A Suzano (SUZB3) divulgou nesta terça-feira (10) seus resultados para o quarto trimestre de 2025, com lucro líquido de R$ 116 milhões, a empresa reverteu o prejuízo de R$ 6,7 bilhões registrado no mesmo período de 2024, em um trimestre marcado pela recuperação gradual dos preços da celulose de fibra curta, crescimento de volumes vendidos e redução estrutural de custos operacionais.
A receita líquida consolidada somou R$ 13,1 bilhões no período, queda de 8% na comparação anual, refletindo principalmente a redução do preço médio da celulose e a desvalorização do dólar frente ao real. O EBITDA ajustado consolidado atingiu R$ 5,58 bilhões, alta de 7% frente ao 3T25, mas queda de 14% na comparação anual, em linha com as expectativas de mercado.
Segundo estimativas compiladas pela LSEG e citadas pela Reuters, analistas projetavam EBITDA de cerca de R$ 5,4 bilhões no trimestre. A companhia destacou que a queda anual do indicador refletiu principalmente a queda do preço médio líquido da celulose e o impacto cambial, parcialmente compensados por maior volume vendido e menor custo caixa.
No trimestre, a companhia também reforçou que manterá ao longo de 2026 o volume de produção de celulose de mercado cerca de 3,5% abaixo da capacidade nominal anual, estratégia iniciada em meados de 2025 para contribuir para o equilíbrio global de oferta.
Negócio de celulose
O quarto trimestre foi marcado pela continuidade da recuperação dos preços da celulose de fibra curta após o período de deterioração observado entre abril e agosto de 2025. O movimento foi sustentado pela melhora do sentimento de mercado, impulsionada pela sazonalidade da produção de papel na China, aumento do custo de madeira doméstica no país e expectativa de redução da oferta global devido a paradas programadas.
Na China, o aumento do custo de produção doméstico, especialmente ligado ao preço do cavaco, favoreceu reajustes de preços e contribuiu para a redução dos estoques portuários aos menores níveis desde janeiro de 2025. A produção chinesa de papel cresceu 3,1% em 2025, com destaque para papelcartão (+8%) e tissue (+6,1%).
Na Europa, o consumo de fibra curta aumentou 3,8% no trimestre, enquanto o consumo de fibra longa recuou 2% no período e quase 10% na comparação anual. Os índices PIX/FOEX de fibra curta registraram alta de 6% na China e 4% na Europa frente ao 3T25, mantendo o diferencial elevado frente à fibra longa e sustentando a substituição estrutural de fibras.
As vendas de celulose da Suzano totalizaram 3,4 milhões de toneladas, alta de 8% frente ao 3T25 e cerca de 4% na comparação anual, com maior volume direcionado para América do Norte, Europa e Ásia.
O preço líquido médio foi de US$ 537/t, alta de 2% sequencial, mas queda de 8% frente ao 4T24. Em reais, o preço médio ficou em R$ 2.897/t, alta de 1% frente ao trimestre anterior e queda de 15% ano contra ano.
A receita líquida de celulose cresceu 9% frente ao 3T25, puxada pelo aumento de volume e preços em dólar, parcialmente compensados pelo efeito cambial. Na comparação anual, a receita recuou 12%, refletindo principalmente preço e câmbio.
O custo caixa sem paradas foi de R$ 778/t, queda de 3% frente ao 3T25 e redução de 4% frente ao 4T24. Incluindo paradas de manutenção, o custo caixa total ficou em R$ 809/t, cerca de 8% inferior ao registrado um ano antes. Segundo leitura de mercado citada pela Reuters, o custo caixa atingiu o menor patamar desde o final de 2021.
O EBITDA ajustado do segmento de celulose somou R$ 4,8 bilhões, alta de 8% frente ao trimestre anterior, impulsionado por maior volume, preços e redução de custos, parcialmente compensados por maior SG&A e impacto das paradas programadas.
Negócio de papel
No Brasil, a demanda de papéis de imprimir e escrever cresceu 19% nos dois primeiros meses do 4T25 frente ao trimestre anterior e 1% na comparação anual, refletindo a sazonalidade dos segmentos editorial e promocional.
No papelcartão, a demanda doméstica avançou 2% na comparação trimestral e anual, impulsionada pela preparação do varejo para o fim de ano e pela recuperação gradual do consumo, com destaque para cosméticos e bens de consumo.
Nos mercados internacionais, a demanda segue pressionada estruturalmente. Na Europa, o consumo segue impactado pelo excesso de oferta, enquanto na América do Norte houve deterioração ao longo do trimestre. Na América Latina, a demanda permaneceu relativamente estável.
As vendas de papel da Suzano no Brasil somaram 297 mil toneladas, alta de 19% frente ao 3T25 e 1% frente ao 4T24. As vendas internacionais totalizaram 178 mil toneladas, representando 37% do volume total do segmento.
A receita líquida do negócio de papel foi de R$ 3,25 bilhões, alta de 5% frente ao trimestre anterior e 9% frente ao 4T24, impulsionada principalmente pelo maior volume e maior participação da operação Suzano Packaging nos Estados Unidos.
O EBITDA ajustado do segmento atingiu R$ 785 milhões, alta de 6% frente ao 3T25 e 4% na comparação anual.
Financeiro, dívida e capex
A Suzano encerrou o trimestre com dívida líquida de R$ 69,4 bilhões e alavancagem de 3,2x dívida líquida/EBITDA em dólares, levemente acima do final de 2024. A dívida bruta totalizou R$ 94,8 bilhões, com 97% dos vencimentos concentrados no longo prazo.
A companhia encerrou o período com liquidez imediata de R$ 32,4 bilhões, considerando caixa e linhas de crédito disponíveis.
O custo médio da dívida em dólar permaneceu em 5,0% ao ano, com prazo médio de 78 meses.
Os investimentos de capital totalizaram R$ 2,9 bilhões no trimestre, queda de 21% frente ao 3T25, refletindo principalmente menor desembolso em terras e florestas após pagamento relevante realizado no trimestre anterior. Para 2026, a companhia aprovou orçamento de capital de R$ 10,9 bilhões, sendo R$ 7,3 bilhões destinados à manutenção industrial e florestal.
O fluxo de caixa livre ajustado foi de R$ 3,4 bilhões no trimestre, alta de 62% frente ao trimestre anterior, impulsionado por maior EBITDA, menor pagamento de juros e liberação de capital de giro.
Em fevereiro de 2026, a companhia anunciou novo programa de recompra de ações de até 40 milhões de papéis, equivalente a cerca de 6,5% das ações em circulação.



