As deficiências logísticas colocam a produção brasileira em xeque-mate. Seja pelo custo do frete, altíssimo devido às poucas possibilidades de escoamento, ou pelos portos brasileiros, abarrotados de produtos, que tem deixado o Brasil em desvantagem quando se trata de competitividade.”O baixo investimento em infraestrutura comprova esta condição”, explica José Ramos Torres de Melo, vice-presidente da Confederação Nacional de Agricultura, CNA, e presidente da Câmara Temática de Infraestrutura e Logística do Agronegócio pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, MAPA.Para se ideia, por exemplo, a China, diz Torres, investe 10,6% do PIB nessa área, representando US$ 1,01 trilhão, enquanto o Brasil,apenas 0,42% ou US$ 9,11 bi. Esta baixa cifra impacta diretamente nos negócios gerados no país e reduz a competitividade. Hoje 20% das exportações brasileiras advêm do agronegócio, responsável por 35% do PIB brasileiro. Contudo, embora o crescimento do setor tenha sido vigoroso nos últimos 20 anos, a parte de infraestrutura não passou por nenhuma reforma ou ampliação significativa. “Em um cenário, no qual a demanda por alimentos e produtos cresce no mundo, e a produção brasileira aumenta, o nosso escoamento é extremamente deficiente”, reforça Torres. O resultado? As produções percorrem o país inteiro, e o fretamento se aproveita disso. Tanto que Torres diz que a evolução dos custos de transporte teve um aumento de 204% de 2003 a 2011 no Brasil. Desta forma, o Brasil tornou-se um grande exportador de frete, quando, na verdade, poderia aproveitar o momento favorável de crescimento das exportações de commodities. No ano passado o superávit da balança comercial foi de US$ 30 bilhões.Futuro businessHoje o setor do agronegócio é o que mais contribui para a balança comercial favorável do País. Mas o futuro desempenho poderá ser comprometido pelos problemas logísticos, de acordo com alguns dos principais representantes do setor que estiveram presentes ao seminário sobre o tema promovido pela Fundação Getúlio Vargas, FGV-EAESP no dia 19 de março/2012.Além disso, a legislação brasileira, de acordo com a lei 8.360/93, que dispõe sobre a exploração dos portos organizados e das instalações portuárias e o decreto de 2008 de número 6.620, que impõe novas regras quanto à concessão de portos privados, estes não mais teriam o direito de exportar produtos de terceiros diferentes do já exportado pela empresa responsável pela privatização do terminal.Como solução para driblar esses entraves, Cesár Borges, diretor executivo da Associação Brasileira de Logística, ABRALOG, aponta a expansão das hidrovias. “Hoje, Santos escoa 25% da produção brasileira, mas temos de buscar outras opções. Através do modal hidroviário, poderíamos alcançar a saída pelo Pará e pelo Maranhão. Essa medida ajudaria a obstruir essa dificuldade e a aumentar a competitividade do País”, destacou.A necessidade por melhorias, afinal é urgente. No ranking mundial a pesquisa “The Global Competitiveness” apontou o Brasil como um dos piores países em infraestrutura com o 104º lugar. Em portos, o País ocupa o 130º lugar, seguido por rodovias, em 118º, e ferrovias, com a 94ª colocação. Como mudar isto? No caso do setor de celulose e papel, teriam de ser feitas 26 intervenções-chave para estimular o crescimento, conforme estudo sobre o assunto encomendado pela Bracelpa – Associação Brasileira de Celulose e Papel. Incentivando, inclusive, o estímulo ao diálogo em prol da reformulação e criação de novas políticas públicas de melhoria logística.Entre as prioridades, destacam-se o Estado do Maranhão, visualizando o Porto de Itaqui como uma alternativa; o Estado da Bahia, com a duplicação/triplicação e reforço de pontes na BR 101; no Estado de Minas Gerais, a duplicação/triplicação do trecho da BR 181; no Estado de São Paulo, a adequação da capacidade do Porto de Santos; e no Paraná, a restauração do acesso ferroviária Porto de Paranaguá.
Da Redação



