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Panorama 23/24 – Os Desafios São Globais, Mas o Brasil Seguirá Bem Posicionado

O Brasil seguirá bem posicionado no mercado internacional de papel e celulose para atender um consumidor cada vez mais antenado e exigente

Panorama da Economia

Notícia continua após o anúncio

Segundo o Banco Mundial, a economia global ainda sente os choques decorrentes da pandemia da Covid-19, da invasão da Ucrânia pela Rússia e da política monetária restritiva diante da pressão inflacionária persistente. A recuperação entre as principais economias foi acima do esperado no primeiro trimestre de 2023 devido à reversão da política de “covid zero” na China e o consumo resiliente nos Estados Unidos, porém, o ritmo tem diminuído ao longo do ano principalmente devido à manutenção das elevadas taxas de juros adotadas pelos bancos centrais somada às restrições de crédito. O Banco Mundial está estimando para o período entre 2023 e 2024 um crescimento entre 2,1 e 2,4%, que é inferior aos crescimentos históricos da década anterior à pandemia.

De forma geral, a perspectiva é que a inflação global desacelere à medida que a atividade perca ritmo e os preços das commodities permaneçam estáveis. O mais recente relatório do Banco Mundial estima que a economia global deva expandir 2,1% em 2023, ganhe um leve fôlego em 2024 (2,4%) e acelere em 2025 (3,0%).

Por:
Manoel Rodrigues Neves – Gerente de Estudos Econômicos da Pöyry Tecnologia Ltda.
Maurício Porto – Consultor de Mercado Sênior da Pöyry Tecnologia Ltda.

A INDÚSTRIA DE CELULOSE E PAPEL NO BRASIL

Panorama do mercado de Celulose e Papel

A indústria respondeu a essa flutuação com paradas programadas mais longas e desativações/vendas de plantas menos produtivas (situação observada principalmente na Europa e nos EUA) com o intuito de conter a redução dos preços. A pressão de custos também impacta essas decisões. A cadeia de suprimentos, cujo desarranjo atingiu seu pico do começo de 2022, tem gradativamente regularizado a oferta e iniciou 2023 com preços em níveis mais próximos aos pré-pandêmicos. Os preços dos insumos e custos de frete marítimo caíram no último ano, mas ainda não retornaram aos custos praticados antes da pandemia.

Apesar dos desafios conjunturais, existem fundamentos para acreditar no crescimento sustentado do setor a longo prazo (tais como sustentabilidade; crescimento demográfico; mudança no hábito dos consumidores; surgimento de novas tecnologias). O mercado global de celulose seguirá em expansão, alimentado pelo crescente uso de fibra virgem de madeira em papéis tissue e produtos para a higiene e o rápido crescimento do uso de embalagens à base de celulose utilizadas no setor e-commerce, que veio para ficar. A indústria de fibras têxteis artificiais deverá impulsionar o mercado de celulose solúvel.

Tendências para a Indústria de Celulose

Megatendências globais obrigam a indústria de celulose e papel a diversificar, enquanto as preocupações ambientais e as preferências do consumidor apoiam seu crescimento.

  • TENDÊNCIAS DEMOGRÁFICAS: Crescimento populacional, expansão da classe média e urbanização aumentam a demanda por celulose.
  • TENDÊNCIAS REGULATÓRIAS: Legislação favorável ao clima e crescente polarização mudando o ambiente de negócios.
  • TENDÊNCIAS ECONÔMICAS: Crescimento da economia mundial combinado com aumento da atividade fabril e do consumo em regiões emergentes.
  • TENDÊNCIAS DO CONSUMIDOR: Mudanças nos hábitos de consumo tais como o aumento da consciência ambiental, criam demanda por celulose.
  • TENDÊNCIAS AMBIENTAIS: Emergência climática exige ações concretas e transparência das empresas.
  • TENDÊNCIAS TECNOLÓGICAS: A digitalização reduz a necessidade de impressão e possibilita acelerar a produção e ao mesmo tempo melhorar a qualidade.

IMPACTO NOS MERCADOS GLOBAIS DE CELULOSE

O mercado de soluções renováveis e recicláveis ganha importância. No futuro, soluções baseadas com uso de celulose a partir de florestas plantadas deverão ser encontradas em quase todos os tipos de produtos, tais como embalagens, têxteis, produtos químicos, materiais de construção, geração de energia e combustíveis.

A digitalização pressiona a mídia/produtos impressos, o que pode ser observado no declínio do consumo dos papéis de Imprimir e Escrever. Simultaneamente, a digitalização possibilita acelerar a produção e ao mesmo tempo melhorar a qualidade.

A busca pela Sustentabilidade e avanços tecnológicos tem atraído investimentos para desenvolver embalagens de papel com novas barreiras. Os donos de marcas, em especial os players com presença global que assumiram metas de substituição de plásticos de uso único para 2025, têm aumentado seu interesse na busca por alternativas para substituição de embalagens plásticas por embalagens em papel que sejam monomaterial, recicláveis ou compostáveis.

Existe alta disposição para colaboração entre os participantes da cadeia para o desenvolvimento de soluções baseadas em papel. A sinergia entre os elos da Cadeia de Suprimentos será fundamental para melhorar a performance e reduzir custos dos papéis com novas barreiras.

Crescimento do Consumo Global de Papel

Segundo as Nações Unidas, a população mundial está projetada para chegar a 8,8 bilhões de pessoas em 2035. O crescimento populacional deverá concentrar-se nas regiões emergentes, sendo a África Subsaariana a com maior aumento populacional relativo.

A expansão populacional, o aumento das classes médias nos países e investimentos em educação são drivers consolidados para as próximas décadas, principalmente nos continentes africano e asiático.

Ao mesmo tempo, a expectativa de vida e urbanização continuarão em expansão. De acordo com as Nações Unidas, menos de 30% da população mundial vivia em cidades na década de 1950 – já hoje, cerca de 55% vivem em zonas urbanas, e a organização estima que chegue a quase 70% da fração global em 2050.

A urbanização está intimamente associada à geração de resíduos, favorecendo as perspectivas para as indústrias de papel que dependem do fornecimento de aparas em seus processos.

O crescimento de consumo de papel na última década variou consideravelmente entre regiões. Enquanto na Europa, na América do Norte e Japão o consumo diminuiu entre 2014 até 2021, o consumo na China aumentou no mesmo período.

Principais Produtores Mundiais de Papéis

A capacidade atual de produção de papéis no mundo é de 585 milhões de toneladas com destaque para papéis de embalagem e tissue.

Celulose de Mercado

As Celuloses Kraft de fibra curta Branqueada formam a maior parte do consumo de celulose de mercado para a produção de papéis.

Consumo de Celulose de Mercado por Região

China e Índia são as forças motoras que impulsionam o crescimento global da celulose para mercado no longo prazo.

A Ásia como um todo contribui em 2021 com cerca de 51% do consumo global, tendo como principal país consumidor a China.

A China isoladamente consome 37% do mercado global de celulose, superando regiões como a Europa (27%) e a América do Norte (11%).

Principais Empresas Produtoras de Celulose para Mercado para papel

As quatro maiores produtoras são responsáveis por cerca de 30% da capacidade de produção de celulose de mercado para papel.

A globalização das indústrias tem apresentado efeitos significativos no setor industrial de celulose e papel, levando ao crescimento do investimento nos países em desenvolvimento.

A América Latina é atualmente a região com maior produção de Celulose para Mercado para papel à base de madeira, fornecendo cerca de 40% da produção global.

Panorama do Mercado Brasileiro de Celulose

As importações brasileiras de celulose são pequenas em relação ao volume total produzido. É importante notar que as exportações têm crescido constantemente desde 2005. A evolução da produção e destinos da celulose brasileira entre 2005 e 2022 mostra que, do total produzido no Brasil, em 2005, 53% era exportado. Em 2022, essa participação cresceu para 77%, indicando uma forte tendência do setor em atuar no mercado externo. No período entre 2005 e 2022, a produção brasileira de celulose cresceu a uma taxa de 5,3% a.a.

A produção brasileira de celulose tem ampliado principalmente para a exportação, com um crescimento menor do consumo interno. Em 2022, na comparação com 2021, a produção aumentou 10,9%, o consumo aparente caiu -13,5% e a exportação subiu 22%. Esse movimento fez do Brasil o maior exportador de celulose do mundo no ano. Mesmo com um decréscimo grande do consumo aparente entre 2021 e 2022, o consumo aparente em 2022 ainda é superior ao período pré-pandemia (2019-2020).

Devido à competitividade de custo da celulose de eucalipto produzida no Brasil, existe um esforço tecnológico no sentido de substituir as celuloses importadas pela produção nacional, inclusive no mercado de caixas de papelão ondulado. O Brasil também está tornando-se destaque no mercado global de celulose solúvel, que é utilizada como matéria-prima na indústria farmacêutica, de alimentos e principalmente na indústria têxtil.

A produção de celulose fluff no Brasil é uma realidade, substituindo uma parte considerável das importações deste produto e passou a ser item de exportação na balança comercial brasileira. A Klabin ampliou a capacidade no segmento de papéis para embalagens com o startup em agosto de 2021 da MP27 do projeto Puma II, passando a produzir o inovador Eukaliner® (produto inédito no mundo, feito 100% a partir de fibras de eucalipto) que envolveu a construção de uma linha de fibras para produzir celulose não branqueada integrada a uma máquina de papel Kraft liner e Kraft liner Branco, com capacidade de 450 mil toneladas anuais. Prosseguindo aos planos de investimentos, no final do primeiro semestre de 2023 a Klabin lançou a MP28, que é uma nova máquina de papel-cartão com capacidade anunciada de 460 mil ton/ano.

Tradicionalmente, a Europa foi o mercado mais importante para as exportações brasileiras de celulose. Nos últimos anos, a China tem aumentado rapidamente o volume importado. Em 2016 a China passou a ser o principal comprador da celulose brasileira, superando a Europa. Em 2022, a China continuou como o principal comprador, mas em relação ao ano de 2020, a Europa aumentou o volume de compras.

A indústria brasileira de celulose mantém uma posição altamente competitiva no mercado global. A manutenção ou a melhoria dessa posição é decorrente de ações empresariais envolvendo múltiplas frentes, desde a racionalização e o gerenciamento florestal até a busca constante de novos caminhos inovadores em termos de processos de produção, novos produtos ao longo de toda a sua cadeia produtiva, ou até mesmo novos modelos de negócios.

Produção Brasileira e Consumo Aparente de Papel

Desde 2005, a produção brasileira de papel vem expandindo cerca de 1,7% a.a., e há uma estabilidade no consumo aparente nos últimos anos. O consumo aparente brasileiro de papel é historicamente bastante próximo da produção local. Nos últimos anos, contudo, a produção tem expandido, indicando maior abertura para o mercado internacional.

Em relação ao consumo aparente, o advento da Covid-19 aprofundou a baixa já observada desde 2015, quando o Brasil atravessava uma recessão econômica. Ainda que tenha se recuperado em 2021 e estabilizado em 2022, o consumo aparente retornou a valores próximos da média dos últimos 7 anos.

O consumo no mercado interno também deve ter influência nos próximos anos devido ao menor crescimento da população, como identificado nos dados relativos ao Censo de 2022/2023 recentemente divulgados pelo IBGE.

O aumento do Consumo Aparente em 2022 reflete em parte os dados do Censo Demográfico 2022/2023, mostrando que a população brasileira atual é de 203 milhões e ficou abaixo dos 213 milhões previsto para 2021; apresentando um crescimento de 6,5% na comparação com o Censo de 2010. Naquele momento, eram 190 milhões de residentes no país. Este crescimento é menor que o ocorrido nos últimos 70 anos. Já quanto à produção, ainda que tenha estabilizado no contexto da crise econômica brasileira, tem apresentado trajetória de crescimento no pós-pandemia.

O consumo per capita de papel no Brasil ainda está distante do observado em países europeus, bem como EUA, Canadá, Japão e Coreia, havendo espaço para crescimento nos próximos anos. O consumo per capita brasileiro cresceu 10 Kg entre 2005 a 2011, ficando praticamente estável entre 2011 e 2014, período em que o consumo per capita foi próximo a 50 kg/hab. Em 2015 e 2016 houve uma forte queda no consumo aparente, principalmente devido à queda geral do consumo e produção industrial no mercado doméstico. Atualmente, o consumo per capita brasileiro está em 45 kg/hab.

Do ponto de vista do comércio externo, houve estabilização das importações e aumento das exportações em 2022 – foi o maior volume de exportação de papel brasileiro dos últimos 17 anos. O Brasil exporta principalmente papéis de Imprimir e Escrever e Kraft liner, importando Papel Jornal, LWC, SC, CWF e outros tipos de papéis especiais.

Produção Brasileira de Papéis Segundo o Tipo

A produção total de papéis no Brasil em 2022 foi de 11 milhões de toneladas. Desse total, os papéis para embalagens corrugadas representam o principal tipo de papel produzido no país, com cerca de 56% do total. Na sequência temos os papéis para imprimir e escrever, com cerca de 20% do total.

As principais empresas produtoras de papel no Brasil são Klabin, Suzano, Sylvamo, CMPC e WestRock, responsáveis por 49% da capacidade instalada. No primeiro semestre de 2023, a capacidade total do país era de 14 milhões de toneladas.

Os papéis tissue e para embalagens corrugadas no Brasil têm tido crescimento constante e próximo ou ligeiramente superior ao crescimento do PIB neste período. Nos últimos sete anos, a produção de papel jornal/”newsprint” reduziu a uma média de -0,4% a.a. Desde 2000, houve uma queda de -4,6% a.a. no volume produzido. A produção de papéis de I&E caiu -1,6% a.a. entre 2015 e 2022. Esse declínio foi acentuado pelo contexto pandêmico, que suspendeu as aulas presenciais e reduziu a presença em escritórios, reforçando uma tendência já observada desde 2010. Em 2022 o volume produzido seguiu em queda: -3,5% em relação a 2021.

Papéis para embalagens e aqueles destinados para fins sanitários apresentam as melhores expectativas de crescimento para a próxima década. A Pöyry estima uma taxa de crescimento acima do PIB para os papéis de fins sanitários e papéis para embalagens na próxima década.


Exportações Brasileiras de Papel por Região

Para o mercado de papéis, a América Latina é o destino de mais da metade das exportações brasileiras. O total das exportações de janeiro a dezembro de 2022 gerou receita de US$ 2.700 milhões. Em 2022 houve uma expansão mais proeminente das exportações para a América Latina, Europa, América do Norte e em menor intensidade para África, Ásia e Oceania. As exportações de papel para a China, contudo, apresentaram retração.


Perspectivas Futuras

Com o anúncio em 2017 e total proibição no começo de 2021, a China parou de importar aparas de papel para abastecer seu mercado interno […]

[…] O mercado de papel cartão também teve aumento da demanda neste período. A falta de aparas brancas e o crescimento da demanda tem incentivado a produção local de pastas mecânicas. Para 2023, o mercado vê um cenário relativamente mais desafiador […]

Mesmo em um cenário global desafiador, de baixo crescimento e afetado pela continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia, a indústria de papel e celulose permanece resiliente […]. O Brasil, alicerçado nos pilares da sustentabilidade e produção renovável, é referência e continuará a atrair investidores. Ainda que se estime um crescimento demográfico menos pronunciado para os próximos anos, segundo o Censo 2022, o país ainda possui janelas de oportunidade que tendem a gerar ganhos de produtividade […]

Leia o PDF abaixo na integra:

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