Pressionada por celulose mais barata, Suzano vê lucro cair 39% e alavancagem subir para 3,3x no 3T25

Apesar da queda de 22% no preço da celulose e menor geração de caixa, empresa mantém EBITDA em linha com o esperado e melhora desempenho de papel e embalagens.

atualizado em 07 nov 2025, 15:20

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Após um início de trimestre marcado por incertezas ligadas à política tarifária dos EUA, o mercado de celulose mostrou recuperação gradual a partir do fim de agosto. Ainda assim, a Suzano reportou queda de 6% no preço líquido médio em US$, enquanto os índices PIX/FOEX mostraram redução de 9% na China e 12% na Europa. Os resultados do 3T25 foram divulgados hoje, quarta-feira (06) pela companhia.

Somada ao menor volume vendido, consequência da redução voluntária de produção anunciada em agosto, e à desvalorização do US$ médio frente ao real, essa combinação pressionou o negócio de celulose e levou o EBITDA Ajustado consolidado a R$ 5,2 bilhões, valor 15% menor em comparação ao 2T25 e 20% menor em relação ao 3T24. A geração de caixa operacional atingiu R$ 3,4 bilhões, 18% menor frente ao 2T25 e 22% menor na comparação anual.

No detalhamento de celulose, houve melhora de sentimento na China com queda de 12,7% dos estoques portuários no trimestre (SCI), reaquecimento das exportações brasileiras de fibra curta, 6% maior em relação ao 2T25, e aumento de 5% na produção de papel (com tissue 8% maior). Mesmo assim, as vendas de celulose da Suzano foram 3% menores na comparação com o 2T25 (e 20% maiores em relação ao 3T24), com preço líquido médio de US$ 525 por tonelada, 6% menor frente ao 2T25 e 22% menor em relação ao 3T24.

Em reais, o preço médio ficou em R$ 2.859 por tonelada, 9% menor ante o 2T25 e 23% menor na comparação anual. O EBITDA de celulose foi 17% menor em relação ao 2T25 e 22% menor na comparação anual, parcialmente amortecido por queda do custo caixa e melhor CPV base caixa.

Em papel e bens de consumo, o quadro foi mais favorável: houve leve aumento do EBITDA Ajustado, puxado por maior volume e melhor performance dos ativos da Suzano Packaging US (Pine Bluff), que registrou seu primeiro EBITDA Ajustado positivo, de R$ 43 milhões, ante resultado negativo de R$ 66 milhões no 2T25.

No Brasil, a dinâmica de imprimir e escrever refletiu a sazonalidade do PNLD (Programa Nacional do Livro e do Material Didático) e a normalização de revestidos após o pico eleitoral de 2024. As vendas domésticas somaram 248 mil toneladas, 6% maiores em relação ao 2T25 e 5% menores na comparação anual.

As vendas internacionais chegaram a 188 mil toneladas, 6% maiores que no 2T25. O preço médio líquido foi 3% menor em relação ao 2T25 (redução de 2% no mercado interno e 4% no externo), parcialmente compensado por mix e maior volume. A receita líquida de papel foi de R$ 3,103 bilhões, 3% maior em relação ao 2T25 e 26% maior frente ao 3T24, com a incorporação da operação nos EUA.

No consolidado, a receita líquida do trimestre foi de R$ 12,153 bilhões, 9% menor em relação ao 2T25 e 1% menor na comparação anual, com 81% das vendas no exterior. O CPV (Custo do Produto Vendido) base caixa totalizou R$ 5,838 bilhões (R$ 1.621 por tonelada), 3% menor que no 2T25, efeito do custo caixa de celulose mais baixo, menor impacto de paradas e câmbio, mas 21% maior em relação ao 3T24 pelo maior volume, logística mais cara (tarifas de 10% nos EUA) e ramp-up da operação de Ribas do Rio Pardo.

As despesas de vendas ficaram 2% maiores ante o 2T25 (PECLD e itens fixos) e 24% maiores na comparação anual (incluindo Suzano Packaging US e maior volume). O SG&A base caixa foi 3% maior em relação ao 2T25 e 19% maior frente ao 3T24 (pessoal, terceiros e integração nos EUA), com alguma diluição por tonelada.

O resultado financeiro refletiu a volatilidade de câmbio e hedge: a desvalorização de 3% do US$ frente ao real elevou o efeito positivo nas linhas de variação cambial; os derivativos contribuíram com R$ 1,079 bilhão no trimestre (marcação a mercado positiva de R$ 493 milhões). Ao fim, o resultado financeiro líquido foi positivo em R$ 1,052 bilhão, abaixo do observado no trimestre anterior (R$ 4,425 bilhões) e acima do 3T24 (R$ 867 milhões). O lucro líquido fechou em R$ 1,961 bilhão, 61% menor que no 2T25 e 39% menor em relação ao 3T24, refletindo principalmente menor receita e queda do resultado financeiro na margem.

Em balanço, a dívida líquida em US$ permaneceu estável em US$ 13,0 bilhões (R$ 69,1 bilhões) e a alavancagem subiu para 3,3 vezes em US$ (3,1 vezes em reais), acompanhando o recuo do EBITDA dos últimos 12 meses. A gestão passiva foi um destaque: houve alongamento do prazo médio da dívida de 74 para 80 meses, sem aumento do custo, que permaneceu em 5,0% ao ano, por meio de operações de liability management.

“Fizemos alguns investimentos, a transação com a Eldorado*, anunciada ao mercado, que envolveu um desembolso de caixa relevante no terceiro trimestre. Na ausência de outros eventos como esse, nos próximos trimestres nós pretendemos reduzir a nossa dívida líquida com foco em aumento de competitividade dos nossos ativos, redução de custo e geração de caixa, tendo como consequência nosso alvo que é a redução da alavancagem”, disse Marcos Assumpção, Vice-presidente executivo de Finanças da Suzano durante a Call de Resultados da empresa, que aconteceu na tarde de sexta-feira (7).

A política de hedge cambial seguiu ativa, com Zero Cost Collars entre R$ 5,64 (put) e R$ 6,54 (call) e notional de US$ 6,0 bilhões; a cobertura de fluxo de caixa atingiu 64% da exposição cambial. A liquidez segue robusta, com R$ 23,9 bilhões em caixa e aplicações(65% em moeda estrangeira) e linha rotativa de R$ 6,8 bilhões até 2027, totalizando R$ 30,7 bilhões em liquidez imediata. A dívida bruta somou R$ 93,0 bilhões, com 40% atrelada a instrumentos ESG.

No caixa, o Fluxo de Caixa Livre Ajustado foi de R$ 2,104 bilhões, 20% menor em relação ao 2T25 e 45% menor frente ao 3T24, impactado por pagamento de juros (periodicidade de bonds e prêmio de recompra) e por EBITDA menor, parcialmente compensados por liberação de capital de giro. O ROIC ficou em 12,0%, abaixo de 13,1% no 2T25 e 13,3% no 3T24, compatível com o momento de preços mais baixos e a fase de integração de ativos.

“Nesse trimestre o aumento do nosso CAPEX de expansão foi impactado pela transação entre Suzano e Eldorado*, pela concentração de pagamento de juros das nossa dívidas, que geralmente são alocados no primeiro e no terceiro trimestre, a emissão de bonds de 10 anos que ocorreu em setembro e a recompra dos bonds de 2026 e 2027”, complementou Assumpção.

Em ESG, destaque para o Programa Compartilhar Clima, que engaja fornecedores prioritários na definição de metas baseadas na ciência (SBTi) até 2028.

Em síntese, o 3T25 da Suzano combina pressão de preços e volumes em celulose — reduzindo EBITDA e geração de caixa — com sinais construtivos em papel e embalagens (integração nos EUA ganhando tração) e disciplina financeira (hedge, alongamento e liquidez). O cenário indica uma fase de transição, na qual a sensibilidade a preços internacionais permanece elevada no curto prazo, enquanto a captura de eficiência industrial, a retomada gradual da demanda e a consolidação da Suzano Packaging US tendem a suavizar as oscilações mais à frente.

  • * A transação refere-se ao contrato firmado entre Suzano e Eldorado Celulose no valor de R$ 1,3 bilhões a serem pagos pela Suzano à Eldorado até 2026 para a permuta de 18 milhões de metros cúbicos de madeira em pé, atualmente madura, que será colhida entre 2025 e 2027, cedidos pela Eldorado à Suzano, em troca, a Suzano entregará volume equivalente de madeira ainda imatura, a ser colhida pela Eldorado entre 2028 e 2031.
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Fernanda Capo
Advogada formada na Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Jornalismo Digital pela Fundação Casper Líbero.

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