Setor florestal pode ser protagonista no mercado de carbono

Rabobank aponta que os setores florestal e de papel e celulose têm o potencial para se tornarem atores relevantes no mercado voluntário de crédito de carbono como emissores de créditos NBS ("nature-based solutions" ou soluções baseadas na natureza) nos próximos anos

Estudo conduzido pelo banco Rabobank sobre o mercado voluntário de carbono, o Voluntary carbon market and the forestry sector: Opportunities and challenges ahead revela que existem vários obstáculos a ultrapassar antes desse mercado poder realmente acelerar e atingir o seu potencial. Realizado por Andres Padilla, analista de Celulose do Rabobank Brasil, ele afirma que as empresas dos setores florestal e de papel e celulose têm o potencial para se tornarem atores relevantes no mercado voluntário de crédito de carbono como emissores de créditos NBS (“nature-based solutions” ou soluções baseadas na natureza) nos próximos anos.

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Inclusive, de acordo com estimativas da McKinsey e de outras consultorias, a demanda potencial por NBS pode chegar a US$ 50 bilhões até 2030. Essa estimativa coloca o Brasil e a Indonésia como os dois maiores locais possíveis para projetos NBS, dadas as florestas existentes e a disponibilidade de terras para conversão em projetos, com cada país representando cerca de 15% da oferta teórica total.

A demanda potencial por NBS pode chegar a US$ 50 bilhões até 2030.

Dentre as oportunidades para o setor florestal no mercado voluntário de crédito de carbono estão a possibilidade de reflorestar, proteger e preservar grandes áreas de florestas nativas, convertendo pastagens degradadas em novas florestas e estabelecendo parcerias com agricultores e outras entidades do setor privado; a geração de créditos de carbono NBS certificados de alta qualidade, que podem ser vendidos no mercado voluntário para empresas que buscam compensar suas emissões de GEE; e a possibilidade de se tornar financeiramente sustentável por meio da emissão de créditos de carbono NBS 2.

Contudo, o estudo também aponta os principais obstáculos que as empresas enfrentam ao desenvolver projetos de crédito de carbono fora de suas operações diárias, que incluem: a falta de um marco legal definido em alguns países, o que leva as empresas a postergar investimentos em projetos de crédito de carbono em maior escala; a falta de uma norma global oficial para certificar todos os créditos, o que pode levar a divergências entre as agências de certificação e prejudicar a qualidade e transparência dos créditos; a necessidade de seguir critérios rigorosos de adicionalidade, verificação e controle para garantir a efetiva redução de emissões de GEE e sequestro de carbono; e os riscos adicionais trazidos por eventos climáticos extremos, que podem adicionar custos aos projetos e frustrar os compradores.

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