Irani anuncia duas novas plantas de embalagens

A Irani apresentou nesta quinta-feira (28), durante o Irani Day, um novo ciclo de crescimento para ampliar sua presença no mercado brasileiro de embalagens sustentáveis. Após uma fase marcada pela Plataforma Gaia, voltada à modernização, eficiência operacional, ampliação de capacidade e captura de sinergias nos ativos existentes, a companhia anunciou a Plataforma Neos, que prevê a construção de duas novas plantas de embalagens de papelão ondulado, cada uma com capacidade de 120 mil toneladas por ano, além de uma nova máquina de papel reciclado, além da reforma da MP#7, na unidade de Minas Gerais, com capacidade prevista de 132 mil toneladas anuais.

A estratégia tem como objetivo dobrar o market share da Irani no mercado de papelão ondulado, dos atuais cerca de 4% para 8%, com foco em segmentos considerados estruturais para a demanda de embalagens no Brasil, como proteínas, e-commerce e marketplace. Segundo a companhia, o movimento representa uma mudança de patamar na estratégia de crescimento, com maior ênfase na ampliação da participação em embalagens, segmento em que a empresa vê potencial de expansão orgânica e ganho de relevância por meio de soluções desenvolvidas sob medida para os clientes.

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Dentro da Plataforma Gaia, o Gaia XII foi apresentado como o último investimento do ciclo, com foco na otimização do site de Minas Gerais, que terá um aumento de 60% na sua capacidade.O projeto, que prevê CAPEX de R$ 514 milhões, contempla a reforma da máquina de papel MP#7, uma nova caldeira de força e a revitalização completa da unidade, com startup previsto para o quarto trimestre de 2028.

Já a Plataforma Neos inaugura uma etapa mais voltada à expansão de capacidade em embalagens, com a construção de uma nova planta de embalagens sustentáveis (papelão ondulado), a terceira planta de embalagens da Companhia, na região sudeste do Estado de São Paulo ou sul de Minas Gerais, e a partir de 2030, a construção da quarta planta de embalagens sustentáveis, seguida por uma nova máquina de papel reciclado, voltada à produção de papéis rígidos para conversão em embalagens sustentáveis, que será integrada à terceira planta de embalagens.

A decisão de priorizar embalagens decorre da leitura de que o mercado de papelão ondulado tem apresentado crescimento consistente, em torno de 2,5% ao ano, com incremento próximo a 100 mil toneladas anuais em embalagens sustentáveis. A Irani também destacou que o consumo per capita brasileiro ainda é baixo na comparação internacional, o que abre espaço adicional para expansão do setor. Enquanto o Brasil consome cerca de 20 quilos por habitante ao ano, mercados mais maduros, como a Alemanha, alcançam patamares próximos a 60 quilos por habitante.

Dois vetores de demanda foram apontados como estratégicos para a nova fase. O primeiro é o segmento de proteína animal, incluindo bovinos, suínos e aves, que representa cerca de 17% da produção brasileira de papelão ondulado e movimenta aproximadamente 740 mil toneladas de embalagens. A Irani já possui forte atuação em proteínas, especialmente suínos e aves, e vê no segmento bovino uma avenida relevante de crescimento. O segundo vetor é o e-commerce, cuja penetração no varejo brasileiro ainda está abaixo da média mundial. Na visão da companhia, embalagens de papel e papelão ondulado devem ganhar protagonismo nos sistemas logísticos desse mercado, impulsionadas por demandas de proteção, customização, eficiência e sustentabilidade.

A área de Papel e Florestal também foi posicionada como peça-chave para a nova etapa. Segundo a companhia, a produção de papéis para embalagem da Irani cresceu 84,3% historicamente, acima da média do mercado, que avançou 50% no mesmo período. Os investimentos recentes nas máquinas 2 e 5, somados ao investimento futuro da MP#7, compõem a base de expansão da produção de papel. A companhia também destacou a flexibilidade de parte de seus ativos, capazes de produzir tanto papéis para embalagens rígidas quanto papéis para embalagens flexíveis, além de ganhos recorrentes de produtividade de cerca de 1% ao ano nas máquinas de papel.

A reforma da MP#7 com adicional de capacidade da planta de Minas Gerais terá papel estratégico no equilíbrio de fibras da companhia. Durante o período de implantação das novas plantas de embalagens, a Irani admite que ficará mais dependente da compra de papel de terceiros, em uma posição mais “short” em papel. A decisão, contudo, foi apresentada como consciente e amparada pela leitura de que há sobreoferta de papel para embalagem no mercado brasileiro, resultado dos investimentos realizados por diversos players nos últimos anos. A companhia afirma não enxergar risco relevante de suprimento nesse intervalo e reforça que sua estratégia de longo prazo continua sendo a integração entre papel e embalagem.

O foco em fibra reciclada também reflete disciplina na alocação de capital. A empresa explicou que projetos associados à ampliação de fibra virgem foram hibernados diante do atual contexto de mercado, marcado por maior disponibilidade de papéis de fibra virgem e pelo elevado custo de capital necessário para investimentos florestais e industriais dessa natureza. Na avaliação da companhia, para grande parte das aplicações em papelão ondulado, o papel reciclado atende adequadamente aos requisitos de desempenho quando produzido com tecnologia adequada de reciclagem. A eventual retomada de projetos de fibra virgem dependeria de condições de mercado mais favoráveis e de aplicações de maior valor agregado.

Na frente financeira, a Irani buscou reforçar que o novo ciclo de crescimento será conduzido sem abrir mão da disciplina de capital. A companhia afirmou que pretende manter a alavancagem abaixo de 2,5 vezes dívida líquida/EBITDA, patamar definido em sua política de gestão financeira. Sempre que a alavancagem estiver abaixo desse nível, a política prevê distribuição de 50% do lucro líquido como dividendos; acima desse limite, o payout passa a 25%.

A leitura apresentada no Irani Day indica que a companhia pretende transformar a base construída pela Plataforma Gaia em uma nova fase de expansão mais direcionada ao mercado. Se o ciclo anterior foi marcado por eficiência, modernização e reforço de competitividade, a Plataforma Neos representa uma aposta em escala, presença comercial e maior participação em segmentos de demanda estrutural. O desafio será executar os novos investimentos mantendo disciplina financeira, capturar os retornos ainda pendentes dos projetos recentes e avançar em um mercado no qual a concorrência também tende a se movimentar.

Ainda assim, a Irani demonstrou confiança em sua capacidade de diferenciação. Para a companhia, o ganho de market share não virá de uma estratégia baseada apenas em volume ou preço, mas da combinação entre proximidade com o cliente, engenharia de embalagens, confiabilidade de fornecimento, inteligência comercial e capacidade de desenvolver soluções de maior valor agregado. Nesse contexto, o Irani Day marcou não apenas o anúncio de novos ativos industriais, mas a apresentação de uma tese de crescimento voltada a ampliar o papel da empresa em uma cadeia cada vez mais impulsionada por sustentabilidade, eficiência logística e substituição de materiais.

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