Embalagens: setor externo deverá impulsionar demanda em 2025

Impulsionado pela demanda do agronegócio e pelas exportações, o setor de embalagens projeta um ano positivo, mesmo diante de desafios econômicos

A indústria brasileira de embalagens registrou resultado positivo em 2024, ainda que nem todas as estatísticas completas para o ano estejam disponíveis. O setor foi impulsionado por fatores internos e externos, mas é a consolidação de importantes drivers internacionais que nos chama a atenção. Os dados para a expedição doméstica de caixas, chapas e acessórios de papelão ondulado apurados pela Empapel apontam para crescimento de 4.8% em 2024 para 4.2 milhões de toneladas, alinhado com as nossas projeções para o ano.

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Já as estimativas Fastmarkets para o consumo aparente de papelão ondulado (containerboard) no País são de alta de 4.9% para 5.1 milhões de toneladas estimadas, enquanto que o consumo de outros tipos de embalagens de papel cresceu 2% para 1.7 milhão de toneladas.

A maior parte desse consumo foi relacionado a setores essenciais da economia, como a indústria alimentícia, de proteína animal e de produtos químicos, farmacêuticos e de higiene e limpeza. Nossos cálculos apontam que o setor de itens essenciais representou cerca de 75% do consumo doméstico de embalagens de papel no Brasil em 2024, estimativas próximas àquelas feitas também pela Empapel.

No caso específico da indústria alimentícia, o desempenho do setor em 2024 foi ímpar, impulsionado pelas exportações favorecidas pela taxa de câmbio desvalorizada e alta competitividade do setor no Brasil devido aos baixos custos produtivos. Calculamos que o Brasil exportou 52.9 milhões de toneladas de alimentos (excluindo os embarques de grãos e outros alimentos à granel) em 2024, volume 17.5% superior ao registrado em 2023 e um novo recorde histórico, segundo levantamento feito com base nas estatísticas fornecidas pelo Global Trade Tracker (GTT) e mesmo considerando a queda de pouco mais de 1% nos embarques de frutas ao exterior no período.

Os embarques de proteína animal – sobretudo carne bovina, frango e suínos – cresceram 9.9% em 2024 para mais de 9.1 milhões de toneladas, enquanto as exportações de pescados e frutos do mar e ovos, leites e outros derivados subiram 8.2% e 9.6%, respectivamente, no mesmo período. Dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) confirmam a tendência apurada, reportando aumento dos embarques de praticamente todas as variedades de proteína animal, sobretudo para países da Ásia (China, Japão, Filipinas e Coréia do Sul), Oriente Médio (Arábia Saudita, Catar e Iraque), União Europeia e México.

As exportações de frango subiram 3% nos embarques de frango no ano passado totalizando mais de 5 milhões de toneladas, enquanto as exportações de carne bovina cresceram mais de 26% para 2.9 milhões de toneladas e as de carne suína avançaram mais de 10% para 1.2 milhão de toneladas.

Se as taxas do setor exportador de proteína animal parecem altas, as da indústria de alimentos processados são ainda mais surpreendentes. Nossos cálculos apontam para aumento de 19.2% nos embarques do setor para mais de 42 milhões de toneladas em 2024.

E é em meio a esta crescente nos embarques ao setor externo que baseamos nossa perspectiva positiva para 2025, que deve registrar novos recordes históricos para a produção e consumo de embalagens no País, apesar da piora do cenário político-econômico e do humor dos mercados financeiros desde o final de 2024. Na realidade, a recente piora do ambiente político-econômico deve impulsionar ainda mais os envios ao exterior, já que a taxa de câmbio subiu, só em dezembro, 5% ante novembro em meio à piora das expectativas dos agentes econômicos em relação à economia local.

Para o restante do ano, esperamos continuidade da desvalorização cambial, com as taxas de câmbio ficando em 2025 em R$ 6.32/USD na média do ano, mas com espaço para subir ainda mais caso o ambiente político-econômico interno sofra se deteriore ainda mais.

Projetamos em nosso Latin America 5-Year Forecast que o consumo aparente de papel corrugado no Brasil subirá pelo menos 2% em 2025 para mais de 5.2 milhões de toneladas, enquanto a demanda por outros tipos de embalagens de papel crescerá 1.7% para 1.8 milhão de toneladas. Já para a expedição doméstica de caixas, chapas e acessórios de papelão ondulado apurada pela Empapel, projetamos alta de 4.3% para 4.42 milhões de toneladas para o ano.

O cenário positivo para o consumo tem por base as projeções otimistas para o consumo de setores-chave para a indústria de embalagens de papel. Nossas projeções apontam para crescimento de 3.1% no abate interno de animais no Brasil, que deverá suprir tanto o mercado interno quanto os envios ao exterior de proteína animal, que por sua vez devem crescer 3.6% em relação ao ano passado. Já as exportações de alimentos devem aumentar outros 9.3% em 2025, também impulsionadas por rendimentos atraentes em dólares advindos do mercado externo.

Apesar do pessimismo do mercado em relação à economia brasileira, acreditamos que o PIB continuará crescendo acima do consenso de mercado, impulsionado principalmente pelo agronegócio, que deve se beneficiar da desvalorização cambial. A indústria manufatureira, embora menos dinâmica nos últimos anos, também se beneficiará do câmbio depreciado e da gradual recuperação da economia argentina, importante mercado para as exportações brasileiras de alimentos, eletrodomésticos e calçados, setores que consomem bastante papelão ondulado.

A demanda do consumidor, no entanto, apresenta maior volatilidade e riscos. O consumo das famílias pode sofrer retração no primeiro semestre devido à inflação e aos juros altos. Contudo, a economia operando acima do seu potencial e o nível de emprego superior à taxa natural devem atenuar os impactos negativos no consumo, mantendo a demanda em níveis semelhantes aos observados no final de 2024. Esperamos que esse superdinamismo do mercado interno continuará vigente, pelo menos ao longo do primeiro semestre do ano, o que deve sustentar o consumo em níveis elevados apesar da queda sazonal esperada para a demanda interna típica para o período.

Já para o segundo semestre, os efeitos de erosão de renda devem ganhar maior proeminência, mas esse é um período em que a demanda local tradicionalmente fica mais alta, fator que deverá equilibrar a equação e se traduzir, como acreditamos, em um nível de consumo interno pelo menos nos mesmos patamares daqueles vistos em 2024.

Assim, esperamos que o mercado brasileiro de embalagens continuará crescendo em 2025, impulsionado pelo consumo interno, principalmente do agronegócio e das exportações, favorecidas pelo câmbio desvalorizado. Apesar das incertezas econômicas e políticas, e dos riscos de queda no consumo das famílias devido à inflação e juros elevados, o impacto geral no mercado de papelão ondulado permanece positivo.

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Rafael Barisauskas
Rafael Barisauskas ingressou na Fastmarkets em 2019 como economista para a América Latina, analisando os mercados regionais de celulose, papel e embalagens, além da cobertura econômica para a região. Rafael trabalha com projeções econômicas desde 2013, acumulando um vasto conhecimento em comércio de commodities e organização industrial. Além disso, Rafael também atua como professor universitário de economia na FECAP (Brasil). Ele é mestre em Economia pela universidade KU Leuven, na Bélgica, focando sua pesquisa em análise das cadeias globais de valor na indústria de papel e celulose. Rafael Barisauskas joined Fastmarkets in 2019 as the Latin America economist, analyzing the regional pulp, paper, and packaging markets as well as the local economies. Having worked on economic forecasts since 2013, Rafael has a deep understanding of the global commodities trade and industrial organization. Rafael also works as an Economics Professor at FECAP University (Brazil), and he has a Master's degree in Economics from KU Leuven in Belgium, focusing his research on global value chain analysis in the pulp and paper industry.

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