Tarifa de Trump sobre importação de madeira pode prejudicar o Brasil?

EUA são responsáveis por comprar 40% do material destinado ao mercado externo

O anúncio de tarifas de 25% na importação de madeira nos Estados Unidos feito pelo presidente Donald Trump, na última quarta-feira (19), é o tema central do primeiro Podcast WoodFlow de 2025. “Se isso realmente acontecer, pode ser um grande problema, principalmente para o Brasil”, disse Roni Marini, CEO da Marini Compensados e entrevistado do programa.

Notícia continua após o anúncio

Segundo Marcelo Wiechetek, head de desenvolvimento estratégico da STCP, e parceiro do podcast, os EUA são o principal cliente brasileiro de três importantes produtos: compensado de pinus, molduras de pinus e madeira serrada de pinus. No caso dos compensados, os EUA são responsáveis por comprar 40% do material destinado ao mercado externo, mas para outros produtos esse índice pode ser ainda maior.

Para Roni, a taxação deve ter mais impacto no longo prazo. No curto prazo, os compradores dos Estados Unidos deverão absorver um produto mais caro, porém o empresário acredita que a real intenção por trás da taxação seja a reindustrialização do país, para deixar de exportar commodity (toras de madeira) e produzir os produtos madeireiros internamente.

“Porém leva um tempo até essas fábricas ficarem prontas. Então, de imediato, acredito que eles vão precisar e vai ficar um pouco mais caro por lá. Se realmente isso for acontecer, se realmente essa taxa se concretizar, eles vão precisar comprar mesmo com ela”, destacou Roni.

Já na visão de longo prazo, os entrevistados explicam que haverá uma competição por mercados de madeira, como por exemplo, se o maior fornecedor de madeira para os EUA, o Canadá, também passar a competir em outros países. Na visão dos convidados esse cenário de competição global pode, sim, ser prejudicial para a madeira brasileira.

Expectativas para 2025
Entre os assuntos abordados durante o programa, está a expectativa para o ano de 2025 no setor madeireiro. Roni destacou que este ano pode ser bastante promissor, porém ele destaca três pontos que devem permanecer no radar dos empresários: Cotação do dólar, logística e custos de produção. Se o dólar se mantiver na casa dos R$ 6, como estimam os especialistas, o mercado poderá se manter aquecido para o Brasil. Porém, na visão do empresário, o país precisa investir em infraestrutura de estradas e portos para que o nosso produto se torne mais competitivo lá fora.

Leia também:

A revolução dos canais digitais na exportação de madeira

Desafios logísticos e estratégias para exportação de madeira em 2025

Perspectivas do mercado de madeira em 2025

ABTCP apoia evento da ESALQ/USP sobre qualidade da madeira, polpação e energia

avatar do autor
Gustavo Milazzo
Gustavo Milazzo é empresário, formado em Comércio Exterior pela Universidade Tuiuti, Pós-Graduado em Negócios Internacionais pela FAE e com MBA em Gestão Exponencial da Xpeed. Possui mais de 28 anos atuando no setor de comércio exterior, dos quais 25 anos são dedicados a compra e venda de madeira no mercado externo. É fundador da GCM Trade e CEO da WoodFlow, uma plataforma que faz a integração do ecossistema da madeira, conectando compradores do mundo todo e vendedores brasileiros. Sua missão é disseminar e promover a madeira brasileira pelo muito através de informação e tecnologia.

Últimas Notícias

Comissão de Estudos de Papéis para Fins Sanitários é reativada para revisão de normas técnicas do setor

A comissão abrange aspectos de terminologia, requisitos, métodos de ensaio e generalidades

Suprema Corte dos EUA derruba tarifas recíprocas de Trump e impõe limites ao uso de poderes emergenciais na política comercial

Decisão retira sobretaxas aplicadas ao Brasil sob a IEEPA, mas mantém tarifas baseadas em outros instrumentos legais.

Acordo UE–Mercosul abre nova janela comercial para celulose, papel e madeira

Com o acordo, o setor ganha previsibilidade tarifária e ambiente institucional mais estruturado para acessar o mercado europeu, em meio à reconfiguração do comércio internacional.

Branded Contents

Swan do Brasil destaca inovação e confiabilidade em instrumentação analítica para o setor de celulose e papel

A instrumentação analítica Swan contribui diretamente para a otimização de processos

Fiedler Automação Industrial apoia projeto na Klabin e contribui para redução de 52% na perda de vapor em Telêmaco Borba (PR) 

Iniciativa na Unidade Monte Alegre da Klabin envolveu inspeções na rede de vapor e aplicação de soluções integradas para ganho de eficiência

Compartilhar

Newsletter

Mantenha-se Atualizado!

Assine nossa newsletter gratuita e receba com exclusividade notícias e novidades