A Estratégia e Gestão deste mês (Julho/26) traz um recorte da evolução de indicadores setoriais medidos pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O objetivo central deste tipo de análise é avaliar o desempenho setorial das cadeias produtivas ao longo de uma janela temporal.
Na presente comparação, eu selecionei a Indústria de Celulose e Papel, a Indústria de Móveis, a Indústria de Produtos de Madeira e a Indústria da Transformação. Os itens medidos pela CNI são o Faturamento Real (já descontado o efeito inflacionário), as Horas Trabalhadas, a Quantidade de Postos de Emprego, a Massa Salarial Real (já descontada a inflação oficial) e a Utilização da Capacidade Instalada.
A primeira análise é sobre a Evolução do Faturamento Setorial (ver Figura 1). Aqui é fácil perceber que a Indústria de Celulose e Papel vem perdendo capacidade de gerar riqueza, como já venho alertando há alguns anos, já que, na média, o faturamento real hoje é aproximadamente 25% menor do que era há 4,5 anos. A Indústria de Produtos de Madeira é a que apresenta a situação mais traumática, dentre as selecionadas.
Na Figura 2 temos os dados de Horas Trabalhadas na Produção Industrial. Aqui vemos que a Indústria de Celulose e Papel segue um ritmo similar ao da Indústria da Transformação, com crescimento modesto ao longo do período. Quem foge da regra é a Indústria de Móveis, com ritmo de trabalho inferior às demais, apesar de certa recuperação nos meses mais recentes.
No tocante aos Empregos (Figura 3), a Indústria da Transformação mostrou uma tendência de manutenção no período escolhido. Já os números da Indústria de Celulose e Papel apontam para uma expansão da base de trabalhadores (cerca de 12% no período). No sentido oposto, as Indústrias de Móveis e de Produtos de Madeira amargam retração do números de postos de trabalho (ambas somando cerca de 10%).
A Figura 4 reúne os dados da evolução da Massa Salarial. Aqui é interessante notar o efeito sazonal dos salários no final de todos os anos. No acumulado do período, apenas a Indústria de Celulose e Papel apresentou crescimento real (aproximadamente 15%). A Indústria de Móveis teve a maior redução: quase 30%.
A última variável selecionada é a Utilização da Capacidade Instalada. A Figura 5 mostra que, na média, a Indústria da Transformação vem se mantendo “aparentemente” regular ao longo de todo o período, apesar de mostrar sinais de enfraquecimento da atividade a partir do 2º semestre de 2025. Até 2023, a média de utilização foi de 79,5%. De 2024 em diante, a média caiu para 78,3%.
Por outro lado, é nítido que a taxa média de utilização da Indústria de Celulose e Papel vinha sendo superior às demais cadeias produtivas (este comportamento é verdadeiro há décadas). Até 2023, a taxa média de utilização era de quase 92%, algo excelente. Contudo, é preocupante ver o comportamento irregular dessa indústria, a partir de 2024, onde se tem enorme flutuação do nível de atividade e apontando para retração continuada para os próximos períodos. A partir de 2023, a taxa média de utilização caiu para 84,7%. Neste período, houve picos da ordem de apenas 65% de atividade, que é muito elevado para um setor fortemente atrelado à saúde da economia como um todo.
As Indústrias de Móveis e de Produtos de Madeira demonstraram forte variação dos níveis de atividade ao longo da série histórica, mantendo o comportamento tradicional de décadas. A taxa média de utilização tem se mantido praticamente estável ao longo da série, apesar da flutuação elástica.



