Rumo à COP30: Brasil como vitrine da transição climática para o mundo

Com destaque para o setor florestal, iniciativas públicas e privadas evidenciam o país como referência global em práticas sustentáveis.

Com destaque para o setor florestal, iniciativas públicas e privadas evidenciam o país como referência global em práticas sustentáveis.

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Faltando apenas duas semanas para o início da COP30, autoridades do setor público e privado se reuniram no “Seminário Bracell 2030 – O Brasil na vanguarda do clima: da bioindústria à economia regenerativa” para discutir o papel do Brasil na agenda climática global e apresentar exemplos de soluções sustentáveis que o país pretende levar à conferência. 

Entre os participantes estavam Paulo Hartung, presidente da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá); Antônio Joaquim, membro do conselho da Ibá e da Bracell e presidente da Dexco; o Embaixador José Carlos da Fonseca Júnior, membro do conselho diretivo da Ibá; Ana Toni, CEO da COP30; Natália Resende, secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo e Jaime Verruck, secretário do Meio Ambiente, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de Mato Grosso do Sul. 

Ana Toni abriu o debate destacando o protagonismo do setor privado na agenda climática: “Estamos aqui na corrida agora, duas semanas e meia antes da COP30. Eu acho que realmente essa COP vai mostrar o casamento da economia com o combate ao clima. Na microeconomia, estamos vendo novos negócios surgindo em restauração florestal, economia circular, biocombustíveis e agricultura regenerativa. Do lado macro, teremos um debate importante sobre a mobilização de 1,3 trilhão de dólares para países em desenvolvimento, mostrando como alinhar investimento e sustentabilidade”.

Paulo Hartung detalhou o potencial do setor de árvores plantadas e os exemplos de produção sustentável: “Trabalhamos em 10,5 milhões de hectares plantando, colhendo, replantando e preservando 7 milhões de hectares de áreas nativas além do exigido por lei. No ano passado, tivemos a maior produção de celulose da história, mais de 25 milhões de toneladas, e faturamento recorde de quase 16 bilhões de dólares. Esses números mostram que é possível produzir e preservar simultaneamente, oferecendo ao Brasil exemplos concretos para apresentar na COP30”.

“Nosso país tem cerca de 100 milhões de hectares de terras antropizadas, passíveis de conversão para restauração, produção de alimentos, fibras e energia. Projetos como Symbiosis, Biomas, Re.green, Mombak e Carbon to Nature estão provando que essas atividades podem crescer com apoio político e regulatório adequado, transformando compromissos em resultados concretos”, complementou Hartung.

O embaixador José Carlos da Fonseca Júnior, membro do Conselho diretivo da Ibá enfatizou a singularidade do modelo brasileiro de florestas plantadas: “Nosso setor desenvolveu capacidade agroambiental ao longo de décadas, transformando o Brasil em um mega exportador de alimentos, fibras e energia. É essencial mostrar ao mundo que conseguimos unir produtividade e preservação em grande escala”.

O setor privado também foi destacado como motor de inovação e vantagem competitiva. Antônio Joaquim ressaltou que o Brasil evoluiu de iniciante na década de 1970 para referência mundial: “Hoje, o setor de florestas plantadas do Brasil é admirado globalmente. É possível inovar tanto em processos — conservação de solos, fertilização sustentável, serviços energéticos — quanto em produtos, com PPPs (Parcerias Público-Privadas). Isso cria oportunidades de diferenciação e vantagem competitiva no mercado global”.

Quanto à atração de capital internacional por meio de práticas ESG, Antônio Joaquim observou: “Os fundos de investimento globais estão buscando bons projetos no Brasil. Para isso, precisamos de regulamentação clara, especialmente para o mercado de carbono, permitindo que pequenas e médias propriedades participem e recebam financiamento para iniciativas sustentáveis”.

Da esquerda para a direita Embaixador José Carlos da Fonseca Jr Natalia Resende Jaime Verruck Leila Sterenberg

O protagonismo do setor público também ficou evidente nos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Natália Resende, Secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo, destacou iniciativas de planejamento e execução de soluções baseadas na natureza: “Criamos um conselho de mudanças climáticas com participação da academia, sociedade civil e municípios para coordenar as iniciativas. No ano passado, lançamos um caderno sustentável para os municípios, incentivando cidades-esponja, áreas verdes e soluções baseadas na natureza”.

Ela citou ainda intervenções concretas, como o uso de hidrossemeadura em obras de drenagem e pavimentação em Cabreúva, e a PPP (Parceria Público-Privada) de desassoreamento do Alto Tietê e Pinheiros, combinando reflorestamento e economia circular. “Desde 2023, retiramos 4,1 milhões de metros cúbicos de sedimentos, equivalentes a 328 mil caminhões, para melhorar a vazão dos rios. O objetivo é unir planejamento, governança e ações concretas”, destacou.

Natália detalhou o Finaclima SP, mecanismo do Estado de São Paulo para acelerar investimentos em soluções baseadas na natureza: “O Finaclima une oferta e demanda de forma organizada, permitindo que empresas e organismos multilaterais invistam em portfólios já mapeados de áreas passíveis de restauração, com segurança jurídica e previsibilidade. Desde 2023, restauramos mais de 25 mil hectares, contribuindo para segurança hídrica, biodiversidade e adaptação climática”.

No Mato Grosso do Sul, Jaime Verruck apresentou a estratégia estadual de longo prazo para se tornar carbono neutro até 2030. “A partir do Proclima, estabelecemos diretrizes de mitigação e adaptação, integrando comunidades tradicionais e indígenas. Criamos programas de Pagamento por Serviços Ambientais, incentivando proprietários a manter florestas em pé e registrando legalmente essa preservação”, explicou. Segundo Verruck, o estado já implementa mais de 3 milhões de hectares de projetos de restauração e busca escalabilidade e economicidade para práticas de agricultura regenerativa.

A CEO da COP30, Ana Toni, reforçou que a conferência é um processo contínuo e não apenas um evento de duas semanas. “A COP virou um processo de mobilização global. Com o mutirão da mudança do clima, estamos promovendo ações em todo o planeta, como o lançamento de programas para validação do CAR (Cadastro Ambiental Rural) em diferentes estados, reunindo governo, setor privado e sociedade civil. A participação ativa do setor privado é fundamental para acelerar a implementação de soluções climáticas”, explicou.

O diálogo entre setor público e privado, consolidado em práticas como restauração de biomas, pagamentos por serviços ambientais e inovação em bioindústrias, demonstra como o Brasil pretende levar à COP30 não apenas promessas, mas resultados concretos. Com experiências replicáveis, governança estruturada e integração entre governos estaduais, empresas e sociedade civil, o país se posiciona como uma vitrine global de soluções climáticas, mostrando que é possível aliar crescimento econômico, preservação ambiental e liderança internacional no enfrentamento das mudanças climáticas.

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Fernanda Capo
Advogada formada na Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Jornalismo Digital pela Fundação Casper Líbero.

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