Há menos de duas semanas da data determinada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a aplicação da tarifa de 50% aos produtos brasileiros, o governo federal ainda não tem uma posição definida sobre a questão.
O impacto da tarifa anunciada por Trump afeta praticamente todos os setores da indústria brasileira, porém, em diferentes formas e escalas.
Os Estados Unidos são hoje o segundo maior mercado brasileiro, recebendo 12% do volume de papel exportado pelo Brasil (considerando os diversos tipos de papel: para impressão, Kraft, papelão entre outros), o que representa aproximadamente 30 mil ton/mês.
Enquanto em valor, o mercado americano detém uma parcela de 15% das exportações brasileiras, aproximadamente 35 milhões de dólares por mês (vide gráfico abaixo).

Embora aqui o mercado americano seja o segundo maior, assim como no caso da celulose, Marcio Funchal, administrador de empresas e fundador da Marcio Funchal Consultoria explica que no caso do papel, o cenário é mais pulverizado, já que o Brasil exportou para mais de 200 países nos últimos anos.

“Aqui o tipo de produto e a aplicação final são essenciais para definir o mercado de destino, por esse motivo, no caso do papel será muito mais complexo dar novo destino ao mercado americano perdido do que no caso da celulose”, diz Funchal. Além disso, Funchal aponta para outro agravante “No agregado, o produto exportado aos EUA tem preço médio superior àqueles enviados para outros países, o que complica ainda mais a situação”.

Diante deste cenário, representantes de diversos setores da indústria reuniram-se na última quarta-feira (15) com o vice-presidente e ministro do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Geraldo Alckmin, pedindo que o governo federal negocie o adiamento da aplicação da tarifa de 50% anunciada pelo presidente Donald Trump e manifestando-se contra a retaliação das taxas por parte do Brasil, com base na Lei da Reciprocidade Econômica.
Na ocasião, o presidente da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), Paulo Hartung, afirmou que, neste momento é fundamental evitar bravatas e apostar na negociação e na diplomacia.
Na última quarta-feira (16) o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, comandou outra reunião, desta vez com a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), também participaram da reunião várias empresas norte-americanas com operações no Brasil que declararam seu apoio ao Brasil para reverter as tarifas de Trump.
Leia aqui sobre os impactos que a tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros pode afetar o setor de celulose no Brasil



