América Latina: preços sob pressão em um mercado que perdeu tração

O mercado de papel na América Latina tem mostrado sinais cada vez mais claros de que a sustentação dos preços está se tornando mais difícil, e os aumentos esperados para o segundo semestre podem até acontecer, mas em níveis mais baixos do que os anteriormente projetados. A combinação de demanda fraca, oferta confortável e importações competitivas começa a pesar de forma mais visível no equilíbrio regional.

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Os preços ainda mostram alguma resistência em segmentos específicos, mas essa estabilidade parece cada vez mais frágil. Em boa parte dos casos, os níveis atuais já estão no limite do que os fundamentos de mercado conseguem sustentar. Sem uma recuperação mais consistente da demanda, o espaço para ajustes negativos nas projeções de alta de preços se amplia, e os repasses de custos podem se tornar apenas um cenário de estagflação de preços.

A dinâmica de custos reforça esse quadro. Houve algum alívio nos custos industriais ao longo do ano, mas isso não se traduziu em ganho de margem. Pressões em fibra, logística e insumos continuam presentes e vão sendo absorvidas ao longo da cadeia, reduzindo gradualmente a rentabilidade.

Os indicadores de mercado apontam para um equilíbrio apertado, especialmente no containerboard e nos papéis gráficos. Os aumentos recentes tiveram impacto limitado e, em muitos casos, refletiram apenas repasses parciais de custos. A baixa liquidez ao longo do semestre também sugere um mercado sem convicção, com pouco volume sustentando os níveis de preço.

Esse ambiente já começa a provocar reações. Ajustes de capacidade e maior disciplina de oferta aparecem pontualmente, indicando um setor mais focado em preservar as margens do que em expandir a produção.

Os dados regionais seguem na mesma direção. A produção perde ritmo na maioria dos países, enquanto o consumo cresce muito lentamente. A América Latina continua em crescimento, mas em um patamar baixo, sem força para alterar o equilíbrio do mercado no curto prazo.

O resultado é um cenário de pressão gradual. Preços mais expostos, margens comprimidas e um mercado que segue operando com pouca tração ao longo de 2026.

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Rafael Barisauskas
Rafael Barisauskas ingressou na Fastmarkets em 2019 como economista para a América Latina, analisando os mercados regionais de celulose, papel e embalagens, além da cobertura econômica para a região. Rafael trabalha com projeções econômicas desde 2013, acumulando um vasto conhecimento em comércio de commodities e organização industrial. Além disso, Rafael também atua como professor universitário de economia na FECAP (Brasil). Ele é mestre em Economia pela universidade KU Leuven, na Bélgica, focando sua pesquisa em análise das cadeias globais de valor na indústria de papel e celulose. Rafael Barisauskas joined Fastmarkets in 2019 as the Latin America economist, analyzing the regional pulp, paper, and packaging markets as well as the local economies. Having worked on economic forecasts since 2013, Rafael has a deep understanding of the global commodities trade and industrial organization. Rafael also works as an Economics Professor at FECAP University (Brazil), and he has a Master's degree in Economics from KU Leuven in Belgium, focusing his research on global value chain analysis in the pulp and paper industry.

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