Embalagens: setor cresce e começa o ano com grandes expectativas

Mesmo com incertezas, setor projeta crescimento de 4,3% na expedição de papel ondulado

A produção de papel ondulado para embalagens teve seu boom no ano de 2020, marcado pelo início da pandemia de Covid-19. Após uma queda na produção no ano de 2021, o mercado vem em uma crescente tendo batido o recorde de 4,2 milhões de toneladas de papelão ondulado expedidas em 2024, de acordo com dados da Associação Brasileira de Embalagens em Papel – EMPAPEL.

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Esses números estão diretamente ligados principalmente ao setor do agronegócio, que teve um crescimento de 9,9% nas exportações no ano de 2024, e ao setor de alimentos processados, que aumentou sua exportação em 24,1%.

Olhando para o consumo aparente, o papel ondulado teve alta de 4,9%, passando para 5,1 milhões de toneladas estimadas, enquanto o consumo de outros tipos de embalagens de papel cresceu 2% para 1,7 milhão de toneladas, aponta Rafael Barisauskas, economista para a América Latina na Fastmarkets e professor de Economia na FECAP.

O ano de 2025 começou marcado pela instabilidade financeira, não apenas em âmbito nacional, mas em âmbito global. Diversos fatores, com destaque para a entrada de Donald Trump na presidência dos Estados Unidos e as medidas econômicas anunciadas por ele, influenciaram nesse cenário.

Mesmo diante do novo contexto, de acordo com Pedro Vilas Boas, diretor da Anguti Consultoria, as novas tarifas de importação dos Estados Unidos tendem a ser benéficas para o Brasil, impactando no aumento das exportações de embalagens de papel enviadas ao exterior.

Neste sentido, Barisauskas indica que a recente piora do ambiente político-econômico deve impulsionar ainda mais os envios ao exterior, já que a taxa de câmbio subiu só em dezembro, 5% ante novembro em meio à piora das expectativas dos agentes econômicos em relação à economia local. Com isso, o setor projeta um crescimento de 4,3% na expedição de papel ondulado.

“Para 2025, esperamos continuidade da desvalorização cambial, com as taxas de câmbio ficando em R$6,32/USD na média do ano, mas com espaço para subir ainda mais caso o ambiente político-econômico interno sofra ainda mais”, destaca Barisauskas.

Expectativas para o mercado de embalagens na visão das fabricantes Paraibuna Embalagens e Mazurky

A visão para o ano também é positiva para as empresas de embalagens, “A expedição de embalagens no Brasil deve manter um crescimento sólido, impulsionado pelo e-commerce, pelo agronegócio e pela busca crescente por soluções sustentáveis”, afirma Atala Trepichio, diretor da divisão Ondulado da Paraibuna Embalagens.

Além da busca por soluções sustentáveis, Eduardo Mazurkyewistz, diretor do Grupo Mazurky, enxerga novas oportunidades para o mercado. “As embalagens deixaram de ser apenas um produto que condiciona outro. Elas passaram a ter outras funções, como fonte de mensagens, anúncios patrocinados e até uso decorativo”, diz.

“Estamos investindo na transformação do papelão em um meio de comunicação eficaz e sustentável. Isso inclui a ampliação da capacidade produtiva e a diversificação do portfólio para atender novos segmentos”, explica Eduardo.

Foi pensando nesse novo olhar que a Mazurky investiu em uma impressora digital vinda da Espanha, com tecnologia inédita na indústria de embalagem do Brasil, que reproduz, na íntegra, as cores de qualquer marca no papelão, papelão branco, cartão, inclusive no kraft, resultando em imagens com qualidade de fotografia.

Já a Paraibuna Embalagens tem focado na ampliação da capacidade de produção e o atendimento mais veloz de seus clientes, tendo investido na modernização das máquinas onduladeiras das unidades de Juiz de Fora (MG) e Sapucaia (RJ).

Além disso, segundo Luiz Augusto, gerente comercial da divisão Ondulado da Paraibuna, foram instalados em Juiz de Fora, equipamentos como o Facão, a Vincadeira e a Tesoura Rotativa, enquanto em Sapucaia, novos dispositivos como cabeçotes, vincadeiras e emendadores.

Enquanto isso, as projeções da Fastmarkets para os setores-chave para a indústria de embalagens de papel, apontam para crescimento: 3,1% no abate interno de animais no Brasil, que deverá suprir tanto o mercado interno quanto os envios ao exterior de proteína animal, que, por sua vez, devem crescer 3,6% em relação ao ano passado. Já as exportações de alimentos devem aumentar outros 9,3% em 2025, também impulsionadas por rendimentos atraentes em dólares advindos do mercado externo.

“Esperamos que o mercado brasileiro de embalagens continue crescendo em 2025, impulsionado pelo consumo interno, principalmente do agronegócio e das exportações, favorecidas pelo câmbio desvalorizado. Apesar das incertezas econômicas e políticas, e dos riscos de queda no consumo das famílias devido à inflação e juros elevados, o impacto geral no mercado de papelão ondulado permanece positivo”, conclui Barisauskas.

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Fernanda Capo
Advogada formada na Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Jornalismo Digital pela Fundação Casper Líbero.

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