Durante conferência com analistas realizada nesta quarta-feira, 6 de agosto, um dia após a divulgação dos resultados do 2T25, o presidente da Klabin, Cristiano Teixeira, definiu o atual cenário da companhia como um “momento de colheita”. Segundo o executivo, os resultados positivos refletem diretamente os investimentos robustos realizados ao longo dos últimos anos, sobretudo nas máquinas MP27 e MP28, que agora operam com plena capacidade e alta competitividade nos mercados globais.
“A Klabin está colhendo os frutos de um forte ciclo de investimentos que nos posicionou de forma diferenciada no setor. Estruturação industrial, flexibilidade de portfólio e eficiência operacional fazem parte da base que construímos para enfrentar qualquer cenário macroeconômico”, afirmou o executivo.
Teixeira destacou que o desempenho das máquinas MP27 e MP28 tem sido fundamental, com produção voltada tanto para cartões de alto valor agregado quanto para kraftliner de gramaturas competitivas. Juntas, essas duas linhas somam aproximadamente 1 milhão de toneladas de capacidade produtiva, o que permitiu à Klabin acessar mercados exigentes como América Central, China e Filipinas, consolidando a presença internacional da companhia.

Monte Alegre: modernização para ganhos futuros
O executivo apontou a importância da modernização da unidade de Monte Alegre, que passa por uma transformação com a substituição da caldeira. Segundo ele, a mudança tornará o site um “estado da arte” em termos industriais, reforçando a competitividade da companhia a partir da atualização de processos e aumento de eficiência energética. “A nova caldeira é mais uma etapa fundamental dessa trajetória de investimentos. Quando concluída, ela colocará Monte Alegre entre os complexos industriais mais modernos do setor”, afirmou.
Investimentos estratégicos estruturam a nova fase
Teixeira ainda ressaltou o papel de projetos-chave no fortalecimento da companhia:
- Projeto Puma (Ortigueira, PR): maior investimento da história da Klabin, o complexo industrial abriga as máquinas MP27 e MP28, voltadas à produção de papéis para embalagens e cartões de alto valor agregado. Com tecnologia de ponta, o Puma consolidou a empresa como referência em eficiência e sustentabilidade. A MP 27, iniciada em agosto de 2021, tem capacidade anual de 450 mil toneladas de kraftliner (Eukaliner®), produzido com 100 % de celulose de eucalipto. Já a MP 28, em operação desde junho de 2023, possui capacidade anual de 460 mil toneladas de papel-cartão, com flexibilidade para produzir kraftliner e white top liner.
- Projeto Figueira (Piracicaba, SP): um dos parques fabris mais modernos e automatizados do mundo em conversão de papelão ondulado. O site conta com onduladeiras de alta performance, logística integrada e baixo custo de conversão, além de reforçar a presença da Klabin junto a grandes contas e no mercado interno.
- Projeto Caetê (MG): aquisição de terras e florestas no sul de Minas Gerais, voltada ao suprimento estratégico de fibra longa. O projeto reforça a autossuficiência da Klabin nesse insumo essencial para a produção de papéis de alta qualidade, ao mesmo tempo em que abre oportunidades futuras de monetização ou expansão.
“O diferencial da Klabin está na combinação entre ativos florestais, tecnologia, pessoas e estratégia. Hoje temos a melhor estrutura de custos do mundo, e isso é resultado de planejamento e execução consistente”, reforçou Teixeira.
Papelão ondulado segue como destaque
Outro ponto relevante abordado foi o segmento de papelão ondulado, que vive um ciclo de crescimento sustentado. “Estamos indo para o oitavo ano consecutivo com aumento real de preços no papelão ondulado, acima da inflação. Isso reflete nossa estratégia de integrar conversão e papéis de forma a proteger margens e entregar valor aos nossos clientes e acionistas”, disse o executivo.
Ele ainda destacou a importância da aquisição da operação da International Paper no Brasil para fortalecer a presença nesse mercado, realizado em 2020. Com um investimento de R$ 330 milhões nos negócios de papéis para embalagens e embalagens de papelão ondulado, a Klabin alcançou no período 23,9% de participação no mercado doméstico. Os ativos adquiridos estão localizados em São Paulo, Goiás e Amazonas.

Tarifaço com impacto anulado
O executivo também comentou os efeitos do recente aumento tarifário dos Estados Unidos, que impactou especialmente o mercado de sacos industriais. Segundo ele, embora tenha havido uma perda inicial de cerca de 2% do volume direcionado a esse mercado, a Klabin rapidamente redirecionou esse excedente para outras regiões que antes não podiam ser plenamente atendidas, compensando integralmente o impacto.
“O tarifaço não afetou a Klabin. Nosso modelo de negócios, altamente flexível, permitiu que readequássemos nossa distribuição sem prejuízo de volume ou rentabilidade. Essa capacidade de resposta rápida é um dos diferenciais estratégicos da companhia”, destacou.
Foco em geração de caixa e sem novos investimentos à vista
Com forte geração de caixa, estrutura de capital robusta e níveis saudáveis de liquidez e alavancagem, a empresa agora direciona esforços para a eficiência operacional e retorno aos acionistas. O CEO foi categórico ao afirmar que não há novos investimentos no radar no curto prazo. “Nos próximos dois anos, o foco absoluto será na geração de fluxo de caixa livre. Estamos no início de um ciclo virtuoso, e os resultados já demonstram isso.”



