Vou começar a coluna Estratégia e Gestão deste mês resgatando um bordão do superjornalista Sérgio Chapelin, lá nos idos dos anos 1990/2000, quando apresentava o programa Globo Repórter: “Como vivem? Onde comem? O que fazem?”. De tão sensacional, esta frase virou meme na internet.
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E é nesta “carona” linguística que escrevo, agora, sobre a Produção Mundial de Celulose e Papel: “Onde ocorre? Como se desenvolve? Como está atualmente?”.
A Figura 1 mostra que a produção mundial de celulose está bastante concentrada no Hemisfério Norte. Individualmente, os Estados Unidos possuem a maior capacidade mundial instalada e, por consequência, figuram como líder na América do Norte. Na Europa, a campeã é a Suécia (5ª no ranking mundial). Na Ásia, o destaque é a China (3ª no ranking global). Na América do Sul, a maior capacidade instalada é do Brasil (2º no ranking mundial), enquanto a Austrália (12ª maior produção mundial) é o destaque na Oceania.
A Figura 2 sintetiza que o crescimento recente da capacidade instalada da fabricação de celulose está ocorrendo apenas na América do Sul (Brasil, Chile e Uruguai) e na Ásia (China, principalmente). Nas demais regiões, dados mostram redução da capacidade instalada, principalmente em fábricas mais antigas, de menor porte e/ou de menor competitividade de custos.
Repetindo a análise agora para a fabricação de papel, papelão e demais produtos a partir desses dois, temos uma concentração ainda mais significativa nos países do Hemisfério Norte (ver Figura 3). Aqui, o líder mundial é a China (e por consequência, líder na Ásia), cuja capacidade instalada é quase o dobro do 2º maior competidor mundial, os Estados Unidos (também líder na América do Norte). Na Europa, o mérito fica com a Alemanha (4ª no ranking mundial). Na América do Sul, o destaque novamente é do Brasil (5º no ranking global), ao passo que, mais uma vez, a Austrália (21ª no ranking) é líder na Oceania.

Os dados da Figura 4 mostram que América do Sul e Ásia registram crescimento recente da capacidade de produção, cujos atores de destaque são, respectivamente, Brasil e China. O principal motivo da retração nas demais regiões, assim como ocorre na celulose, é a perda de competitividade das plantas industriais mais antigas.
A última análise que eu trago é o nível de atividade atual das indústrias escolhidas. No caso da fabricação de celulose (Figura 5), vemos que a Oceania possui a maior ociosidade das plantas industriais, ao passo que as fábricas localizadas na América do Norte estão em níveis operacionais superiores. Segundo essa fonte de dados, o Brasil opera hoje com aproximadamente 80% de utilização da capacidade instalada. Comparativamente, o líder mundial, Estados Unidos, opera atualmente na casa dos 82%.
Já a Figura 6 mostra que as fábricas de papel e papelão da Ásia estão rodando com maior intensidade, enquanto as localizadas na América do Sul estão com mais ociosidade. Conforme a mesma fonte de dados, a utilização atual da capacidade instalada do Brasil, neste segmento, é da ordem de 73%. O líder mundial, China, usa atualmente mais de 90% de sua capacidade instalada.



