Demandas ambientais podem influenciar rotulagem de produtos de papel?

Demandas ambientais moldam rótulos de produtos de papel. Na década de 1990, mudanças no branqueamento eliminaram o cloro, reforçando a sustentabilidade

Demandas ambientais, principalmente se atendidas, levam a mensagens em rótulos de embalagens de produtos de papel, ou até no próprio produto. Fato que ocorre há tempos.

Notícia continua após o anúncio

Na década de 1990, o branqueamento de pasta celulósica procedente de processo químico era uma sequência de etapas, sendo a primeira a de “cloração”, que consistia no tratamento da pasta celulósica com cloro (Cl2). Este agente fragmentava a lignina, e esses fragmentos eram extraídos na etapa seguinte, em um tratamento com solução alcalina de hidróxido de sódio.

O efluente resultante da extração alcalina possuía uma quantidade grande e variada de organoclorados, que não eram retirados totalmente no processo de tratamento dos efluentes, contaminando as águas dos rios onde eram lançados.

Eliminar o cloro do processo de branqueamento foi um dos grandes desafios enfrentados pelos fabricantes de pasta celulósica química e questão largamente comentada e propalada na década de 1990, o que remetia à divulgação dos feitos de sucesso, quer em forma de artigos técnicos ou de mensagem nas embalagens ou nos produtos de pasta celulósica. Este foi o caso da editora britânica Wordsworth Editions, que no verso da folha de rosto de seus livros editados nessa década colocava uma mensagem aludindo que o papel de seus livros foi produzido sem o uso de cloro molecular (Cl2) e, ainda completava, também, sem o uso de energia vinda de combustível fóssil.

O interessante no caso da editora britânica Wordsworth é que, na década de 1990, ela era conhecida pelas suas edições de baixo custo, ou seja, livros vendidos por uma libra, tendo capa mole e sendo usados na impressão do miolo papel procedente de pasta de alto rendimento (papel jornal). No branqueamento de pastas de alto rendimento, nunca se usou cloro ou seus compostos, sendo o usual na época o emprego de ditionito de zinco.

Atualmente, não se usa cloro molecular (Cl2) nas sequências de branqueamento de pastas celulósicas químicas e tampouco nas de alto rendimento. Logo, mensagens sobre o uso de cloro, como o da editora Wordsworth, seriam desnecessárias.

Entretanto, mensagens iniciadas por movimentos ambientais ao longo do tempo podem se acumular a fim de evidenciar e demonstrar o atendimento a elas. A Figura 2 exemplifica bem este fato.

A questão da reciclagem se inicia com o movimento 3Rs da sustentabilidade (reduzir, reutilizar e reciclar), também da década de 1990, mas que adquiriu ao longo do tempo novos contornos e conceitos, como o da circularidade.

Os selos de manejo florestal referem-se ao fato de que a empresa se preocupa com a sustentabilidade da floresta, atendendo pontos sociais, ecológicos e econômicos. No caso do papel, esta certificação é obtida por cadeia de custódia. Os selos mais comuns são: FSC, PEFC e Cerflor, sendo os dois primeiros criados na década de 1990 e o último em 2002.

  • FSC, do Forest Stewardship Council, garante que a empresa está em conformidade com os padrões de qualidade e segue os princípios e critérios do Forest Stewardship Council.
  • PEFC, referente ao Program for the Endorsement of Forest Certification Schemes, assim como no caso do FSC, garante que a empresa está em conformidade com os princípios e critérios definidos por esse programa.
  • Cerflor, relacionado ao Programa Brasileiro de Certificação Florestal, garante que a empresa atende os critérios e indicadores prescritos nas normas elaboradas pela ABNT e integradas ao Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade e ao Inmetro.

A acreditação pela norma ABNT NBR ISO 14001 – Sistema de Gestão Ambiental denota que a empresa busca gerenciar suas responsabilidades ambientais de uma forma sistemática, que contribui para a sustentabilidade.

Muitos selos existem relacionados às questões de sustentabilidade e outros surgirão, com a evolução do conhecimento e da tecnologia e com a conscientização sobre a importância de preservar o meio ambiente, como, por exemplo, o Selo Verde criado pelo Decreto Presidencial N.° 12062, de 18 de junho de 2024, para produtos que atendam à sustentabilidade socioambiental e que terá regras ainda a serem delineadas pela ABNT.

É importante ressaltar que todos os selos mencionados, assim como outros que virão, devem estar direta ou indiretamente relacionados a parâmetros de medições, o que remete à metrologia.

avatar do autor
Maria Luiza Otero D'Almeida
Pesquisadora na Unidade de Tecnologias Regulatórias e Metrológicas do IPT

Últimas Notícias

Irani anuncia duas novas plantas de embalagens

Com Plataforma Neos, companhia mira dobrar market share em papelão ondulado, de 4% para 8%, apoiada em proteínas, e-commerce e embalagens sustentáveis

Suprema Corte dos EUA derruba tarifas recíprocas de Trump e impõe limites ao uso de poderes emergenciais na política comercial

Decisão retira sobretaxas aplicadas ao Brasil sob a IEEPA, mas mantém tarifas baseadas em outros instrumentos legais.

Acordo UE–Mercosul abre nova janela comercial para celulose, papel e madeira

Com o acordo, o setor ganha previsibilidade tarifária e ambiente institucional mais estruturado para acessar o mercado europeu, em meio à reconfiguração do comércio internacional.

Branded Contents

Swan do Brasil destaca inovação e confiabilidade em instrumentação analítica para o setor de celulose e papel

A instrumentação analítica Swan contribui diretamente para a otimização de processos

Fiedler Automação Industrial apoia projeto na Klabin e contribui para redução de 52% na perda de vapor em Telêmaco Borba (PR) 

Iniciativa na Unidade Monte Alegre da Klabin envolveu inspeções na rede de vapor e aplicação de soluções integradas para ganho de eficiência

Compartilhar

Newsletter

Mantenha-se Atualizado!

Assine nossa newsletter gratuita e receba com exclusividade notícias e novidades

Mais Colunas