Indicadores Da Indústria De Celulose E Papel

Aproveitando que o País já passou pelos impactos mais
severos da crise sanitária mundial, trago neste mês
uma atualização de alguns indicadores de desempenho
da Indústria Brasileira de Celulose, Papel,
Papelão e Produtos de Papel. Além dos resultados deste setor
industrial, os indicadores elencados também mostram, em
caráter comparativo, como está o desempenho da (a) Indústria
da Transformação e (b) da Indústria da Madeira (que reúne as
fábricas de madeira maciça, portas, janelas, chapas de compensado,
MDF, MDP, OSB e outros produtos em geral).
O primeiro indicador destacado é o faturamento. A Figura 1
mostra que as três cadeias produtivas tiveram um bom crescimento
desde 2016, com um importante salto após o 2.º trimestre
de 2020. Na média nacional, a indústria da transformação
viu incremento de preços pouco superior a 70% (em termos
nominais) desde 2016. O destaque fica com a indústria da madeira,
que dobrou o faturamento no mesmo período. Para as
indústrias exportadoras, boa parte do bom resultado recente
deve-se à crescente desvalorização do Real frente ao Dólar.
A Figura 2 mostra a evolução do índice de expectativa da
demanda. O ápice do pessimismo é claramente identificado na
metade do 1.º semestre de 2020, em razão das imposições do
Estado mediante à paralisação de fábricas e comércio em praticamente
todo o País. Em 2021 vê-se um rally na percepção da
demanda futura, com maior sensibilidade na indústria de celulose
e papel.

No tocante à utilização da capacidade instalada (ver Figura 3),
é fácil perceber que a indústria de celulose e papel possui maior
estabilidade do que as demais indústrias selecionadas. Aliás,
mais uma vez o 1.º semestre de 2020 teve efeito fulminante na
operação das indústrias no Brasil. Outro ponto a destacar é a dificuldade
operacional que a indústria da madeira vem sofrendo
desde o início de 2019, em que o nível médio de atividade caiu
fortemente. Desde então, vem apresentando comportamento
coeso com a média da indústria da transformação.

A Figura 4 mostra a evolução das horas trabalhadas efetivamente
na produção industrial. O panorama geral reflete que
o pico de horas ocorre, na média, na “metade do ano”, ou seja,
o menor volume de horas se dá nas “transições entre os anos”.
Olhando para os números de 2021, se vê um pico de horas no pe-
ríodo “metade do ano” mais expressivo do que em todos os anos
anteriores. Isso é claramente um reflexo da rápida retomada da
atividade industrial no País e de boa parte da economia mundial.
Relativamente à produção industrial, a Figura 5 mostra que
as três cadeias industriais seguem uma tendência muito similar
ao longo do horizonte avaliado, embora cada uma tenha uma
amplitude em particular. Após a forte queda ocorrida no 1.º
trimestre de 2020, seguiu-se um forte incremento da produção
nacional, a qual volta a patamares mais equilibrados com a normalização
da curva demanda versus oferta.

O último indicador estudado está disponível na Figura 6 e
mostra o comportamento dos estoques de produtos acabados
das indústrias em destaque. De acordo com os números, a indústria
da transformação se encontra atualmente em uma situação
equilibrada de seus estoques, após enfrentar um período
de estoques abaixo do planejado em praticamente todo o ano de
2020. A mesma situação ocorreu com a indústria de celulose e
papel, porém agora se encontra com estoques ligeiramente superiores
ao planejado. Por outro lado, a situação continua desequilibrada
na indústria da madeira, cujos estoques permanecem
abaixo da situação ideal, mostrando desequilíbrio em alguma
parte da cadeia de valor dessa indústria.
avatar do autor
Marcio Funchal
Fundador da Marcio Funchal Consultoria.

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