Na última coluna Estratégia e Gestão (outubro de 2025) mostrei uma fotografia da distribuição da capacidade instalada mundial das fábricas de celulose e papel. Neste mês, convido os leitores a descer um degrau no detalhamento dessa foto, olhando agora com mais atenção especificamente apenas para a indústria de celulose.
LEIA AQUI A COLUNA PUBLICADA NA EDIÇÃO DE NOVEMBRO DA REVISTA O PAPEL
Considerando em termos macro, as fábricas de celulose podem ser enquadradas em dois grandes grupos: as que fabricam celulose proveniente da madeira e as que usam outros tipos de fibra vegetal.
No Brasil, todas as indústrias utilizam madeira oriunda de plantios comerciais de Pinus e/ou Eucalipto. Ao redor do mundo, além desses gêneros, também são usados Bétula, Álamo, Abeto e outros gêneros, tanto de plantios como de manejo de florestas naturais.
No caso das indústrias que não empregam a madeira como fonte de matéria-prima, o maior uso se dá com o bambu, cana-de-açúcar, linho, algodão e outras fibras. Tudo depende da escala e do tipo de produto final.
Apesar dessa variedade de opções, a indústria mundial é altamente focada na fabricação de celulose com madeira (ver Figura 1).

A Figura 2 resume como é a distribuição da capacidade instalada da indústria mundial de celulose, segundo o tipo de fibra utilizada. No caso da madeira, é fácil perceber uma distribuição (quase) equilibrada em quatro grandes blocos regionais. Essa mesma figura também mostra a pequena participação das fábricas na Oceania e a inexistência do Continente Africano nesta conta. Por fim, é evidente que menos de 1/4 da capacidade instalada está localizada no Hemisfério Sul (América do Sul e Oceania).
Já com relação às fábricas que não usam a madeira em seus processos, é nítido ver grande concentração regional na Ásia, notadamente China e Índia com o bambu e algodão.
Como o Brasil é competidor do mercado de celulose feita a partir das fibras da madeira, vamos nos concentrar a partir de agora apenas neste tipo de indústria. Nos últimos cinco anos, a capacidade instalada mundial cresceu menos de 3%, conforme registrado na Figura 3. Regionalmente, a América do Sul representa o maior crescimento (foco no Brasil, principalmente, com grandes projetos de celulose branca e marrom), ao passo que na América do Norte a trajetória é inversa (em razão prioritariamente dos Estados Unidos, com fechamento de fábricas antigas e porte menos competitivo).
Por tradição, fábricas de celulose costumam operar com baixo nível de ociosidade. A Figura 4 mostra que, na média mundial, as indústrias de celulose operam hoje com menos de 20% de ociosidade. As indústrias mais ativas estão localizadas na América do Norte e Europa. Ainda na média mundial, as indústrias de celulose da Oceania são as que operam com menos intensidade.



