Enquanto os preços da celulose continuam a cair na Europa, há pressões para seus aumentos na China em setembro de 2026

Os dez primeiros dias de setembro presenciaram aumentos dos preços em dólar norte-americano da tonelada de celulose (tanto da de fibra longa – NBSK, quanto da de fibra curta – BHKP e BEK) na China, frente ao que se observou em agosto, e fenômeno inverso (de queda dos preços desses produtos) ocorreu na Europa em idêntico período. Grandes fornecedores, em especial da América do Sul (Suzano e Arauco, notadamente), anunciaram aumentos dos preços da celulose a ser vendida na China em setembro e isto está ocorrendo, ainda que não na dimensão previamente sugerida (de alta de US$ 50 por tonelada no preço da tonelada de celulose de fibra curta de eucalipto, BEK, na China a partir de setembro, por exemplo). Favorece a alta de preços da celulose na China o fato de setembro ser considerado um mês de expressiva demanda pelo produto e haver pequena queda nos estoques de celulose na China. Na Europa, os consumidores de celulose reagem às tentativas dos ofertantes de aumentos dos preços da celulose, fazendo uso de seus estoques, que caíram significativamente em julho frente ao junho.

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No mercado doméstico brasileiro houve, em setembro frente a agosto, queda do preço lista da tonelada de BEK, após este preço ter ficado estável em agosto, frente a julho, em comportamento muito diferente do visto na China e na Europa em julho e agosto do corrente ano.

Nos EUA, o preço em dólar do papel imprensa não se alterou de junho a agosto em relação à sua cotação de maio (permanecendo em US$ 865 por tonelada). Também estabilidade tem ocorrido nos preços em reais dos papéis de embalagem (tanto da linha branca quanto da linha parda) nas vendas da indústria a grandes compradores no Brasil, no mínimo, de junho a setembro (ainda que alguns produtos tenham mantido os seus preços estáveis a mais de um ano). Mas, na China, houve em começo de setembro, frente a começo de agosto do corrente ano, quedas dos preços médios em Yuan e em dólar norte-americano da tonelada de papelão.

Gráfico 1
Gráfico 2
Gráfico 2

O mercado de aparas em São Paulo presenciou altas dos preços médios em reais para alguns tipos de produtos em setembro frente a agosto, notadamente: aparas brancas dos tipos 2 e 3, dos preços das aparas marrons dos tipos 1 e 2, mas queda do preço médio em reais das aparas marrons tipo 3, mantendo os preços das aparas de jornal e de cartolina estáveis no período citado.

E, no mercado de madeiras do Canadá, houve em agosto, frente a julho, altas dos preços em dólar norte-americanos do metro cúbico de compensados, de chapas de OSB e das tábuas de spruce, pinheiros e fir (SPF), mas intensidades distintas (altas, respectivas, de 1,2%, 0,9% e 13,2%).

Mercados de celulose, papéis e aparas

Mercados de Celulose

Os preços divulgados pela Natural Resources Canada (NRC) vão até julho do corrente ano e indicam quedas dos preços da tonelada de NBSKP na Europa e na China em julho, frente a junho, mas estabilidade da cotação deste produto nos EUA em idêntico período, como visto no gráfico a seguir.

Os dados da Norexeco (ver Tabela 3) indicam que os preços da tonelada de celulose de fibra longa (NBSKP) permaneceram estáveis na Europa em agosto, frente a sua cotação de julho, mas caíram em setembro. Já os preços médios da tonelada de celulose de fibra curta (BHKP) caíram de forma sequencial de julho a setembro na Europa, segundo a fonte citada. Há, com isto, sugestão de continuidade de queda dos preços da celulose na Europa no terceiro trimestre de 2026.

Na China, a queda de preço da tonelada de NBSKP, segundo a NRC, começou em março do corrente ano (ver Tabela 1). O Governo da British Columbia (ver Tabela 2) indica que este processo de queda iniciou-se, claramente, em junho. E a Norexeco, ver Tabela 3, sugere a queda do preço deste produto ter se iniciado em abril, seguida de ligeira alta em maio, e redução consistente de junho até agosto. Mas esta mesma Norexeco indica pequena recuperação do preço em dólar norte-americano da tonelada de NBSKP na China, em especial em Shangai, em setembro. Comportamento similar segue o preço em dólar norte-americano da tonelada de BHKP na China, segundo a Norexeco.

Gráfico 3
Gráfico 3
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Europa

Nos sete primeiros meses de 2026 houve na Europa o consumo acumulado de 7.746 mil toneladas de celulose, montante apenas 0,34% acima do consumido em idêntico período de 2025 (ver o Gráfico 2). Pode-se assim dizer que o consumo de celulose nos primeiros sete meses de 2026 na Europa é bem próximo do ocorrido em similar período de 2025.

Mas os estoques de celulose nos portos europeus tiveram queda de 10% em julho, frente a junho (ver Gráfico 3), pois as indústrias europeias de papéis estão contrapondo as tentativas dos ofertantes de celulose em majorarem os preços da mesma e fazendo uso de seus estoques. Isso, no entanto, poderá não perdurar por muito tempo, pois o estreitamento do gap entre estoques e consumo mensal de celulose é bastante visível (ver o Gráfico 4). Em julho passado, os estoques de celulose nos portos europeus garantiam apenas um mês e meio do consumo desta commodity.

EUA

Os dados revisados do Banco Central de Saint Louis sobre o índice de preços de celulose, papéis e artefatos de papéis, ver o Gráfico 5, indicam altas contínuas do mesmo de maio a agosto do corrente ano, acumulando elevação de 8%. Como de maio a julho não se alterou o preço lista da tonelada de celulose nos EUA (ver Tabela 1) e nem o preço da tonelada de papel imprensa neste país (ver Tabela 2), pode-se concluir que ocorreram aumentos expressivos dos preços dos demais tipos de papéis (exceto o papel imprensa) e de artefatos de papéis nos EUA. Isso, como já dito em edição passada desta coluna, muito provavelmente é em função da retomada das políticas protecionistas do Governo Trump contra importações de papéis e artefatos de papéis, entre outros produtos, elaborados no Canadá, China e Brasil, alvo de recente onda de aumentos de tarifas de importações por parte da administração de Donald Trump.

China

A tendência, pelo menos de junho a agosto passados, segundo os dados da Norexeco (ver Tabela 3), foi dos preços da tonelada de celulose, tanto de fibra longa (NBSKP) quando de fibra curta (BHKP e BEK), caírem na China. A mesma tendência de queda, em similares meses, verificou o SunSirs Commodity Data Group para o preço da tonelada de BEK na China. No entanto, ambas fontes indicam elevações dos preços desses produtos nos dez primeiros dias de setembro em relação à média de cotações vigentes em agosto. Isso, em parte, reflete o anúncio feito em final de agosto pela Suzano (maior produtora de BEK) e pela Arauco de elevarem os preços da tonelada das celuloses quem vendem a países asiáticos, como a China. No caso da Suzano, a elevação sugerida é de US$ 50 por tonelada de BEK a ser vendida na China e demais países asiáticos (ver https://www.riotimesonline.com/suzano-asia-pulp-price-increase-september-2026/).

Favorece o aumento de preços da celulose na China, em setembro, o fato deste mês ser considerado um mês de pico de demanda desta commodity por empresas papeleiras (conhecido como “Golden September” pelos vendedores estrangeiros de celulose) e também o fato de estoques desta commodity nos portos chineses serem 1,3% menor em começo de setembro do que em idêntico período de agosto.

Já o preço em dólar norte-americano da tonelada de papelão caiu cerca de 2% em setembro, frente a agosto, na China (ver Tabela 5), após ter tido altas em julho e agosto.

Brasil

Mercado de polpas no Brasil

Os fabricantes nacionais reduziram em setembro, frente a agosto, em 3,5% o preço lista em dólar norte-americano da tonelada de celulose de fibra curta de eucalipto a ser vendida no mercado interno (ver Tabela 6). Considerando que o preço deste produto já estava caindo na Europa desde de junho deste ano (ver Tabela 3), tendo uma queda acumulada de 9,9% no preço de mercado praticado por tonelada deste produto na Europa entre junho e setembro, tem-se que a queda observada no preço lista sugerido no Brasil ainda não reflete as reduções dos preços de produto similar negociado na Europa, que é uma referência de cotação para a negociação do produto no Brasil. Ressalta-se, no entanto, que os valores indicados na Tabela 6 são preço lista e, portanto, sujeitos a descontos nas vendas a clientes preferenciais.

Mercado de papéis no Brasil

Nos meses de abril a setembro do corrente ano, nenhuma alteração de preços em reais de papéis de embalagem das linhas branca e parda foi constatada nas vendas da grande indústria a grandes compradores dentro do Brasil (ver tabelas 7 e 8). Também em setembro, frente a agosto, não houve alteração do preço médio em reais do papel off-set cortado em folhas e vendido por distribuidoras a pequenas gráficas e copiadoras da Região de Campinas (ver Tabela 9).

Mercado de aparas em São Paulo

Após quase três meses sem alterações de preços, em setembro, frente a agosto, há elevações nos preços médios em reais das aparas brancas dos tipos 2 e 3, e das aparas marrons dos tipos 1, 2 a 3 (ver Tabela 12). Mas houve queda de quase 9,1% no preço médio em reais da tonelada de aparas marrons do tipo 3 em setembro, frente a sua cotação de agosto.

As importações de aparas marrons tiveram expressiva redução de volume em agosto frente a julho, com expressiva alta de seu preço médio em dólar norte-americano. Agosto passado foi, na série histórica considerada para montar a Tabela 13, o mês com minúscula quantidade importada de aparas marrons.

Mercados internacionais de chapas de madeiras e de madeiras serradas

Em agosto de 2026, frente ao mês anterior, ocorreu aumento de 1,2% no preço em dólar norte-americano do m3 de compensados, de 0,9% no preço do m3 de chapas de OSB e de 13,2% no preço do m3 de tábuas de SPF no Canadá. Esses crescimentos diferenciados evidenciam, novamente, as grandes alterações de preços relativos desses produtos no Canadá, o que tem sido muito frequente nos dois últimos anos; e mostram que, apesar da nova rodada de tarifaço dos EUA contra o Canadá, o setor madeireiro deste último continua aquecido, apesar dos EUA ser importante importador desses produtos canadenses.

Observação: caro leitor, preste atenção ao fato de os preços das tabelas 8 e 10 ser sem ICMS e IPI (que são impostos), mas com PIS e COFINS (que são contribuições).

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Carlos Bacha
Professor Titular da ESALQ/USP.

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