A maior geração de energia própria tem se tornado vital para o ganho de competitividade das indústrias de celulose, não só pela redução de custos fixos, mas também por questões ambientais, já que a proporção de biocombustíveis utilizados na indústria só deve aumentar. E é dentro das caldeiras que muitas mudanças podem ser conquistadas dentro do setor, por exemplo, com alterações nos níveis de temperatura e pressão.
Este é o tema do trabalho da sessão técnica de Recuperação e Utilidades que recebeu a maior nota da Comissão Avaliadora dos trabalhos do Congresso e foi apresentado por Tim Hicks no dia 28 de outubro. Com o título de Ciclo de vapor de reaquecimento da caldeira de recuperação, o pesquisador procurou mostrar projetos que visam aumento de pressão em caldeiras e podem ser aplicados em qualquer fábrica de celulose. “Os tempos mudaram, hoje podemos alcançar temperaturas muito mais altas e termos maior eficiência com o aumento de pressão nas caldeiras”, enfatizou.
O trabalho apontou que muitas caldeiras ainda trabalham com níveis de pressão baixos, a exemplo das instaladas na América do Norte, onde 60% destes equipamentos ainda operam a 62 bar ou menos. No trabalho técnico, ele cita casos de sucesso no Japão, com ciclos de superaquecimento com pressões e temperaturas de até 135 bar e 515Cº.
Para ele, o setor de celulose pode se inspirar no elétrico, já que desde os anos 60 centrais têm operado caldeiras de circulação natural a mais de 180 bar e este aumento de pressão nas empresas de celulose aumentaria em muito o potencial de geração elétrica do ciclo de vapor da fábrica.



