O setor papeleiro começa a conquistar a preferência do consumidor na hora de levar suas compras para casa. Em meio às discussões ambientais, bem como início das proibições legais do uso de sacolas plásticas em supermercados de várias regiões do Brasil, o nicho de sacos e sacolas de papel acena positivamente como oportunidade de ampliar os negócios do setor de papel para embalagem.
Faltava apenas estabelecer critérios mínimos para orientar a cadeia de produção do segmento a gerar produtos de qualidade, mais resistentes e adequados às necessidades de transportar as compras para casa, sem riscos de perdas pelo caminho. Para tanto, a ABTCP – Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel –, através do ABNT/CB 29 – Comitê Brasileiro de Celulose e Papel , instalou em 10 de novembro último a Comissão de Estudos (CE) de Normalização de Sacos e Sacolas de Papel para a Rede Varejista, em parceria com o ABNT/CB 23 – Comitê Brasileiro de Embalagem e Acondicionamento.
A iniciativa de instalar tal CE partiu da Bracelpa – Associação Brasileira de Celulose e Papel –, após confirmar a dimensão do mercado de papel para embalagem para sacos e sacolas de papel nas redes varejistas e também a demanda do consumidor por embalagens feitas a partir de matérias-primas mais sustentáveis que o plástico. “Faltava apenas a configuração ideal do material utilizado na produção destas sacolas para garantir a qualidade final”, pontuou Pedro Villas Boas, responsável pela área de estatísticas, produtos e reciclagem da Bracelpa.
As especificações de sacos e sacolas de papel de qualidade serão definidas a partir dos estudos desenvolvidos pelos dois Comitês, sendo que o ABNT/CB 29 indicará os formatos e o tipo de papel e o ABNT/CB 23 cuidará dos testes de desempenho dos produtos de papel no transporte das mercadorias dos supermercados pelo consumidor final.
Villas Boas será o coordenador destes trabalhos que contará com participação de empresas de diversos Estados brasileiros, como Paraná, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. “Quanto maior o número de representantes dessa cadeia de fabricantes e consumidores de papel para embalagem, melhor será a contribuição para se confeccionar um produto com papéis que sejam de qualidade, atendam ao consumidor final e, principalmente, colaborem para a preservação do meio ambiente”, pontuou Cristina Doria, secretária do ABNT/CB 29.
Forças maiores
“O assunto é de importância crucial”, frisa Eugênio Pacelli de Medeiros, vice-presidente da Assurn – Associação de Supermercados do Rio Grande do Norte –, afiliada da ABRAS – Associação Brasileira de Supermercados – e diretor-secretário do grupo Rede Mais Supermercados. Medeiros, que participou da reunião que marcou a abertura da Comissão de Estudos de Normalização de Sacos e Sacolas de Papel para a Rede Varejista, disse que o setor varejista “tem enfrentado muita pressão” do mercado em um momento em que o uso de sacolas plásticas se tornou alvo de discussão pelo consumidor consciente sobre os cuidados com o meio ambiente.
Na ocasião do encontro entre fabricantes de papel e empresários das grandes redes varejistas, também foram discutidas questões, como custos, segurança e os hábitos do consumidor no momento da compra. A partir destas considerações, Medeiros não acredita que a sacola plástica será substituída totalmente, pela praticidade do produto e cultura do brasileiro em utilizá-las como sacos de lixo, por exemplo. “Mas daremos ao cliente as duas opções de embalagem. Aqueles que possuírem maior esclarecimento sobre as questões ambientais irão optar pela sacola de papel”, acredita.
Sobre o CB 29
O Comitê Brasileiro de Celulose e Papel (ABNT/CB29) funciona dentro da ABTCP – Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel – e é responsável pela normalização do setor. É o órgão de planejamento, coordenação e controle das atividades na elaboração de Normas relacionadas com os assuntos de Celulose e Papel. Acesse mais informações em abnt.iso.org/livelink/livelink e saiba como participar do CB 29 e/ou CB 23
Leia mais:



