Durante o Suzano Investor Day, que aconteceu na última quinta-feira (11), no Hotel Pullman Vila Olímpia, em São Paulo, a Suzano detalhou a estratégia do seu negócio de papel e embalagens em um cenário global marcado por mudanças estruturais no consumo, tensões geopolíticas e pela recente imposição de tarifas comerciais. Um dos principais destaques foi o redirecionamento das exportações que antes tinham os Estados Unidos como destino para outros países da América do Sul, movimento que, segundo a companhia, não comprometeu a sustentabilidade nem a rentabilidade do negócio.
Ao apresentar os resultados e perspectivas da unidade, o vice-presidente executivo de Papel e Embalagens da Suzano, Fabio Almeida, afirmou que a empresa trabalha com dois objetivos centrais: capturar os retornos dos investimentos realizados nos últimos anos e, ao mesmo tempo, preparar a operação para um novo ciclo de crescimento. “Precisamos primeiro capturar todos os investimentos que fizemos, os retornos, e depois preparar o negócio para o crescimento”, disse.
Segundo o executivo, o negócio de papel e embalagens da Suzano está estruturado a partir de um modelo operacional e comercial diferenciado, com forte presença na América do Sul e operações estratégicas nos Estados Unidos. No Brasil, a companhia atende diretamente mais de 40 mil clientes, operando com quatro fábricas e cerca de 20 centros de distribuição. Esse modelo foi expandido para países como Argentina, Equador e, mais recentemente, para os EUA, onde a Suzano atua com unidades industriais e escritórios comerciais.

Entre os pilares de competitividade destacados por Almeida está a referência em custo caixa, com as operações posicionadas entre os dois melhores quartis globais. “Todas as nossas máquinas estão no primeiro quartil de custo, ou caminhando para isso. Nos Estados Unidos, esse é um objetivo claro”, afirmou. Outro diferencial é o modelo de negócios baseado em contratos de longo prazo, especialmente no mercado norte-americano, onde a empresa detém cerca de 60% a 70% do mercado de Fresh Liquid Packaging Board (LPB), com acordos de fornecimento estáveis e de longo prazo.
Apesar de reconhecer a relevância dos Estados Unidos como mercado de embalagens, estimado em cerca de 10 milhões de toneladas anuais, com crescimento de 2% a 3% ao ano e preços premium em relação a outras regiões, a Suzano já vinha diversificando sua exposição geográfica. Esse movimento ganhou ainda mais importância após a imposição de tarifas comerciais, que afetaram a competitividade de parte das exportações brasileiras para o mercado norte-americano.
Questionado sobre o impacto das medidas tarifárias, o CEO da Suzano destacou que o efeito sobre o negócio de embalagens foi limitado. “Nós temos um mercado doméstico muito forte no Brasil. Cerca de 70% da nossa produção fica no mercado interno, e exportamos 30%. Parte do volume que era direcionado aos Estados Unidos está sendo redirecionada para outros mercados”, afirmou. Segundo ele, a maior parte desse volume passou a atender países da América do Sul, como Argentina, Uruguai e Paraguai.
De acordo com a companhia, apesar da perda de competitividade pontual no mercado norte-americano, o impacto financeiro foi mitigado justamente pelo caráter majoritariamente doméstico do negócio. “A sustentabilidade e a rentabilidade do negócio não foram materialmente impactadas”, reforçou o executivo, ao destacar a resiliência do modelo operacional e comercial da Suzano.
No caso das operações nos Estados Unidos, Fabio Almeida detalhou uma série de iniciativas voltadas à recuperação de rentabilidade. A empresa conseguiu transformar uma operação que registrava prejuízo operacional no ano anterior em um negócio positivo em termos de EBITDA no terceiro trimestre de 2025. Entre os principais vetores desse desempenho estão as ações de redução de custos industriais, que já resultaram em uma queda de cerca de 6% nos custos, com potencial adicional superior a 7% sem necessidade de investimentos diretos da Suzano, por meio de parcerias estratégicas.
Além disso, a companhia estuda projetos adicionais, ainda não aprovados, que envolvem CAPEX próprio e podem elevar a redução total de custos industriais para cerca de 21% ao longo dos próximos anos. “Só vamos avançar com esses projetos se eles trouxerem os retornos adequados”, ressaltou Almeida, destacando que o foco atual não é expansão orgânica, mas a criação de opcionalidades estratégicas para o futuro.
No Brasil, a Suzano também vem avançando em iniciativas voltadas à eficiência operacional e digitalização. Um dos principais projetos foi concluído na unidade de Limeira, com expectativa de gerar um ganho de cerca de R$ 100 por tonelada, relevante para a competitividade do negócio de embalagens. A companhia também está implementando gêmeos digitais (digital twins) em máquinas de papel e digestores, permitindo ajustes em tempo real para melhorar rendimento, reduzir consumo de madeira e otimizar a qualidade dos produtos.
Outra frente relevante é a otimização logística, com o uso de ferramentas digitais para melhorar o aproveitamento de cargas e reduzir custos de transporte, um fator crítico para um produto de alto volume e baixo valor específico como o papel. Segundo a Suzano, essas iniciativas devem gerar, em 2026, uma economia entre R$ 80 milhões e R$ 115 milhõesno negócio de Papel e Embalagens no Brasil, sem necessidade de CAPEX adicional.
Com esse conjunto de ações, a Suzano reforçou, durante o Investor Day, que o negócio de embalagens permanece como um dos pilares estratégicos da companhia, sustentado por um modelo operacional robusto, disciplina financeira e flexibilidade para se adaptar a mudanças no ambiente global. Mesmo diante de um cenário mais desafiador para o comércio internacional, a empresa avalia que o redirecionamento de exportações e o fortalecimento dos mercados regionais garantem a continuidade do crescimento e da geração de caixa da unidade.



