Política Setorial Para Eficiência Energética

O setor de papel e celulose é o terceiro maior consumidor de energia da indústria brasileira, com um consumo de 8.957 10³ tep (tonelada equivalente de petróleo) em 2008, conforme o Balanço Energético Nacional divulgado pelo governo em 2009. “Este quadro, porém, tende a mudar, pois, conforme um estudo que fizemos com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o setor tem um potencial para aumentar em pelo menos 19% sua eficiência energética”, aponta Afonso Moura, gerente técnico da Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel (ABTCP) e coordenador da Comissão de Mudanças Climáticas da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp).
   
A perspectiva positiva resulta principalmente do avanço do setor nos estudos sobre os gargalos no consumo de energia. “A indústria de papel e celulose foi pioneira em aceitar participar de nosso projeto com a Eletrobras, por meio do Procel (Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica), para analisar oportunidades e desafios na questão da energia”, conta Rodrigo Garcia, coordenador do Programa Nacional de Eficiência Energética para o Setor Industrial da CNI.

    Pesquisar e debater a eficiência energética da indústria tem papel essencial, segundo a visão da CNI: “A energia é um recurso como outros na produção, mas nos últimos anos seu custo vem crescendo muito, em especial o da elétrica”, destaca Garcia. De acordo com ele, enquanto em outros países já havia a consciência da necessidade do aumento de oferta de energia e seu consumo racional, no Brasil isso não acontecia, já que a energia por aqui sempre foi abundante e barata. “Agora o quadro mudou, pois não temos energia tão barata e as pressões ambientais são muito fortes. O suprimento fica cada vez mais distante; todas as hidrelétricas possíveis em São Paulo e Minas Gerais já foram feitas, e agora estamos indo para a Amazônia, o que torna tudo mais difícil”, aponta.
   
Para o setor de papel e celulose, uma das principais vantagens está em poder usar a biomassa de madeira para gerar energia. Por isso, muitos de seus investimentos têm foco nessa área. Conforme informações da consultoria Wood Resources International LLC, o setor de papel e celulose consumiu, mundialmente, 75 milhões de toneladas de biomassa para energia em 2009. Desde 2006, a energia gerada a partir de biomassa cresceu 50%, somando 18% do total do consumo em 2009. “Com o avanço da tecnologia, como, por exemplo, o uso de caldeiras de recuperação que geram praticamente toda a energia consumida pelas fábricas, associado à redução dos consumos específicos que a escala trouxe, o modelo só vem sendo otimizado”, diz Pedro Stefanini, gerente industrial da Lwarcel Celulose.
   
Ele afirma que é natural, porém, que as indústrias mais antigas não possuam esse status. Justamente por esse motivo, têm grandes oportunidades de melhoria, especialmente quanto à gestão de uso eficiente de energia. “O know how dá ao setor a experiência necessária para contribuir com o tema em nível nacional”, aponta.
   
Para Francisco Razzolini, diretor de Projetos, Tecnologia Industrial e Suprimentos da Klabin, é desejável ainda que as empresas realizem programas de produtividade e conservação de energia como um primeiro passo, pois aquelas que não se atualizarem vão comprometer seriamente sua competitividade. “Planos e incentivos precisam ser disponibilizados para viabilizar a substituição de equipamentos que hoje são inviáveis financeiramente, quando baseados somente no cálculo da eficiência. É necessário desonerar os investimentos”, diz. Segundo ele, comprar o mais barato não serve mais: “Precisa ser o mais econômico e o mais viável econômica e ambientalmente.”


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