Enquanto parte do setor freia novos aportes e líderes reforçam a estratégia de desalavancagem, Arauco e CMPC seguem avançando com seus projetos de expansão no Brasil – o Projeto Sucuriú e o Projeto Natureza. Durante a programação da Fastmarkets Forest Products Latin America Conference 2026, a liderança dessas multinacionais latino-americanas reforçaram o posicionamento otimista para o mercado, apesar de incerto.
Com o fechamento de fábricas e cenário macroeconômico desafiador, a entrada dessas novas capacidades se sustenta na palavra-chave competitividade, que foi destacada por diversos tomadores de decisão durante a conferência. Nesse sentido, cada projeto tem seus diferenciais, embora estejam em etapas diferentes.
Projeto Natureza
A CMPC prevê a criação de uma nova fábrica de celulose em Barra do Ribeiro (RS), com aporte de cerca de R$ 27 bilhões e capacidade produtiva de 2,5 milhões de toneladas de celulose por ano, com início da operação previsto para o segundo semestre de 2029. Apesar de manter o cronograma, a companhia adotou um discurso de cautela quanto ao ritmo de expansão do setor como um todo. “Realismo no curto prazo, otimismo no longo prazo”, declarou Felipe Alcalde, Vice-presidente de Operações Industriais de Celulose e Boxboard.
Embora o setor de embalagens apresente uma demanda resiliente, conforme especialistas da Fastmarkets, o executivo reforçou que o foco do Projeto Natureza, até o momento, foca apenas no mercado de celulose, seguindo na linha da fibra curta de eucalipto. Nesse sentido, Alcade destacou a competitividade do projeto com vantagens como produtividade florestal, logística e a atuação já consolidada do grupo no estado, com a unidade de Guaíba.
Projeto Sucuriú
Na visão do CEO da Arauco, Cristián Infante – vencedor do prêmio CEO do ano, da Fastmarkets – a estratégia é manter-se como fornecedora pura de celulose de mercado, sem integração para papel, diversificando via madeira e painéis – negócio que já responde por um terço do Ebitda da companhia.
Prevista para o segundo semestre de 2027, a nova fábrica da Arauco em Inocência (MS) terá capacidade de 3,5 milhões de toneladas, sendo a maior linha do mundo implementada em uma única fase. Conforme o executivo, o projeto está 75% concluído e 6% adiantado ao cronograma.
Um dos seus diferenciais é a malha ferroviária de 54 quilômetros, sendo 9 km percorridos no complexo industrial do Projeto Sucuriú e outros 45 km até chegar à Malha Norte, que reforça sua competitividade logística.
“Para que um projeto tenha êxito, precisa de três coisas: estar no prazo, no orçamento e com qualidade”, avaliou o CEO. “Os dois primeiros já estão sendo cumpridos, e a qualidade será avaliada na partida da planta”, completou.
O momento de desalavancagem de outros players
Para Rodrigo Libaber, Diretor Comercial da Eldorado, o foco de curto e médio prazo é desalavancar e otimizar o ativo já existente. “No cenário atual, não tem sentido econômico anunciar uma nova fábrica”, ponderou o executivo. A companhia também descartou, por ora, qualquer movimento de integração para papéis
“Não tem equilíbrio”, resumiu Rodrigo, ao apontar que nem produtores, nem papeleiros estão satisfeitos com os patamares de preço atuais – o que configura, segundo ele, apenas um consenso temporário, não um mercado equilibrado.
“O nosso foco no curto e médio prazo é desalavancar, ‘suar’ o ativo, e ser mais competitivo ainda”, reforçou Libaber. Mas, segundo ele, a companhia não descarta novos investimentos. “Não quer dizer que não consideramos o greenfield ou o brownfield, está sempre sendo analisado. Mas, no cenário de hoje, com as incertezas do mercado, temos uma linha de decisão muito clara”, concluiu.



