Conhecido por sua excelência técnica na produção de celulose e gestão florestal, o Mato Grosso do Sul vem ampliando sua relevância em uma nova frente de desenvolvimento, o mercado de carbono. O estado reúne condições singulares para transformar suas vantagens produtivas em oportunidades de ação climática de alto valor agregado.
As bases do crescimento
Atualmente, o Mato Grosso do Sul abriga uma capacidade produtiva de celulose de fibra curta que excede os 7,5 milhões de toneladas por ano, alimentada por uma das maiores áreas de cultivo florestal do país, somando cerca de 1,6 milhão de hectares plantados segundo levantamentos da Fastmarkets e da Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ).
Essa composição não ocorre por acaso. A região reúne atributos que poucos territórios no mundo conseguem combinar com tamanha maturidade: um arcabouço técnico bem estruturado, disponibilidade de terras e condições favoráveis para investimentos de longo prazo. A presença de empresas como Suzano, Eldorado e Arauco, além de uma ampla rede de prestadores de serviços e operadores florestais, cria um ambiente capaz de transformar oportunidades em projetos escaláveis.
Tais vantagens naturais e econômicas têm sustentado o desenvolvimento de empreendimentos voltados também à agenda climática por meio de projetos de carbono, cuja implementação e operacionalização se valem exatamente da mesma cadeia de suprimentos da gestão florestal tradicional. No início de 2026, o estado já abrigava 160 mil hectares de projetos de carbono ativos, entre iniciativas de restauração e conservação.
Além dos projetos já operacionais, a área dos empreendimentos em desenvolvimento e listados junto aos principais registros globais do mercado de carbono excede 65 mil hectares adicionais. Esse pipeline contempla diferentes estratégias, incluindo reflorestamento, restauração ecológica e conservação de remanescentes nativos, refletindo a crescente diversificação do mercado voluntário.
Prova de conceito
Como discutimos em nossa coluna de abril, que marcou o início deste novo conteúdo editorial sobre as finanças climáticas, o exemplo mais expressivo é o projeto de carbono ARR Horizonte, desenvolvido pela Suzano.
A iniciativa foi estruturada em 15 mil hectares anteriormente degradados pela pecuária, utilizando principalmente plantações de eucalipto para promover o sequestro de carbono em larga escala. O projeto já emitiu mais de 1,3 milhão de créditos de carbono para o mercado voluntário, consolidando-se como a iniciativa com o maior volume de emissões até o momento no estado.
Mais do que um projeto bem-sucedido de geração de créditos de carbono, o ARR Horizonte evidencia como a produção de madeira e a ação climática não precisam seguir caminhos distintos, mantendo suas áreas integradas à cadeia florestal produtiva da empresa.
Uma trajetória própria
O caso sul-mato-grossense mostra que o avanço do carbono florestal no Brasil não dependerá exclusivamente da conservação de grandes áreas nativas, mas da capacidade de integrar restauração, produção florestal e gestão territorial em modelos economicamente viáveis e tecnicamente robustos. Onde já existe uma cadeia florestal madura, o carbono deixa de ser uma atividade paralela e passa a integrar a própria lógica econômica da floresta.
Entre as planícies do Pantanal e as paisagens do Cerrado, o Mato Grosso do Sul vem desenhando uma trajetória própria para garantir seu acesso ao mercado de carbono, na qual produção, restauração e agenda climática se unem na composição de um novo valor florestal.
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