Por Manoel Manteigas de Oliveira – Dentre os incontáveis bens de que a humanidade precisa e que são regularmente produzidos e distribuídos, um dos mais importantes é a embalagem, que contém quase todos os outros! O mercado mundial de embalagens saltou de um total global de US$ 861 bilhões em 2014 para US$ 891 bilhões em 2018. A estimativa é que tenha alcançado cerca de US$ 1 trilhão em 2024¹.
Embora muitos influenciadores defendam que o impacto ambiental das embalagens é danoso, o fato é que sem elas muitos bens se estragariam no armazenamento e no transporte, o que acarretaria desperdícios dos recursos empregados na sua fabricação e logística, o que, obviamente, também seria prejudicial ao meio ambiente.
De qualquer forma, a crise ambiental – poluição, contaminação de ecossistemas, mudanças climáticas etc. – impõe desafios a todos os setores da economia, e as embalagens acabam sendo muito visadas. O desafio do setor é projetar e produzir embalagens com o menor impacto negativo possível, ou seja, que sejam fabricadas com base em matérias-primas renováveis, sejam reutilizáveis, efetivamente recicladas e biodegradáveis.
As embalagens celulósicas são vantajosas em todos esses quesitos – provêm de árvores cultivadas e de fibras recicladas e podem ser reutilizadas (embora não indefinidamente e não em todos os casos). Sua taxa de reciclagem é das mais elevadas (64% no Brasil²), e o papel, cartão e papelão são biodegradáveis. Assim, vêm sendo reconhecidas como uma opção mais sustentável.
No entanto, para conquistarem mais espaço as embalagens à base de papel precisam ser projetadas de modo a preservar suas qualidades benéficas ao meio ambiente e incorporar novas soluções de barreiras que aumentem sua capacidade de proteção.

Recentemente, Empapel, IBÁ e Two Sides organizaram a 5.ª edição do webinar “Embalagem de Papel, a Escolha Natural”, que mostrou tendências e cases de inovação muito atuais e alinhados com a busca por mais utilização da celulose nas embalagens. O tema deste ano foi “Robustez e versatilidade a toda prova”.
O evento contou com a participação de Ian Bates, consultor da Blu8 para inovação de embalagens; Louise Werner, diretora do Grupo Pernod Ricard; e Tiago Vasconcelos Duenha, especialista em sustentabilidade da Arcos Dorados (McDonald’s). A mediação foi conduzida pela jornalista Paulina Chamorro, reconhecida por sua atuação em temas ambientais e colaboração com veículos como National Geographic Brasil, GO Outside e O Eco.
Ian Bates falou sobre as tendências de mercado para as embalagens de papelcartão, adiantando resultados de estudos que ainda serão publicados até o final do ano. Louise Werner detalhou como foi o desenvolvimento de uma garrafa à base de papel, 100% renovável, para a Vodka Absolut. Por sua vez, Tiago Duenha expôs a estratégia de sustentabilidade da rede McDonald’s na América Latina, baseada na ampliação gradual do uso de embalagens e utensílios de papel nos seus restaurantes.
Os patrocinadores do evento foram a Expoprint, a Irani e a Papirus, sendo que as duas fabricantes de papelcartão apresentaram cases de inovação que já colocam à disposição do mercado. O webinar pode ser assistido na íntegra no YouTube e é indispensável para quem tem interesse no assunto.
Acesse pelo site de Two Sides: https://twosides.org.br/
¹ “The Future of Global Packaging to 2024”, disponível em: https://www.abre.org.br/inovacao/mercado-mundial-de-embalagens-atingira-us-1-trilhao-em-2024/. Acesso em: 06 ago. 2024.
² Relatório Anual IBÁ, 2024.
Manoel Manteigas de Oliveira* – Diretor técnico de Two Sides América Latina
LEIA AQUI O ARTIGO PUBLICADO NA REVISTA O PAPEL – EDIÇÃO AGOSTO/25



