Avaliação dos impactos do aumento da demanda por biomassa para bioprodutos na bioeconomia

Pesquisa avalia impactos da crescente demanda por biomassa florestal e propõe soluções para garantir sustentabilidade na transição para a bioeconomia

A Coluna Biomassa e Energia Renovável deste mês traz aos leitores informações sobre uma metodologia inovadora, com foco na demanda por biomassa florestal e sua sustentabilidade para bioprodutos na bioeconomia. O estudo vem sendo conduzido na Universidade de Utrecht, Instituto Copernicus de Desenvolvimento Sustentável, Departamento de Energia & Recursos, Utrecht, Holanda, pelas pesquisadoras Maria A. R. Villabona, Anna Duden e Floor van der Hilst, estando disponível em EGU25-13261, updated on 03 Apr 2025, https://doi.org/10.5194/egusphere-egu25-13261.

A transição para uma bioeconomia visa reduzir a dependência de recursos fósseis finitos, mitigar as mudanças climáticas e promover o desenvolvimento sustentável. A biomassa florestal desempenha um papel fundamental na bioeconomia, contribuindo significativamente para a produção de biomateriais e bioenergia. A transição para a bioeconomia requer a aceleração e ampliação da produção e uso de biomassa. No entanto, o aumento da demanda por biomassa florestal pode gerar mudanças substanciais no uso da terra e na gestão florestal, resultando em impactos ambientais, como alterações nos balanços de carbono.

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Não obstante o crescente foco na bioeconomia, os estudos que quantificam os impactos ambientais, espacial e temporalmente explícitos, da crescente demanda por biomassa florestal, são limitados de acordo com as autoras do referido estudo. As avaliações existentes utilizam modelos agregados e estáticos, que não consideram as variações espaciais e temporais no uso da terra, na gestão da terra e nos resultados ambientais. Abordar essa lacuna é crucial para quantificar os impactos dos sistemas com soluções baseadas na natureza ao longo das cadeias de valor e entender os trade-offs associados ao aumento da demanda por biomassa lenhosa.

Monitorar a sustentabilidade da bioeconomia, bioprodutos, bioenergia e cadeias de valor pode ser desafiador devido à sua natureza complexa e multidimensional (Figura 1). Contabilizar as variações espaciais e temporais dos impactos ambientais exige uma abordagem integrada de modelagem, que inclua modelagem econômica, simulação de mudanças no uso da terra e na gestão da terra, análise de impacto ambiental e abordagens para alocar os resultados dos impactos totais da biomassa lenhosa.

O estudo citado tem como objetivo quantificar a variação espacial e temporal nos impactos ambientais totais, impulsionados pelas mudanças no uso da terra e na gestão da terra resultantes do aumento da demanda por biomassa florestal na Europa até 2050. Ao abordar os impactos tanto no nível da terra quanto no nível da bioenergia e bioprodutos, o estudo oferece uma avaliação abrangente dos trade-offs associados à obtenção de biomassa florestal, preenchendo lacunas críticas nas avaliações existentes. Tal pesquisa adota uma abordagem ex-ante e espacial e temporalmente explícita para avaliar esses impactos, com foco nos impactos de balanços de carbono.

Mais especificamente, a abordagem consiste nas seguintes etapas:

  1. Desenvolvimento de cenários de demanda de biomassa usando um modelo econômico de equilíbrio parcial da silvicultura: Cenários de demanda de biomassa, energia e outras aplicações. Esses cenários, desagregados por tipos de biomassa, formam a base para a análise das mudanças futuras no uso da terra e a vinculação dos impactos aos produtos bioeconômicos.
  2. Modelagem de mudanças no uso da terra espaço-temporal com o modelo econômico de equilíbrio parcial para a silvicultura. Projeções de alocação do uso da terra entre tipos de uso (por exemplo, terras agrícolas, florestas manejadas e vegetação natural), da competição entre os setores demandantes pela biomassa oriunda da silvicultura.
  3. Modelagem de balanço de carbono com um modelo de alocação de recursos florestais: Simulação dos impactos de reflorestamento, desmatamento e práticas de manejo florestal sobre as emissões e remoções de carbono sob práticas alternativas e padrões de manejo florestal.
  4. Alocação da oferta de biomassa para a demanda com um modelo técnico-econômico espacialmente explícito em conjunto com os resultados dos cenários de demanda de biomassa são desagregados em um modelo técnico-econômico espacialmente explícito para alocação de biomassa, no nível de produtos bioeconômicos. Essa etapa ajuda a estabelecer a ligação dos impactos ambientais a produtos bioeconômicos específicos.

Por fim, tem-se os resultados oferecendo uma estrutura integrada para quantificar variações espaciais e temporais nos impactos ambientais de produtos bioeconômicos. Ao focar nos impactos no nível do produto e nas variações espaço-temporais, essa pesquisa apoia estratégias sustentáveis de abastecimento de biomassa florestal, identifica trade-offs e informa a formulação de políticas baseadas em evidências para alinhar o crescimento bioeconômico com os objetivos de sustentabilidade ambiental a longo prazo.

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Mauro Berni
Pesquisador das áreas de meio ambiente e energia do Núcleo Interdiciplinar de Planejamento Energético (NIPE), da Universidade de Campinas (Unicamp-SP)

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