A Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) protocolou, em 18 de agosto, manifestação oficial ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), no âmbito da investigação aberta contra o Brasil pela Seção 301. O documento foi elaborado em conjunto com empresas associadas que integram o GT Brasil-EUA e contou com apoio de consultorias jurídicas no Brasil e em Washington.
Na manifestação, a entidade destacou que o setor de árvores plantadas atua em conformidade com um dos marcos regulatórios ambientais mais robustos do mundo, em alinhamento ao Código Florestal, e reforçou que não é vetor de desmatamento ilegal. A Ibá ressaltou ainda a utilização de áreas previamente degradadas, a prática de replantio contínuo e a adoção de padrões internacionais de rastreabilidade e certificações, como FSC e PEFC.
O texto enviado ao USTR também chamou atenção para a relevância das exportações brasileiras de celulose, papel, embalagens, sacaria e painéis de madeira para cadeias produtivas estratégicas nos Estados Unidos, incluindo higiene pessoal, embalagens, construção e mobiliário. Segundo a entidade, esses fluxos comerciais geram empregos e receita para a economia norte-americana.
A Ibá defendeu o reconhecimento da indústria florestal brasileira como parte da solução global frente aos desafios climáticos e do comércio internacional, reforçando sua contribuição para a sustentabilidade das cadeias produtivas.
A entidade participará da audiência pública sobre o tema, marcada para 3 de setembro, em Washington, D.C.
CNI apresenta argumentos em defesa do Brasil em investigação aberta pelos EUA sobre comércio entre os dois países
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também formalizou, nesta segunda-feira (18), uma manifestação em defesa do Brasil no processo aberto pelo governo dos Estados Unidos nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana. O documento com comentários formais é assinado pelo presidente da CNI, Ricardo Alban. No que consiste à acusação sobre desmatamento, a CNI pontuou:
Desmatamento ilegal
Alegação do USTR: Falhas na aplicação das leis ambientais criam vantagem competitiva injusta.
Argumentação da CNI: O Brasil tem um marco legal ambiental avançado (Código Florestal e Cadastro Ambiental Rural – CAR); os dados do INPE mostram forte redução do desmatamento em 2025; as exportações de café e suco não estão relacionadas a áreas de risco; o controle de origem da madeira garante conformidade com o Lacey Act.
O que é a investigação da seção 301 contra o Brasil?
- Processo aberto pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana, de 1974, que permite investigar se políticas ou práticas de outros países são injustas, discriminatórias ou restritivas ao comércio norte-americano.
- No caso do Brasil, a investigação foi aberta em 15 de julho de 2025 e abrange os seguintes temas: comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais (como desmatamento ilegal).
Qual é o objetivo da investigação?
- Verificar se práticas do Brasil prejudicam empresas e interesses comerciais dos EUA.
- Possibilitar ao governo norte-americano adotar medidas corretivas caso se confirme a existência de práticas consideradas desleais.
- As medidas podem incluir desde negociações bilaterais até a aplicação de tarifas adicionais e outras sanções comerciais.
Nota produzida com informações da Ibá e CNI
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