Suzano vê demanda resiliente por papel e retoma exportações aos EUA após redução de tarifas

Companhia aponta consumo inelástico em segmentos como tissue e embalagens e observa demanda mais forte na Europa e nos Estados Unidos

A Suzano avalia que a demanda global por papel e celulose se manteve resiliente no início de 2026, mesmo em meio a um cenário de maior volatilidade geopolítica, e já observa retomada das exportações para os Estados Unidos após a redução das tarifas sobre produtos brasileiros.

Em teleconferência com jornalistas, o CEO da companhia, Beto Abreu, afirmou que os principais segmentos consumidores de celulose como tissue, embalagens, papéis especiais e imprimir e escrever não apresentaram sinais de retração relevante no primeiro trimestre, reforçando o caráter estruturalmente resiliente da demanda.

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“Na nossa visão, esses segmentos não têm sofrido tendência de demanda nesse primeiro trimestre. […] Eles são mais inelásticos”, disse o executivo, destacando que produtos como papel higiênico, papel toalha, guardanapos e embalagens continuam sendo consumidos mesmo em cenários de maior incerteza econômica.

Segundo Abreu, a companhia observou inclusive sinais de demanda mais forte em mercados desenvolvidos. “Existe uma demanda mais forte do que eu esperava na Europa e nos Estados Unidos, provavelmente consequência das mudanças de fluxo de mercadoria”, afirmou. De acordo com ele, a recomposição de estoques ao longo da cadeia produtiva também tem contribuído para sustentar o consumo nesses mercados, especialmente em um ambiente de maior volatilidade global.

Nos Estados Unidos, a Suzano já começou a retomar as exportações de papel após a redução das tarifas aplicadas a produtos brasileiros, que voltaram de 50% para 10%. A elevação tarifária havia levado a companhia a redirecionar volumes para outros mercados ao longo de 2025, principalmente na América Latina.

“Com a tarifa de 50% voltando para 10%, o mercado fica de novo disponível. […] Existe sim uma retomada que já está acontecendo de exportação do Brasil para lá”, disse o CEO. Segundo ele, a normalização das tarifas restabelece a competitividade do produto brasileiro no mercado norte-americano.

Durante o período de tarifas mais elevadas, a companhia ampliou sua presença em mercados alternativos, estratégia que deve continuar parcialmente. “A Suzano foi buscar novos mercados, e a América Latina é um destino natural, visto as facilidades logísticas”, afirmou Abreu, citando países como Argentina, Uruguai e Paraguai como destinos relevantes para os volumes anteriormente direcionados aos Estados Unidos.

Apesar da retomada das exportações aos EUA, a empresa não vê uma mudança estrutural em sua estratégia comercial, mas sim uma adaptação tática às condições de mercado. A companhia mantém forte presença internacional, com a maior parte de sua receita proveniente de exportações.

No segmento de celulose, a Suzano também destacou que a demanda segue sustentada globalmente, em linha com o comportamento dos mercados downstream. A companhia apontou que o consumo de papel e derivados tende a ser menos sensível a choques externos, o que contribui para a estabilidade da demanda por celulose de mercado.

“O modelo exportador da China continua, e a gente vê crescimento das exportações de produtos acabados. Isso sustenta a demanda por celulose”, afirmou Abreu, referindo-se ao papel da Ásia como principal destino da produção global de fibra curta.

Esse cenário de demanda resiliente ocorre em paralelo a um movimento de recuperação dos preços internacionais da celulose. No primeiro trimestre de 2026, os índices PIX/FOEX médios da fibra curta registraram alta de 9,4% na China e de 11,9% na Europa em relação ao trimestre anterior, refletindo um ambiente de oferta mais restrita e demanda mais firme por papel.

Apesar disso, o desempenho operacional da Suzano no período foi impactado pela sazonalidade típica do primeiro trimestre, que levou à redução dos volumes vendidos de celulose e papel, além da valorização do real frente ao dólar, que pressionou os preços realizados em moeda local.

A companhia reportou EBITDA ajustado de R$ 4,6 bilhões no 1T26, queda de 18% em relação ao 4T25, enquanto a receita líquida somou R$ 11 bilhões, recuo de 16% na mesma base de comparação. Ainda assim, o cenário de demanda mais estável contribuiu para sustentar a dinâmica de preços ao longo do período.

Ao mesmo tempo, a Suzano avalia que o atual ambiente de volatilidade geopolítica e cambial pode favorecer movimentos de consolidação no setor global de papel e celulose, especialmente em segmentos com maior pressão sobre rentabilidade.

Segundo Abreu, produtores de fibra longa vêm enfrentando margens mais comprimidas, o que pode acelerar esse processo ao longo dos próximos anos. “Quando você percebe que […] a fibra longa tem sofrido bastante do ponto de vista de rentabilidade, esse processo de consolidação acontece”, disse.

Para a companhia, a combinação de demanda resiliente, ajustes na oferta e mudanças nos fluxos comerciais globais deve continuar moldando o mercado ao longo de 2026, com diferenças mais marcantes entre regiões. A expectativa é de que mercados como Europa e Estados Unidos sigam apresentando demanda mais forte no curto prazo, enquanto a Ásia continue sendo um pilar estrutural para o consumo global de celulose.

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Fernanda Capo
Advogada formada na Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Jornalismo Digital pela Fundação Casper Líbero.

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