Este é o sentimento que o gerente geral de Tecnologia da Fibria, Ergilio Claudio-da-Silva Jr., carrega com muito orgulho pelo trabalho realizado em seus mais de 34 anos de dedicação aos setores florestal e de celulose. Entrega esta que lhe rendeu recentemente o reconhecimento como membro honorário – Tappi Fellow -, concedido pela Tappi, uma das entidades mais respeitadas da cadeia produtiva de papel e celulose mundialmente.
O reconhecimento não começou apenas por aí. O engenheiro químico pela Universidade Federal do Rio de Janeiro é merecedor de inúmeros outros prêmios listados em seu portfólio profissional. Sua trajetória de carreira teve início na Universidade Estadual de Campinas, onde trabalhou como Professor Assistente durante dois anos antes de ingressar na então Aracruz (Hoje Fibria), em 1977.
Advindo da indústria química, quando entrou em contato com o setor florestal, “cheio de gás”, como ele mesmo define, o aprendizado e a gratidão impulsionaram o seu desejo na busca por soluções e inovações. Especializou-se, então, no refino da polpa e as interações entre as propriedades de fibra e papel, além de incluir mais outros dois diplomas complementares, um no Instituto Norueguês de Tecnologia e o de PhD pela Universidade Estadual de Nova York.
Nesse meio tempo, Ergilio viu o setor evoluir, crescer e, mais recentemente, dar um salto em tecnologia após a virada do século. Para ele, o que realmente colocou a fibra de eucalipto no mundo e no Brasil foi, principalmente, o destaque tecnológico do desenvolvimento da matéria-prima para o papel, a partir de suas florestas de alta qualidade. “Além disso, o trabalho de desenvolvimento e de marketing que contribuíram também para a difusão e venda dessa fibra.”
O executivo nos lembra de que, se não fosse por esse trabalho e esse investimento em pesquisas, nossas florestas não seriam as que vemos hoje, consideradas as mais sadias, produtivas e adaptadas. “É importante sempre ressaltar que a competitividade do Brasil não é só resultado apenas do clima. Sem a tecnologia florestal, não teríamos como produzir essa celulose”, comenta.
E a busca por essa otimização é contínua. Hoje, segundo o profissional, pesquisa-se, de maneira muito mais intensa, as diversas relações do eucalipto com o meio ambiente, incluindo o consumo e a qualidade de água, do solo e toda a relação com a biodiversidade. “É uma visão clara do que estamos realizando. Desenvolvemos quase tudo que abrange a sustentabilidade para gerar conhecimento e atender a essa demanda”, afirma.
Com uma cadeia produtiva mais forte, mais madura e competitiva, que sofreu severamente com a crise e foi também obrigada a se reestruturar através das grandes fusões e aquisições dos últimos tempos, Ergilio diz que ninguém discute hoje a importância em se trabalhar a indústria de forma cada vez mais eficaz. “O que antes era meta, hoje é obrigação. Se não formos eficazes, com sustentabilidade, outra palavra-chave, não sobreviveremos neste mercado.”
Com bastante otimismo em um momento em que se fala em inovação atraída pela solução de uma série de novos problemas, o pesquisador visualiza um grande crescimento no setor proporcionado pela biotecnologia. Mas esse não é o único ponto a ser explorado. Ergilio enfatiza a importância em valorizar o que realmente essa indústria representa para o País.
“Temos de evitar esse complexo de inferioridade de que a gente não pode, não sabe ou não é. Nessa indústria podemos muito”. E complementa: “hoje, vemos uma nova participação de alunos interessados pela indústria florestal, com visão de futuro e o pensamento que a biomassa vai ser parte da solução para o planeta. Estamos no caminho certo”, finaliza.



