O Lado Certo Da Equação

As mudanças climáticas têm impulsionado a implementação de uma agenda ESG consistente por parte das empresas, governos e outros setores. Pensar em alternativas que mitiguem os seus impactos é primordial e uma questão de sobrevivência para o setor florestal, já que a sua relação com o meio ambiente é indissociável. Somos um setor de capital natural que, antes de pensar em produtos, venda e lucro, tem que pensar no “Bio” – na madeira que vem das florestas plantadas e certificadas, que é uma matéria-prima de base renovável e sustentável. A biomassa das árvores que cultivamos é uma importante alavanca para a substituição de materiais de origem fóssil, traçando um caminho sólido rumo à bioeconomia.
 
A partir dessa perspectiva, costumo afirmar que o nosso setor está do lado certo da equação quando o assunto é criação de soluções transformacionais e sustentáveis para a sociedade. Mas para que isso resulte em valor compartilhado, a sustentabilidade não pode ser tratada como uma estratégia à parte. Ela precisa ser, cada vez mais, inerente à estratégia do negócio, gerando diferencial competitivo para as empresas, além de ganhos ambientais e sociais. Essa abordagem, contudo, exige uma profunda transformação na forma como produzimos.
 
Para avançarmos de forma significativa na agenda ESG, precisamos fazer diferente do que foi feito até hoje. E um pilar-chave nesse processo de transformação é a inovação, uma vez que grande parte das soluções para um mundo melhor e mais sustentável não estão prontas. Para inovar de forma contínua e consistente, as empresas precisam ter um ambiente organizacional favorável ao surgimento e crescimento de novas ideias. Como estou no setor florestal há mais de 30 anos, vou me permitir fazer uma analogia: assim como a polinização cruzada entre árvores diferentes gera mais variabilidade (matéria-prima para a seleção de indivíduos melhores), na minha opinião, ambientes mais leves e com elevada segurança psicológica tendem a promover mais facilmente o “cruzamento” das ideias, como se fosse numa floresta.
 
Na Suzano aprendemos, por exemplo, que os especialistas que atuam na frente de melhoramento genético são beneficiados pela troca de informações com quem desenvolve soluções para os produtos finais. E vice-versa. 
Essa interconexão gera ganhos sistêmicos para a organização. E não precisamos esperar apenas pela “grande ideia!”. Em um ambiente favorável à inovação, é a soma das pequenas ideias que vai gerar uma grande transformação. É com essa abordagem que esperamos desenvolver as soluções para os 15 Compromissos para Renovar a Vida – metas de longo prazo que assumimos até 2030. Entre eles, temos:
 
• Conectar, por meio de corredores ecológicos, 500 mil hectares 
de fragmentos de Cerrado, Mata Atlântica e Amazônia;
• Disponibilizar 10 milhões de toneladas de produtos de origem 
renovável, que possam substituir plástico e outros derivados 
do petróleo; 
• Tirar 200 mil pessoas da linha de pobreza nas nossas áreas de 
atuação.
 
Temos consciência do quão ambiciosos são esses Compromissos, e não há solução pronta para alcançar o que foi proposto – não é plug and play. Temos trabalhado a partir da inovabilidade, que é a inovação a serviço da sustentabilidade, para definir o nosso caminho até esses objetivos. A inovabilidade tem permeado todas as áreas do negócio. A partir dela, temos ampliado a nossa rede de parcerias e colaboração, seja com organizações da sociedade civil, startups, academia, centros de pesquisa e empresas concorrentes, do nosso e de outros setores. 
 
Contamos com o apoio e orientação do Conselho de Administração, dos Comitês de Estratégia, Inovação e Sustentabilidade e da Diretoria Executiva, além dos 42 mil colaboradores diretos e indiretos da Suzano, que abraçaram a missão de trazer a inovabilidade para o dia a dia da companhia e de disseminá-la por toda a nossa cadeia de valor. Esse esforço, que é parte integrante do nosso planejamento estratégico, nos rendeu, recentemente, um importante reconhecimento: a Suzano foi eleita a empresa mais inovadora do Brasil pelo 
Prêmio Valor Inovação 2023.
 
A inovabilidade cria as bases para plantarmos um futuro cada vez melhor.
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Fernando Bertolucci
Diretor Executivo de Sustentabilidade, Pesquisa e Inovação da Suzano e Vice-Presidente do Conselho Executivo da ABTCP

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