenvolvimento sustentável de uma indústria sem desenvolvimento das pessoas que fazem parte dela.

É nesse contexto que a IBÁ lançou também em setembro a websérie “Gente que Move a Gente”, produzida com o apoio de 17 empresas associadas. A série coloca no centro da narrativa justamente quem costuma aparecer pouco quando falamos sobre grandes investimentos. Pesquisadores, operadores, motoristas, viveiristas e tantos outros profissionais que, todos os dias, transformam tecnologia, conhecimento e recursos em produtos que chegam à vida de bilhões de pessoas. Com um episódio novo por semana, a websérie pode ser assistida em nossas redes sociais.

O setor brasileiro de árvores cultivadas já é uma referência mundial em bioeconomia de larga escala. São mais de 10,5 milhões de hectares cultivados e uma produção anual que alcançou 30 milhões de toneladas de celulose. Faça chuva, faça sol, nosso setor planta 2,2 milhões de árvores por dia, que dão origem a bioprodutos consumidos por mais de 4 bilhões de planetários. É uma indústria que responde a demandas contemporâneas por materiais renováveis, recicláveis e de menor impacto ambiental.

A escassez de mão de obra pode ser encarada apenas como um obstáculo ou pode ser compreendida como um convite para aproximar empresas, governos, instituições de ensino e comunidades de uma agenda comum: a garantia de um futuro próspero para as pessoas. Nosso setor escolheu o segundo caminho.

LEIA O PDF COMPLETO DA COLUNA IBÁ DE SETEMBRO/26 – O PAPEL

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