Maior volume de vendas sustenta receita da Klabin no 1T26, apesar de queda no EBITDA

Vendas cresceram 12% na comparação anual, impulsionadas por celulose, papéis e embalagens, mas valorização do real e parada programada pressionaram margens

A Klabin registrou receita líquida de R$ 4,9 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 2% em relação ao 1T25, impulsionada pelo crescimento de 12% no volume total de vendas, excluindo madeira. O avanço comercial foi observado em todos os negócios da companhia e refletiu maior estabilidade operacional, continuidade do ramp-up das máquinas MP27 e MP28 e expansão das vendas de celulose, papéis e embalagens. Ainda assim, o EBITDA ajustado recuou 10% na comparação anual, para R$ 1,7 bilhão, pressionado pela valorização do real frente ao dólar e pela parada geral programada de manutenção da unidade de Monte Alegre.

A margem EBITDA ajustada ficou em 34%, queda de 4 pontos percentuais frente ao 1T25. Segundo a companhia, a retração do resultado operacional foi parcialmente compensada pelo maior volume vendido em todos os segmentos. A geração de caixa por tonelada, medida pelo EBITDA ajustado menos capex de manutenção sobre o volume vendido, foi de R$ 843/t, queda de 42% em relação ao 1T25, refletindo tanto o menor resultado operacional quanto o maior capex de manutenção, relacionado ao calendário de gastos da modernização da caldeira de Monte Alegre.

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No trimestre, a Klabin realizou a parada geral programada de manutenção da unidade de Monte Alegre, que produz papel-cartão e kraftliner. A parada teve duração de 14 dias e custo direto de R$ 124 milhões. Em relação à última parada da unidade, realizada no 4T24, a duração foi dois dias maior e o custo 14% superior, refletindo inflação, maior escopo e extensão dos serviços em preparação para a nova caldeira de recuperação. As atividades foram retomadas e a fábrica opera normalmente.

O volume total de produção líquida de celulose e papéis foi de 1,047 milhão de toneladas no 1T26, praticamente estável em relação ao 1T25. A produção de celulose somou 409 mil toneladas, alta de 12% na comparação anual, evidenciando a consistência operacional dos ativos. Já a produção de papéis caiu 6%, para 638 mil toneladas, impactada pela parada programada de Monte Alegre. A companhia manteve ainda hibernada a máquina de papel reciclado MP17, em Goiana, desde outubro de 2025, como parte de sua estratégia de ajustar taticamente a produção à demanda e priorizar a rentabilidade.

No negócio de celulose, o volume comercializado foi de 401 mil toneladas, crescimento de 16% em relação ao 1T25. A receita líquida do segmento totalizou R$ 1,4 bilhão, alta de 2% na mesma base de comparação. O desempenho refletiu o maior volume de vendas e a recuperação dos preços em dólar da fibra curta, que compensaram o impacto negativo da valorização do real. O preço líquido médio da celulose em reais, porém, caiu 12% na comparação anual, para R$ 3.515/t, enquanto em dólar recuou 2%, para US$ 668/t.

Na fibra curta, a receita líquida cresceu 14% frente ao 1T25, para R$ 887 milhões, apoiada pelo aumento de 22% no volume vendido, pela recuperação dos preços internacionais e pela evolução do preço líquido global capturado pela companhia. Segundo a Klabin, as condições de oferta e demanda permaneceram favoráveis ao longo do trimestre, com consumo sólido e restrições pontuais de oferta, incluindo paradas programadas, ajustes operacionais e limitações de fibras e sortimento de madeira na Ásia. O índice FOEX da fibra curta avançou 9% na China e 12% na Europa e no mercado brasileiro em relação ao 4T25.

Em fibra longa e fluff, a Klabin comercializou 111 mil toneladas, alta de 3% frente ao 1T25. A receita líquida da categoria somou R$ 522 milhões, queda de 12% na comparação anual, ainda refletindo o ajuste de preços entre os períodos e o ambiente mais desafiador observado ao longo de 2025. A companhia destacou, porém, que o segmento de fluff mostrou início de retomada gradual das condições de mercado, com alta de 1% nos preços médios na China e na Europa em relação ao 4T25, segundo o índice Table 5 da RISI. Fibra longa e fluff representaram 28% do volume vendido de celulose e 37% da receita líquida do segmento, evidenciando o diferencial de rentabilidade dessas fibras.

No segmento de papéis, o volume vendido foi de 356 mil toneladas no 1T26, alta de 15% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita líquida somou R$ 1,7 bilhão, avanço de 8%, com o maior volume compensando o impacto negativo da valorização cambial. Em papel-cartão, as vendas cresceram 4%, sustentadas pelo mercado doméstico, onde o volume avançou 15%, favorecido pelo setor cervejeiro e pela venda de cartões brancos a novos clientes. A receita líquida de papel-cartão foi de R$ 1,1 bilhão, alta de 5%.

Em containerboard, o volume vendido cresceu 31% frente ao 1T25, para 162 mil toneladas, impulsionado principalmente pela expansão de 41% nas vendas ao mercado externo. A receita líquida do segmento foi de R$ 588 milhões, alta de 13% na comparação anual. Segundo a Klabin, o desempenho reflete sua estratégia de diversificação geográfica e acesso a novos mercados, além da maior alocação de produção ao kraftliner, diante de uma demanda em patamares saudáveis e dos ajustes de oferta realizados ao longo de 2025.

No segmento de embalagens, o volume vendido somou 258 mil toneladas, crescimento de 3% em relação ao 1T25, enquanto a receita líquida totalizou R$ 1,8 bilhão, alta de 6%. O desempenho foi puxado por papelão ondulado, cuja receita avançou 9%, para R$ 1,5 bilhão, refletindo aumento de volumes e preços. Em metros quadrados, a expedição de papelão ondulado da Klabin cresceu 3,6% no 1T26, acima da alta de 2,3% do mercado brasileiro medida pela Empapel. A companhia atribuiu o desempenho à maior exposição a segmentos de demanda mais resiliente, como alimentos industrializados, higiene e limpeza e frutas, além do aumento nas vendas de caixas para bens duráveis, especialmente televisores.

Já em sacos industriais, o volume vendido caiu 4% na comparação anual, para 33 mil toneladas, e a receita líquida recuou 8%, para R$ 307 milhões. A companhia informou que medidas tarifárias impostas por outros países ao longo de 2025 continuaram impactando mercados relevantes de destino das exportações. Parte dos volumes foi redirecionada ao mercado interno, que registrou crescimento de 13%, mas esse movimento não compensou integralmente a queda de 39% nas exportações.

O custo caixa total por tonelada, incluindo parada geral, foi de R$ 3.342/t, em linha com o 1T25. O CPV por tonelada subiu 4%, para R$ 2.675/t, principalmente pelo efeito da parada programada de Monte Alegre sobre custos fixos. Esse impacto foi parcialmente compensado pela redução de custos variáveis, especialmente em químicos, com destaque para a queda no preço da soda cáustica, beneficiada pela normalização da oferta e pela valorização do real. O custo caixa de produção de celulose foi de R$ 1.326/t, alta de 4% frente ao 1T25, pressionado pelo custo de fibras, mas parcialmente compensado por maior receita com venda de energia e maior diluição de custos fixos.

A Klabin reportou prejuízo líquido de R$ 497 milhões no 1T26, ante lucro líquido de R$ 446 milhões no 1T25. A variação foi explicada pela queda do EBITDA ajustado, pelo efeito contábil não caixa negativo da variação do valor justo dos ativos biológicos, pelo resultado financeiro mais pressionado e por efeitos de imposto de renda e contribuição social. O resultado financeiro foi negativo em R$ 570 milhões, ante despesa de R$ 158 milhões no 1T25.

Os investimentos somaram R$ 839 milhões no trimestre, alta de 39% em relação ao 1T25. Do total, R$ 287 milhões foram destinados à silvicultura e compra de madeira em pé, R$ 285 milhões à continuidade operacional, R$ 242 milhões à modernização da caldeira de recuperação de Monte Alegre e R$ 24 milhões a projetos especiais. Para 2026, o guidance de capex da companhia é de R$ 3,3 bilhões.

O fluxo de caixa livre encerrou o trimestre com consumo de R$ 404 milhões, impactado principalmente pelo maior desembolso em capex e pelo consumo de capital de giro, associado à concentração de pagamentos a fornecedores relacionados às paradas gerais de Monte Alegre e Ortigueira. O fluxo de caixa livre ajustado foi negativo em R$ 102 milhões, com FCF yield ajustado de 5,1% nos últimos 12 meses.

A dívida líquida da Klabin encerrou março em R$ 24 bilhões, abaixo dos R$ 25,9 bilhões registrados ao fim de 2025. A alavancagem medida em dólar, indicador que melhor reflete o perfil financeiro da companhia, ficou em 3,3 vezes, estável frente ao 4T25 e 0,6 vez abaixo do 1T25. Em reais, a relação dívida líquida/EBITDA ajustado caiu para 3,1 vezes, ante 3,3 vezes no trimestre anterior.

O endividamento bruto somou R$ 32,9 bilhões, redução de R$ 3,9 bilhões frente ao 4T25, refletindo pré-pagamentos e amortizações de R$ 1,7 bilhão, incluindo o resgate antecipado dos Green Bonds 2027, além do efeito favorável da valorização do real sobre a dívida em moeda estrangeira. O caixa e equivalentes totalizaram R$ 8,9 bilhões.

No trimestre, a Fitch Ratings reafirmou o rating global da Klabin em “BB+” e revisou a perspectiva de estável para positiva. Segundo a companhia, a alteração reflete a expectativa de desalavancagem suportada por forte geração de caixa, menores investimentos e política de dividendos mais conservadora, além das iniciativas de liability management e da disciplina financeira.

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Fernanda Capo
Advogada formada na Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Jornalismo Digital pela Fundação Casper Líbero.

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