Suzano mantém disciplina de produção e aposta em geração de caixa para avançar desalavancagem em 2026

Redução de capex, eficiência operacional e gestão de capital de giro sustentam estratégia financeira, enquanto JV com Kimberly-Clark deve gerar desembolso relevante no meio do ano.

A Suzano inicia 2026 com uma leitura mais construtiva para o mercado global de celulose no curto prazo, sustentada por sinais de demanda acima do esperado no início do ano e por ajustes pontuais do lado da oferta global. Ainda assim, a estratégia da companhia permanece centrada em disciplina de rentabilidade, geração de caixa e fortalecimento da competitividade estrutural, mantendo decisões operacionais e financeiras alinhadas a retorno por tonelada e desalavancagem ao longo do ciclo.

Durante a call de resultados do 4t25 realizada hoje (11), executivos da companhia destacaram que o início de 2026 trouxe volumes de demanda superiores às expectativas iniciais, especialmente na Ásia, impulsionados pela recomposição de estoques de clientes e pela demanda no segmento de tissue. “O início do ano trouxe um volume de demanda acima das nossas expectativas, principalmente em pedidos de celulose no mês de janeiro”, afirmou o CEO da Suzano, Beto Abreu, acrescentando que o movimento está ligado a níveis historicamente baixos de estoque entre clientes asiáticos.

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Ao mesmo tempo, eventos recentes do lado da oferta, como postergações de expansões e restrições operacionais em produtores asiáticos, contribuíram para um ambiente competitivo ligeiramente mais equilibrado do que o projetado anteriormente. Segundo o executivo, o cenário atual tornou o ambiente competitivo “um pouco mais construtivo do que o planejado inicialmente”.

Estratégia de produção e disciplina de rentabilidade

A Suzano reiterou a decisão de manter fora do mercado cerca de 3,5% de sua capacidade de celulose de mercado ao longo de 2026, equivalente a aproximadamente 450 mil toneladas. A decisão está baseada na análise de retorno marginal por tonelada, considerando preços, custos de madeira, logística e descontos comerciais.

“Nós olhamos não só custo caixa ou geração de caixa. Olhamos rentabilidade por tonelada”, afirmou Abreu. Segundo o executivo, a companhia avalia se o volume marginal atende aos critérios de retorno econômico antes de decidir pela produção.

O vice-presidente executivo de Finanças e RI, Marcos Assumpção, reforçou que, nas condições atuais de mercado, a retomada dessa capacidade teria impacto limitado. “O outlook de preço, câmbio e custos indica que essa capacidade marginal traria um retorno inadequado para a companhia e impacto muito pequeno na geração de caixa”, disse.

A empresa também indicou que, após operar a unidade de Ribas do Rio Pardo próxima da capacidade nominal ao longo de 2025, há pouco espaço adicional relevante de incremento estrutural de produção no curto prazo.

Demanda global e balanço de oferta e demanda

No mercado global de celulose, a companhia vê sinais positivos no curto prazo, com destaque para pedidos mais fortes no início de 2026, especialmente para celulose de fibra curta.

Segundo Abreu, a demanda adicional está associada principalmente à recomposição de estoques na Ásia. “Esse aumento é fruto de estoques historicamente mais baixos para nossos clientes asiáticos, incluindo China”, afirmou.

Do lado da oferta, a postergação de expansões relevantes no Sudeste Asiático e restrições operacionais pontuais reduzem a pressão de curto prazo sobre o mercado. Embora a companhia mantenha cautela sobre tendências estruturais de longo prazo, a leitura atual é de um ambiente competitivo mais favorável no início do ano.

Geração de caixa e desalavancagem como prioridade estratégica

A desalavancagem segue como um dos pilares centrais da estratégia para 2026. A companhia reiterou a meta de redução da dívida líquida para cerca de US$ 11 bilhões no médio prazo, frente ao patamar atual de aproximadamente US$ 12,6 bilhões.

“A desalavancagem vem principalmente da geração de caixa da empresa. Desinvestimentos são uma parte muito pequena desse processo”, afirmou Abreu.

A estratégia está ancorada principalmente na geração de caixa operacional, combinada à disciplina de investimentos e melhorias em capital de giro. Nesse contexto, a Suzano prevê capex de R$ 10,9 bilhões em 2026, abaixo dos R$ 13,3 bilhões registrados em 2025.

Outro ponto destacado foi a expectativa de continuidade da trajetória de redução do custo total entregue ao cliente (DTO). Segundo Assumpção, 2025 marcou uma mudança estrutural nessa tendência. “2025 foi um ponto de inflexão. Dentro do nosso planejamento, vemos o DTO em trajetória de redução nos próximos anos”, afirmou.

JV com Kimberly-Clark: independência operacional e desembolso relevante em 2026

No negócio de tissue, a Suzano reforçou que a joint venture com a Kimberly-Clark, cuja conclusão está prevista para o início do terceiro trimestre de 2026, deverá operar de forma independente, com governança, gestão e estrutura de capital próprias.

“Essa será uma operação independente, com management e estrutura de capital próprios, e não influencia a operação da Suzano no Brasil”, afirmou Abreu.

Para 2026, não há expectativa de captura relevante de sinergias operacionais, que são vistas como uma oportunidade de médio prazo. A companhia também destacou que deverá realizar um desembolso relevante de caixa no meio do ano associado à conclusão da aquisição dos ativos internacionais da Kimberly-Clark, movimento já contemplado na estratégia financeira e na posição de liquidez.

Papel, embalagens e competição com importados

No negócio de papel e embalagens, a companhia destacou resiliência operacional mesmo diante do aumento de importações, especialmente provenientes da China. Segundo a Suzano, o avanço das exportações chinesas foi observado globalmente, incluindo América Latina.

Apesar disso, a empresa manteve volumes recordes no segmento de papel. “Temos uma carteira de clientes muito sólida, de longo prazo, e diferenciação em qualidade e garantia de suprimento”, afirmou Abreu.

A companhia também classificou o fechamento da unidade de Rio Verde como um movimento pontual de otimização de portfólio, sem representar uma revisão estrutural mais ampla.

Exportações, tarifas e realocação geográfica

As exportações continuam sendo o principal pilar do negócio da Suzano, respondendo por cerca de 80% da receita da companhia. Para 2026, a expectativa é de manutenção desse perfil.

No segmento de papel, a empresa confirmou que deixou de exportar para os Estados Unidos após a implementação de tarifas próximas a 50% sobre produtos brasileiros. “Enquanto essa tarifa perdurar, o Brasil não tem competitividade para acessar o mercado americano”, afirmou Abreu.

Segundo o executivo, os volumes foram realocados principalmente para América do Sul e outros mercados internacionais, sem impacto relevante na produção total.

Perspectiva estratégica para 2026

De forma geral, a Suzano entra em 2026 posicionada para capturar ganhos de competitividade estrutural, com foco em eficiência operacional, disciplina financeira e geração consistente de caixa. Embora reconheça sinais positivos no ambiente de mercado no curto prazo, a companhia mantém abordagem cautelosa, priorizando rentabilidade e flexibilidade estratégica ao longo do ciclo.

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Fernanda Capo
Advogada formada na Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Jornalismo Digital pela Fundação Casper Líbero.

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