A Irani registrou receita líquida de R$ 409,8 milhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 3,1% em relação ao 1T25 e de 1,5% frente ao 4T25, em um período marcado por paradas operacionais relevantes no segmento de papel. O EBITDA ajustado, considerando operações continuadas e descontinuadas, somou R$ 113,5 milhões, retração de 17,1% na comparação anual e de 11,3% ante o trimestre anterior. A margem EBITDA ajustada foi de 27,7%, queda de 4,7 pontos percentuais frente ao 1T25.
Segundo o diretor de Administração, Finanças e RI da Irani, André Camargo de Carvalho o resultado era esperado em razão da parada programada para reforma da Máquina de Papel 05 (MP#5), principal etapa do Projeto Gaia XI, e pela inspeção bianual da Caldeira de Força, que levou à parada temporária da Máquina de Papel 01 (MP#1). As paradas reduziram a produção de papéis, exigiram a compra complementar de papéis rígidos no mercado para abastecer a produção de embalagens e limitaram as vendas de papéis rígidos e flexíveis. Em conjunto, esses eventos tiveram efeito negativo de R$ 20,7 milhões no EBITDA ajustado do trimestre.
O resultado também foi impactado por problemas técnicos no transformador do turbo gerador 4 (TG4), na unidade de Papel em Vargem Bonita (SC), que reduziram a autoprodução de energia e elevaram a necessidade de compra de energia de terceiros. O efeito negativo adicional no EBITDA foi de R$ 6,1 milhões. Segundo a companhia, o fornecedor trabalha nas correções necessárias, sem custos para a Irani, com previsão de retorno à normalidade em maio de 2026. Excluídos os impactos das paradas e do problema no TG4, o EBITDA ajustado do 1T26 teria apresentado alta de 2,4% frente ao 1T25, o que reforça o caráter pontual da pressão observada no trimestre.
No segmento de Embalagens Sustentáveis, de papelão ondulado, o volume de vendas totalizou 42 mil toneladas, estável em relação ao 4T25, mesmo diante da sazonalidade típica do início do ano, e 3,8% abaixo do 1T25. A redução anual refletiu a estratégia da companhia de priorizar preços e margens, em linha com a abordagem de “value over volume”. O market share ficou em 4,1%, ante 3,9% no 4T25 e 4,3% no 1T25. Segundo dados preliminares da Empapel citados pela Irani, o mercado de papelão ondulado recuou 3,5% frente ao 4T25 e cresceu 2,5% em relação ao 1T25.
Apesar do menor volume anual, os preços do segmento seguiram em trajetória mais favorável. Os preços médios líquidos do papelão ondulado ficaram praticamente estáveis frente ao 4T25, com alta de 0,3%, e avançaram 5,5% na comparação anual. O movimento reflete a recomposição gradual observada nos últimos trimestres e contribuiu para preservar a receita do segmento, que respondeu por 63% da receita líquida da companhia no 1T26, ante 60% no mesmo período do ano anterior.
No segmento de Papel para Embalagens Sustentáveis, o impacto das paradas foi mais evidente. A produção totalizou 62,6 mil toneladas, queda de 20,6% frente ao 4T25 e de 19,2% em relação ao 1T25. A reforma da MP#5 reduziu a produção de papéis rígidos em 12,6 mil toneladas, enquanto a parada da MP#1 afetou a produção de papéis flexíveis em 2,5 mil toneladas. As vendas totais de papel somaram 29,4 mil toneladas, retração de 3,7% no trimestre e de 10,8% na comparação anual.
Os preços dos papéis rígidos destinados à venda recuaram 3,6% frente ao 4T25 e ficaram praticamente estáveis em relação ao 1T25, acompanhando o movimento de queda das aparas, principal matéria-prima do segmento. Nos papéis flexíveis, houve redução de 1,7% no trimestre e de 1,5% na comparação anual, impactada pelo menor dólar médio. O preço médio FOB das aparas caiu 5,2% frente ao 4T25 e 10,5% ante o 1T25, mas esse alívio não foi suficiente para compensar os custos adicionais com compra de papel e energia.
O custo dos produtos vendidos somou R$ 291,1 milhões no 1T26, alta de 5,9% frente ao 1T25 e de 6,9% ante o 4T25. O aumento foi explicado principalmente pela aquisição complementar de papéis rígidos no mercado e pela maior compra de energia de terceiros, efeitos parcialmente compensados pelo recuo no preço das aparas. A companhia informou ainda que os conflitos no Oriente Médio não tiveram impactos significativos sobre vendas ou acesso a matérias-primas, mas geraram aumentos pontuais de custos e despesas relacionados à logística.
O lucro líquido, considerando operações continuadas e descontinuadas, foi de R$ 19,4 milhões no 1T26, queda de 68,1% em relação ao 1T25 e de 50,2% frente ao 4T25. Nos últimos 12 meses, o lucro líquido somou R$ 212,6 milhões, retração de 36%. No conceito recorrente e sem ativos biológicos, porém, o lucro líquido avançou 10,3%, para R$ 100,2 milhões, indicando melhora da performance ajustada quando excluídos efeitos não recorrentes e variações contábeis.
A estrutura financeira permaneceu como ponto de sustentação. A dívida líquida somou R$ 1,07 bilhão, queda de 2% frente ao 1T25, enquanto a alavancagem medida pela relação dívida líquida/EBITDA ajustado ficou em 2,11 vezes, abaixo das 2,21 vezes registradas um ano antes e dentro da meta de 2,5 vezes definida pela política financeira da companhia. A dívida bruta somou R$ 1,83 bilhão, com 80% concentrados no longo prazo e 99% denominada em moeda local.
O fluxo de caixa livre ajustado foi positivo em R$ 20,3 milhões no trimestre, queda de 30% frente ao 1T25, pressionado pelo menor EBITDA e parcialmente compensado por menor necessidade de capital de giro. Nos últimos 12 meses, o indicador somou R$ 378,4 milhões, alta de 55,9%, enquanto o free cash flow yield atingiu 19,8%, avanço de 6,8 pontos percentuais. O ROIC foi de 12,3%, com spread de 3,1 pontos percentuais sobre o custo médio da dívida pós-IR/CSLL.
Carvalho também destaca que o retorno sobre o capital investido (ROIC) atingiu 12,3% (+1,0 p.p. em relação ao 1T25) o que evidencia a consistência operacional e a captura gradual dos retornos dos investimentos. “A Companhia encerrou o trimestre com R$ 760,2 milhões em caixa, reforçando sua solidez financeira.”
No trimestre, a Irani avançou na execução da Plataforma Gaia, com a conclusão da parada e o startup da MP#5 na primeira semana de março. A máquina segue em fase de ramp-up, com expectativa de captura gradual dos retornos previstos. O Projeto Gaia XI passou ainda a contar com financiamento do BNDES, com prazo de até 20 anos, reforçando o acesso da companhia a linhas de longo prazo para investimentos em modernização, eficiência operacional e inovação.



